Família

Marc e Stephanie servem vinhos na Estrela. E os seus animais têm nomes de castas

A garrafeira extensa e os pratos diferentes todas as semanas fazem do Pinot um espaço único em Lisboa.
Marc e Stephanie com o cão Grüner Veltliner.

A ligação íntima de Marc Singh Davidson ao vinho salta à vista nos pormenores. Tem um restaurante chamado Senhor Uva e um cão que responde pelo nome Grüner Veltliner (uma casta austríaca). Porém, foi o gato a inspirar o novo negócio da família, um bar de vinhos e petiscos que abre portas a 24 de novembro. Tal como o felino, chama-se Pinot e quer marcar a diferença em Lisboa.

À frente do projeto estão o empresário de 37 anos e a mulher, Stephanie Audet, chef de 38 que também lidera a cozinha do Senhor Uva. “O conceito passa por fazer uma ‘cave a manger’, um lugar de bairro descontraído”, explica Marc. “Idealizámos um sítio onde as pessoas podem passar a tarde a beber um copo, levar petiscos para um piquenique no jardim da Estrela ou comprar uma garrafa para casa.”

O casal nascido no Canadá precisava de mais espaço de armazenamento: têm também uma empresa de importação e distribuição de vinhos, a Senhor Uva la Cave. “Era fundamental para conseguirmos trabalhar bem e de forma organizada. Então pensámos: ‘por que não fazer também uma garrafeira com vinhos a copo e petiscos?’.”

O nome Pinot nasce da ligação óbvia à conhecida casta, mas também obedece a outro desejo. “Queríamos uma palavra fácil de lembrar e entender em todas as línguas. O nome que escolhemos para o gato é perfeito”. Por vezes, pode até encontrar o cão do casal a andar pelo restaurante. Já o felino, prefere o conforto da casa da família.

Tanto Marc como a mulher cresceram em Montreal, mas nasceram num caldo apurado por diversas culturas. O pai dele tem ascendência escocesa e a mãe é sino-indiana de Macau. Aliás, por causa desse local de nascimento, ligado ao nosso País, o canadiano conseguiu também a nacionalidade portuguesa.

No caso de Stephanie, as influências estão relacionadas com o feitio de globetrotter que desde cedo mostrou. A chef viveu e trabalhou no sul dos EUA, no México e no Brasil (onde aprendeu a falar português). Foi depois para o Havai, onde conseguiu ter o seu restaurante. Até que decidiu procurar outro destino, para continuar a evoluir na profissão. Pensou em Barcelona, mas o marido deu-lhe outra ideia.

“Porque negociava em vinhos, mas também porque sempre tive amigos de família em Portugal, fiz várias viagens até cá desde muito novo. Adoro Lisboa e convenci a minha mulher de que era uma escolha ótima. Quando conheceu a cidade, ficou encantada.”

Vieram para ficar a 13 de outubro 2018 e, pouco depois, inauguraram o Senhor Uva. “A indústria da restauração é dura em qualquer lugar, mas em Montreal está tão saturada que para atingir o sucesso teríamos que trabalhar sem parar todos os dias. E essa vida não pode ser sustentável a longo prazo.”

Claro que abrir um restaurante aqui não significa que tenham uma vida fácil, mas Marc garante haver vantagens evidentes. “Ainda não conseguimos o equilíbrio que procuramos, mas o que fizemos aqui em cinco anos demoraria 20 em Montreal. Temos tido um crescimento sustentado.”

O balanço da mudança para o nosso País é globalmente positivo. “Ainda é uma adaptação, mas sentimo-nos em casa há bastante tempo e queremos ficar cá para sempre. Portugal já se tornou a nossa terra.”

No novo bar Pinot, o foco está na alargada seleção de vinhos importados. “Contudo, não vamos ficar por aí, queremos ter um pouco de tudo para conseguirmos ainda maior variedade. Na comida, contem com simplicidade e qualidade acima de tudo.”

O menu altera-se semanalmente. “Os vinhos ao copo irão de quatro e meio até sete euros, mas nas garrafas será de 12 até ao preço que a pessoa quiser pagar – temos muita coisa na garrafeira.”

Nos pratos, ainda não há preços definitivos – “estão a ser ultimados” –, mas a estimativa é de três a nove euros. Ainda assim, a preparação das propostas da primeira semana já tem muito exemplos do que os clientes podem encontrar no Pinot.

Haverá pão e azeite aromatizado, tremoços assados, ovos em pickle bloody ceasar (com feijão-verde, aipo, azeitona siciliana e tomate-cereja), alface com vinaigrette sumac, massa folhada do momento (com queijo roquefort, pêra, tomilho e mel) e terrine vegetal (com mostarda, picles e croutons).

Nos dips pode contar com labneh, húmus e baba ganoush e nas sandes tem foccacia com curgete, cebola caramelizada e tomme de cabra. O prato do dia será creme de miso com cenoura assada, bok choy e gremolata. Numa vertente mais próxima das sobremesas, sobressai o prato de queijos com compota, a torta de chocolate e pipoca e o cookie de tahini e pimenta-rosa.

A seguir, carregue na galeria para conhecer o casal canadiano e os dois amigos que adotaram já no nosso País.

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