Família

Morreu Chico, o gato de Pedro Crispim. “Meu príncipe, meu amigo, meu amor”

Francisco tinha um linfoma e viveu uma dura baralha no último ano. “Na última semana já tinha dado sinais que queria descansar”.
Amor cúmplice.

Quem ama um animal como um membro da família nunca está preparado para a sua partida. Mesmo quando surge uma doença grave e somos avisados para essa inevitabilidade, não é pela falta de surpresa que a perda deixa de ser dura. Porque o luto da ausência é isso mesmo: duro, sombrio e triste. O gato de Pedro Crispim, que estava doente, morreu neste domingo, 26 de novembro, e o consultor de imagem e comentador televisivo fez uma partilha emotiva a homenageá-lo.

“Adoptou-me na SOS Animal e, desde aí, nunca mais nos largámos um só minuto. Companheiro de muitas aventuras, amigo confidente, fez-se membro da família, conquistando todos, até aqueles que afirmavam que não eram muito de gatos…foi vê-los rendidos ao seu charme. Este último ano foi uma batalha intensa. O Chico foi um guerreiro, aguentou tudo o que pôde, o máximo que conseguiu, por ele, e acredito que por nós, mas na última semana já tinha dado sinais que queria descansar, que estava esgotado”, escreveu Pedro Crispim numa publicação no Instagram.

Em casa, Francisco – carinhosamente tratado por Chico –, já não comia nada, e pouco se movimentava além do básico, explica o também modelo-manequim. “O olhar aberto, simpático e luminoso deu lugar nos últimos dias a um olhar fechado, escuro e triste. Na última consulta esta semana percebemos que mais dia menos dia teríamos provavelmente que tomar uma decisão, eu próprio coloquei essa questão na mesa, mas como última esperança iríamos ver como reagia a um novo medicamento até final deste mês”, prossegue.

“Na manhã deste sábado demos-lhe um banho, posteriormente anilhou-se a nós, e até comeu uns biscoitos, para admiração nossa, pois nada disto ele fazia ultimamente (parecia estar a despedir-se). Mas, esta madrugada, no silêncio aqui de casa, deitado na sua caminha, o Chico partiu. Por volta das 2 da manhã, com ele nos braços embrulhado na sua mantinha, dirigimo-nos ao hospital que o acompanhou nesta fase da doença”, conta o seu tutor.


Pedro Crispim admite o quanto lhe custa esta partilha: “Não queria estar a escrever nada disto, mas quem acompanhou este processo e sempre teve uma palavra amiga merece. Mas, acima de tudo para o Chico, um companheiro incomparável. Todas as homenagens que lhe possa fazer ficarão sempre aquém daquilo que ele merecia. Tudo o que lhe dei será sempre pouco comparado com o tanto que acrescentou à minha vida, em tantas dimensões que não consigo sequer explicar!”.

“O nosso Chico partiu, mas o amor de todos aqui em casa será para sempre. Foi um privilégio poder partilhar a minha vida contigo meu príncipe, meu amigo, meu amor. Juntos até ao último minuto, assim foi!”, escreve ainda Pedro Crispim no texto de homenagem ao seu gato tão especial.

À PiT, Pedro Crispim falou, em fevereiro passado, sobre a chegada de Chico à sua vida e sobre a luta que estava a travar. “Adotei-o há perto de 9 anos. Aliás, foi ele que me adotou, ao agarrar-se a mim no momento em que estava a conhecer possíveis gatos para adotar”, contou. 

Foi uma cumplicidade imediata. “Eu vivia noutra casa e achei que um gato fazia mais sentido. Sempre tinha tido cães, mas achei que um gato ia ao encontro das minhas necessidades e rotinas e fui conhecer possíveis companheiros na SOS Animal. E foi aí que conheci o Chico, que já tinha três anos. Já era um gato maduro”, explicou então.

Para Pedro, procurar um companheiro que estivesse a precisar de um lar era o que lhe fazia mais sentido. “Isto tem sido muito o apanágio na minha família. Já os meus pais sempre optaram por adotar. Não acredito em extremismos, não tenho nada contra quem compra, mas desde sempre, dentro da casa, se optou pela adoção”.

Chico e Pedro escolheram-se mutuamente

“Infelizmente, vivemos numa sociedade em que a primeira camada é a mais desejada, em que os bebés, e de raça, são os mais escolhidos. E estes, como o Chico, são mais deixados de parte”, lamentava Pedro Crispim. Foi também por isso que decidiu procurar o novo companheiro de quatro patas entre aqueles que vão ficando para trás. “Havia disponibilidade da minha parte para adotar um gato com mais idade – e se tivesse algum problema de saúde, isso não seria impedimento”.

Francisco foi o escolhido. Escolheram-se mutuamente. E para aquele gato com um passado pouco feliz, tudo mudou para melhor. “Eles são muito gratos. O Chico já vinha com uma situação de maus-tratos e já tinha tido uns problemas de saúde, mas isso não me afastou”.

Chico
Amor. Sempre.

Os anos foram-se sucedendo com conforto e amor e foi sendo habitual ver fotos de Chico e Pedro na conta de Instagram do consultor de imagem e CEO do Atelier SP | Styling Project. “Ele é muito tranquilo, muito à vontade com a câmara. Eu adoro fotos e ele está habituado e é muito fotogénico”, dizia Pedro Crispim com um sorriso na voz.

Mas entretanto Chico adoeceu, com um linfoma nos intestinos. “Eu já tinha percebido que alguma coisa não estava bem. Ele andava a saltar as rotinas, a quebrar o dia a dia a nível da alimentação, e fui mais uma vez à SOS Animal”, contou Pedro. “Em dezembro, quando soubemos a notícia, foi muito violento. O meu feeling já me dizia que seria um linfoma”. É o coração e o olhar atento de quem cuida e conhece. “Ele já tinha tido uma vez uma infeção urinária e ficou internado uma semana e é sempre muito desconfortável. Ficamos quase órfãos, ao sair com os documentos deles nas mãos e sem eles”.

A batalha, desta vez, foi mais dura. “Tenho tido alguns sustos com ele, mas agora foi um murro no estômago. Para mim, para a minha família e para os meus amigos, porque ele faz parte da nossa dinâmica”.

Para combater rapidamente este mal, Chico iniciou a quimioterapia. “Foi-me recomendado um médico da especialidade de oncologia e começou os tratamentos”, explicou. “Tem sido todos os dias uma batalha. Está sempre perto de mim, sempre ao meu colo. Mesmo doente, não se isola, procura-me muito. E eu faço questão de estar muito com ele. Desmarco jantares, o que for preciso, porque àquela hora é a hora da medicação”.

A 6 de dezembro, Pedro e Chico passaram a contar com mais um elemento em casa: Amélia. E a gata fez muito bem ao residente felino mais velho, animando-o e trazendo-lhe alguma frescura.

Aquando da conversa com a PiT, Pedro Crispim explicou que os exames diziam que Chico estava a reagir bem à quimo e que não iria desistir dele. “Eles vão-nos dando sinais. Se um dia chegar esse dia, ele próprio me vai dizer”. E disse. Fica o amor, os momentos felizes e bonitos. Esses ninguém os pode apagar.

Percorra a galeria para ver a cumplicidade entre Pedro Crispim e o seu Francisco.

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