Família

Marley viveu 10 anos acorrentado num espaço imundo. Está radiante por ter sido salvo

Na primeira noite em que dormiu numa cama, com uma manta quentinha, “soltou barulhinhos de felicidade”. Apaixone-se.
A conhecer o mundo fora de portas.

Há animais que vivem toda uma vida “com dono”, mas sem qualquer dignidade. Aos poucos, há quem comece a perceber que não tem as devidas condições para os seus pets e que procure ajuda – muitas vezes para os dar a alguém, por falta de melhores conhecimentos ou possibilidades. Foi o que aconteceu a Marley, um patudo cego que viveu 10 anos acorrentado, num espaço cheio de dejetos, sem conhecer o mundo lá fora.

Quando a protetora da causa animal Daniela Alex se desloca a Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, já sabe que, além dos animais do canil que precisam de ser divulgados para saírem de onde estão, irá certamente encontrar novos casos em que é preciso intervir. E foi precisamente isso que sucedeu, uma vez mais. Sem capacidade de acolhimento, mas sem conseguir virar costas, levou consigo um meigo cão que ainda está incrédulo com o carinho e cuidados que está a receber.

Daniela Alex vive em Matosinhos – distrito do Porto –, mas vai frequentemente a Ponte da Barca para tratar dos animais errantes e de situações urgentes que ali surgem. E foi assim que se deparou, na semana passada, com mais este caso urgente. “Resgatei um velhinho de uma situação deplorável e precisará de uma família depois de ser operado”, conta à PiT. “Veio de Lindoso – em Ponte da Barca –, a aldeia de onde resgato a maioria”, adianta.

“O Marley tem a dificuldade social de quem viveu acorrentado e sem contacto humano por 10 anos. Como está cego de ambos os olhos, não tinha confiança suficiente em nós quando nos aproximávamos. Notámos o quanto ficava aterrorizado numa primeira abordagem. No entanto, depois de perceber que agora tem direito a ser mimado e cuidado, então já descansa e aproveita. E sem falar que ele salta literalmente de alegria sempre que lhe colocamos a trela porque já percebeu que vai passear”, explica a protetora.

Marley
Tudo é novo para ele.

Marley adora o mimo com que está a ser tratado

Depois de ser retirado do espaço onde sempre viveu, sem quaisquer condições, Marley tem sido tratado como um príncipe. Fizeram-lhe uma tosquia rápida para lhe cortarem todas as rastas e também lhe cortaram as unhas – que estavam enormes. Além disso, sublinha Daniela, “começámos um protocolo de tratamento para controlar o glaucoma num dos olhos (numa tentativa de lhe salvar o olho) e para diminuir a infeção na cavidade ocular do outro lado”.

“Ele ainda tem ser operado, mas eu preciso com urgência de uma família para ele, porque não tenho espaço para socorrer mais nenhum”, apela. “As poucas famílias de acolhimento temporário que me vão ajudando – são apenas três – já estão sobrecarregadas e a minha casa também”, lamenta Daniela.

E como se chegou ao conhecimento da situação de Marley? “Foi apresentada queixa e eu e a minha amiga Marta decidimos ir oferecer ajuda à dona deste pobre animal. A senhora, idosa e com limitações, aceitou de imediato entregar o animal, para o qual já procurava uma solução há alguns anos, mas sem qualquer resposta”, explica.

A dona manteve-o acorrentado, em condições muito más, nestes seus 10 anos de vida, mas percebeu que o melhor para ele seria mesmo entregá-lo. E agora este patudo sofrido procura uma nova oportunidade, uma vida digna numa família que só lhe dê mimos e bons cuidados. “Ele é cego e precisaremos de alguém que o aceite como é para que os seus últimos anos compensem os 10 passados numa corrente, rodeado de porcaria e sem uma pinga de carinho”, diz Daniela à PiT.

A felicidade de Marley ao dormir numa caminha

“Não tenho uma filmagem desse momento, mas foi tão bonito vê-lo a expressar a sua alegria quando se deitou pela primeira vez numa cama com uma manta quentinha. Enrolou-se e soltou barulhinhos de felicidade”, conta a protetora, de coração cheio.

Daniela – que criou uma página no Facebook para a sensibilização da situação animal em Ponte da Barca, já que não existe associação na zona –, conta com o bom coração de quem possa ajudar. “Infelizmente tenho dezenas de animais resgatados e não tenho onde o colocar”, sublinha a protetora de Matosinhos. Se puder acolhê-la, basta contactar a Daniela (916 462 999) – que pode levá-la a qualquer local daquela zona ou do Grande Porto.

Estará por aí a família que vai fazer com que Marley continue a soltar barulhinhos de felicidade e nunca mais saiba o que é viver com frio, à corrente, e sem amor? Percorra a galeria para conhecer melhor este doce pequenote.

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