Família

Miau: o que querem dizer os gatos quando miam? Há uma aplicação que traduz

Desde "Estou feliz por te ver" até "Deixa-me descansar", a MeowTalk decifra os diferentes tipos de miar. Mas nem tudo é literal.
Estamos entendidos?

Os gatos não são propriamente uma espécie fácil de decifrar. Mesmo quando miam, não fazem muito mais que isso para se fazerem entender. Para os donos, pode ser frustrante ouvi-los sem os perceber. Mas a tecnologia consegue sempre surpreender: e se pudéssemos traduzir o que eles dizem? É essa a função da MeowTalk Cat Translator.

A fiabilidade da aplicação pode parecer dúbia, mas o seu funcionamento depende de uma alargada base de dados e um algoritmo inteligente que distingue as diferentes diferenças do miar dos gatos. Este tipo de sistemas de aprendizagem vão formando padrões que permitem chegar a respostas fidedignas.

Assim, mensagens como “Estou feliz”, “Que bom ver-te”, ou “Deixa-me descansar” — traduzidas para inglês — são alguns exemplos dos diferentes apelos decifrados pela aplicação quando um gato mia. “Estamos a tentar perceber o que os gatos querem dizer e dar-lhes uma voz. Queremos usar esta aplicação para ajudar as pessoas a construirem melhores relações com os seus felinos”, explicou Javier Sanchez, fundador da MeowTalk que trabalhou para a Amazon no desenvolvimento do sistema de assistência virtual inteligente Alexa, ao The New York Times.

Os tons da música

O que a aplicação faz é captar os diferentes tons do miar e distingui-los de acordo com a base de dados que já tem. Mas isso é algo que está ao alcance dos ouvidos mais apurados e atentos. Porque, apesar de ténues, há diferenças em cada som produzido pelos gatos. De acordo com Susanne Schötz, investigadora que estuda o som na Universidade de Lund, na Suécia, e que integra um projeto de investigação designado “Meowsic”, os gatos “usam diferentes tipos de melodias quando querem alertar para diferentes situações”.

Na mesma linha de conclusão, um estudo de 2019 encabeçado por Stavros Ntalampiras, cientista de computação na Universidade de Milão, demonstrou que os algoritmos conseguem distinguir automaticamente o significado do miar em três situações: quando os gatos estão a ser acarinhados ou escovados, quando esperam pela comida, e quando estão sozinhos num ambiente desconhecido.

A lógica do algoritmo usado no MeowTalk é a mesma que desenvolvida por Ntalampiras, mas alargada a mais situações. E este é um sistema em constante aprendizagem, já que o algoritmo está em constante desenvolvimento, continuamente a refinar padrões à medida que recebe novos sons.

Não obstante, e apesar da taxa de acerto apurada em 2021 pelos investigadores da MeowTalk, a verdade é que, muitas das vezes, o som não é suficiente para decifrar inequivocamente as vontades dos felinos. E, além disso, há frequências que são demasiado parecidas para se assumir uma distinção clara, como é o caso dos estados de “felicidade” e de “dor”.

E a tradução, sendo feita em frases sugestivas, não deve ser lida à letra. “Muitas das traduções são apresentadas de forma criativa aos utilizadores”, explica Ntalampiras. “Não se trata de ciência pura”, acrescenta o próprio cientista.

É possível personalizar o sistema à medida que se percebem os miares.

E para os cães?

Está em desenvolvimento uma plataforma equivalente que tem como objetivo decifrar as mensagens dos cães através de vocalizações e da linguagem corporal. Chama-se Zoolingua e está a ser desenvolvida no Arizona, Estados Unidos da América.

Sobre este projeto em construção, o fundador Con Slobodchikoff, cujo percurso académico foi dedicado à comunicação canina, esclareceu que, apesar de a comunicação entre cães e tutores ser fundamental para uma boa relação entre ambos, há quem prefira não ir mais longe na compreensão do seu próprio cão, com receio de descobrir que o patudo, afinal, não gosta do dono.

Ainda assim, tal como na MeowTalk e na compreensão felina, entender o que os cães realmente querem com as suas interações não se prende apenas pela interpretação fechada de sinais vocais e físicos. Quem o diz é Alexandra Horowitz, especialista em cognição canina na Universidade de Barnard, em Nova Iorque. Sobretudo pela questão do cheiro, que é o principal fator pelo qual os cães se guiam. “Como é que vamos traduzir isso, se nem nós próprios entendemos a extensão disso?”, questiona Horowitz.

De qualquer das formas, quer pela MeowTalk para já, ou com a Zoolingua num futuro incerto, a verdade é que a tecnologia avança neste campo a olhos vistos para nos aproximar dos nossos animais de estimação. Mesmo que as suas linguagens ainda ocultem mistérios indecifráveis, há mais pistas ao alcance para os entender melhor. E, quem sabe, responder-lhes na língua deles.

Carregue na galeria e veja como funciona a aplicação, disponível para instalação nos smartphones.

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