Família

Morreu Isabel II. Rainha de Inglaterra partilhava o trono com os seus Corgis

Teve mais de 30 cães ao longo da sua vida. Agora, deixa para trás Muick, Candy, e Lissy.
Desde os sete anos que a Rainha é apaixonada por Corgis.

A rainha Isabel II, que hoje morreu na Escócia, aos 96 anos, era uma apaixonada por cães.  Fazia gala disso e foram várias as fotografias que ficaram para a história, ao longo do seu reinado — o mais longo de sempre em Inglaterra, com 70 anos.

Durante anos, não só foi despedindo-se apenas de familiares como dos seus mais fiéis amigos de quatro patas. Aliás, foi neles que foi buscar refúgio quando o estado de saúde seu marido, o Príncipe Filipe, se agravou, tendo recebido mais dois cães, enquanto este estava no hospital. O marido haveria de morrer em abril do ano passado.

No mês seguinte, despediu-se subitamente de um dos cães, Fergus, assim batizado em homenagem ao seu tio, que morreu na II Guerra Mundial. Agora, são Muick, Candy e Lissy, os últimos patudos resistentes, que a veem partir.

Candy, um Dorgi, é a mais velha, com 10 anos. Já Muick, pronunciado Mick, foi adquirido juntamente com Fergus, apelidado para relembrar o lago escocês onde a sua família foi várias vezes captada a fazer piqueniques e a passear os cães. Finalmente Lissy chegou para quebrar regras, sendo a única cadela não Corgi ou Dorgi da família.

A Rainha Isabel II adotou em janeiro a Cocker Spaniel, uma cadela com muitos títulos na manga, tendo vencido 91.º Campeonato Kennel Club Cocker Spaniel, ficando também em primeiro no coração da figura real.

Desde pequena que Isabel II é fascinada pela raça Corgi.

O trono ainda não estava à vista, mas já tinha deitado o olho aos Corgis

Tinha apenas sete anos quando os Corgis lhe roubaram o coração e nem sonhava que eles iriam ser os seus mais fiéis companheiros durante o seu reinado. Mal viram os cães de uns amigos dos pais, ela e a irmã, a princesa Margarida, ficaram apaixonadas. O pai, que viria a ser o Rei Jorge VI, fez questão de cumprir o sonho das filhas

O insubordinado Dookie foi o primeiro a chegar, acompanhado de Lady Jane, que inspiraram o livro infantil “Our Princesses and Their Dogs”. Mas foi Susan, a cadela que recebeu no seu 18.º aniversário, a responsável pela linha de descendência com mais de 30 cães, a que se seguiram Sugar, Honey, Bee, Heather e muitos outros que a acompanharam durante os 70 anos em que se sentou no trono de Inglaterra.

A partir desse momento, a raça Corgi sofreu o chamado “efeito 101 dálmatas”. Qualquer pessoa queria ter um cão tão sofisticado como o da rainha e estes eram muito respeitados, fora e dentro do palácio. Aliás, apesar de o seu marido, Príncipe Filipe, andar ligeiramente atrás da rainha, os Corgis andavam pomposamente à frente da monarca, algo que a sua nora, a Princesa Diana, que morreu em 1997, chegou a descrever como “um tapete andante”.

O nascimento de uma raça

Quantos mais melhor e, por onde passavam Corgis, também passavam Dorgis, o mix entre Corgi e Dachshund. Tudo começou pelo acasalamento de uma das cadelas da Rainha com o cão da outra raça da sua irmã. Ao ficarem fascinadas com o bebé, decidiram continuar com a criação de Dorgis, tendo havido cerca de 10 ao longo dos anos. A mais recente é a cadela Candy, que agora se despede da sua tutora.

Além dos Dorgis, a Rainha também adotava os cães dos seus familiares falecidos, como foi o caso dos três Corgis que a sua mãe, Rainha Mãe, deixou para trás, em 2002, e Whisper, o cão de um falecido amigo e seu caçador, Bill Fenwick, que a ajudou durante cinco décadas com a criação de Corgis.

Sempre que os cães morriam, a Rainha lamentava a sua morte e guardava-os com carinho no coração e noutro canto especial de Inglaterra. O cemitério de Sandringham está repleto com lápides dos cães da monarca, acompanhadas de frases que descrevem “a companhia fiel” que lhe fizeram. Não é, contudo, certo que os 30 cães que passaram pelos braços de Isabel II estejam lá enterrados.

Duques e duquesas, os Corgis eram realmente figuras da realeza

À frente e atrás das câmaras, a Rainha não escondia o seu amor pelos seus cães, levando-os para todo o lado, aviões, barcos, comboios, qualquer meio de transporte onde andasse. Especialmente para esconder a sua timidez ou em momentos complicados. Segundo a autora real Penny Junor, a família referia-se a isso como “o mecanismo do cão”: “se a a situação ficar demasiado complicada, ela por vezes literalmente foge dela e leve os cães consigo”, explica.

Com tanta adoração por eles, não é surpreendente que fossem tratados como reais criaturas. Além de andarem à frente de Isabel II, os cães eram alimentados com refeições gourmet desenhadas por um chef com ingredientes frescos. Eram alimentados todos os dias às 17 horas e ainda tinham direito a um pouco de molho que a própria Rainha colocava para recompensar os seus Corgis.

Além disso, dos 775 quartos disponíveis no Palácio de Buckingham, um deles é destinado exclusivamente aos seus Corgi, “onde estão erguidas cestas de vime forradas com almofadas, para evitar as correntes de ar”, confirmou Penny Junor. Contudo, apesar do grandioso conforto, os cães sempre preferiram dormir junto da sua tutora no quarto privado da Rainha.

A família real britânica tem a obrigação de cumprir certas regras de etiqueta, mas tal não se aplica aos pequenos companheiros de quatro patas. Junto dos cães, só havia uma regra, a de não haver qualquer regra. Segundo Brian Hoey, um comentador da realeza e autor de diversos livros, na sua publicação “Not In Front Of The Corgis”, “ninguém está autorizado a levantar um dedo ou a voz a nenhum dos cães”. Desta forma, a Rainha dava-lhes permissão que fizessem todas as tropelias caninas e era por esse motivo que alguns funcionários levavam sacos de papel nas mãos, em caso de algum acidente.

No Natal, os Corgis têm recompensa especial. As típicas meias colocadas em cima da lareira chegam para todos, até para os amigos de quatro patas. As destes estão cheias de guloseimas e brinquedos, que os mantêm entretidos durante toda a consoada. Resta saber como serão os Natais a partir de agora…

Isabel II e Filipe adoravam os Corgi. Não se pode dizer o mesmo dos restantes membros da família.

Por uns eram acarinhados, por outros nem por isso

“Malditos cães, por que tens que ter tantos?”, reclamava o Príncipe Filipe para a rainha. Apesar de reclamar e de não ter especial adoração pela raça, era um grande companheiro da monarca durante as ‘cãominhadas’ O mesmo não se pode dizer das gerações seguintes…

“Ao longo dos últimos 33 anos, ladravam-me sempre. Esta entra e absolutamente nada. Só abanaram a cauda”, gozou o Príncipe Harry sobre a forma como os Corgis receberam a sua mulher, Meghan Markle, Duquesa de Sussex.

Apesar do afastamento do casal e da restante família real, há laços que não se quebram. Quando a Duquesa tomou chá com a Rainha Isabel II, os cães receberam-na com grande entusiasmo e até se deitaram aos seus pés: “Foi muito fofo”, contou.

Harry e Meghan expressaram recentemente o seu amor por cães ao adotar um dos quatro mil Beagles que foram resgatados de um canil. Mas o Príncipe não era o único por quem os cães da sua avó não nutriam especial simpatia. O seu irmão, Príncipe William, queixava-se do mesmo: “Sem dúvida que eu reclamaria da sanidade que é ter todos os Corgis a ladrar o tempo todo. Não sei como é que ela lida com isso”, dizia acerca da sua mulher, Kate Middleton, Duquesa de Cambridge.

Não é de estranhar a adoração dos cães por Kate, visto que o casal já se fazia acompanhar diariamente por Lupo, um Cocker Spaniel, que morreu a 22 de novembro de 2020. Este ano, também deram as boas-vindas a mais um membro da família. Orla, da mesma raça que Lupo, chegou em maio para presentear o sétimo aniversário da Princesa Charlotte.

Apesar de os irmãos não serem bem recebidos pelos cães, o mesmo não se pode dizer do seu pai. O Príncipe Carlos, Duque de Edimburgo, herdou não só o trono, como o amor da mãe pelos animais, tendo dois adoráveis Jack Russell Terriers, chamados de Bluebell e Beth.

A adoração por cães percorre toda a família real. Desde Labradores, a Norfolk Terriers, vários príncipes e princesas demonstram o seu carinho diariamente pelos seus patudos.

Percorra a galeria e veja algumas das icónicas fotografias de Isabel II com os seus cães.

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