Mais três cães eletrocutados em Lisboa. Petição será entregue à Câmara de Lisboa

Os casos continuam a ser denunciados. A tutora de Chili, um dos patudos afetados, criou uma petição para que o problema seja resolvido.

Os casos de animais eletrocutados nas ruas de Lisboa continuam. No passado sábado, 29 de novembro, mais dois patudos sofreram choques elétricos perto do Elevador da Glória, em Lisboa, quando passeavam durante a noite, e um terceiro foi eletrocutado na zona de Telheiras.

Estes registos juntam-se a outros quatro casos (três deles levaram à morte dos patudos) já denunciados nas últimas semanas, incluindo o de Chili, que impulsionou a criação de uma petição que será entregue à Câmara Municipal de Lisboa a 9 de dezembro.

Na noite do passado sábado, 29 de novembro, Lupy e Molly passeavam com as tutoras Marisa Marçal e Vanessa Catarina, respetivamente, junto ao Elevador da Glória. As amigas decidiram ir até à Baixa lisboeta “para ver as luzes de Natal”, aproveitando a ocasião para passear os animais.

Molly, a mais pequena dos patudos, arraçada de Pinscher e Chihuahua, aproximou-se “a uns dois metros do poste e começou a ganir. Parecia que estava aos pulos mas imóvel, não saía do lugar”, conta Marisa à PiT, acrescentando que o piso “estava húmido”.

A tutora da cadela levantou-a e manteve-a no colo. Já o cão de três anos, dando-se conta da aflição de Molly, “foi ter com ela e começou também aos saltos e a ganir”, tendo depois sido puxado pela dona.

Os cães não precisaram de cuidados veterinários, mostrando-se apenas “muito assustados” durante o resto da noite.

A tutora avança ter contactado a PSP e os Bombeiros Sapadores de Lisboa, que por sua vez “acionaram a E-Redes e a equipa técnica”, mas não adiantaram mais informações sobre o sucedido.

O terceiro caso ocorreu na Rua Fernando Namora, em Telheiras, tem o patudo sido atingido por dois choques eléctricos. A PiT tentou entrar em contacto com o tutor, mas até à data não foi possível. 

Os vários casos levaram a uma petição

Este é assim, o sétimo cão a sofrer choques eléctricos junto de postes de eletricidade nos últimos quinze dias. O primeiro incidente desenrolou-se a 14 de novembro, escreveu, na altura, o Diário de Notícias. Luna, de 12 anos e 30 quilos, e Ozzy, de apenas quatro meses e 15 quilos, morreram durante um passeio com a tutora Soraia Silva perto de um parque infantil em Patameiras, Odivelas.

No dia seguinte teve lugar o segundo incidente, no Parque das Nações, às 18h30. Desta vez a vítima foi Mel, o cão de uma família residente na zona que passeava com o filho do tutor. O cão morreu ao pisar uma poça de água junto a um poste de iluminação. O relatório dos bombeiros revela que o animal foi atingido por cerca de 117 volts, tentando levantar-se depois do primeiro impacto, mas caindo logo de seguida, já sem vida.

O quarto caso foi o de Chili, um mix de Poodle de três anos que a 27 de novembro passeava com a tutora Linn Wener, quando começou a ganir e a andar às voltas com o coração acelerado e o corpo a tremer. 

“Vi todo o seu corpo à procura de alguma ferida, mas não encontrei nada. Tinha o coração muito acelerado. Estávamos perto de um poste de eletricidade e foi aí que percebi que provavelmente tinha apanhado um choque”, disse a tutora à revista NiT. Uma visita ao Hospital Veterinário de São Bento confirmou as suspeitas, e assegurou que “o choque não foi tão forte e não causou danos neurológicos”.

No próprio dia, Linn Wener decidiu criar uma petição online, que pretende entregar à Câmara Municipal de Lisboa a 9 de dezembro, dia em que irá reunir com a vereadora da autarquia, Joana Baptista, junto do local da ocorrência na Rua da Escola Politécnica (até à data a autarquia ainda não se pronunciou sobre este caso). 

Wener espera reunir, pelo menos 1500 assinaturas — à data deste artigo, o documento conta com 946. A petição apela à autarquia que tome “medidas urgentes e estruturais”, como a realização de uma investigação técnica e independente a toda a infraestrutura elétrica pública. 

A E-Redes assumiu, a 27 de novembro, a existência de um cabo subterrâneo com o isolamento rasgado onde morreram Luna e Ozzy, em Odivelas, mas não detetou qualquer anomalia na rede elétrica no caso da morte de Mel, em Lisboa.

Carregue na galeria para conhecer Chili, Lupy e Molly, três dos cães eletrocutados em Lisboa.

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