Família

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Morreu Pingo, o cão comunitário de 22 anos que vivia numa bomba de gasolina

O cão passou 19 anos na bomba, onde conheceu quatro proprietários e novos clientes todos os dias.

Pingo acompanhou clientes e quatro proprietários diferentes da bomba de gasolina onde viveu, em São Paulo, Brasil. Os seus 22 anos de vida e os 19 que passou no local valeram-lhe um reconhecimento inesperado, quando a sua história viralizou na internet. No passado sábado, 21 de fevereiro, o patudo morreu “de velhice”.

A notícia foi adiantada esta segunda-feira, 23 de fevereiro, pelo G1, depois de confirmada por Ligia Pascuzzi, a médica veterinária que acompanhou o cão nos últimos três anos. Áurea Romano Borba, a cuidadora de Pingo, explicou que o patudo sofria com dores e que tinha dificuldade em levantar-se. “O remédio para dor crónica de coluna que ele tomava não estava mais resolvendo”, contou.

A tutora adiantou que o cão “sempre foi muito independente e essa dificuldade cada vez mais crítica deixava-o extremamente nervoso”. “Ele ficava muito agitado, o que piorava ainda mais a coluna na tentativa dele levantar. Ele nunca foi um cãozinho de reclamar, de chorar, mas começou a apresentar isso”, acrescentou.

A veterinária do patudo garantiu ao G1 que este “tinha uma genética ótima”, já que viveu tanto tempo sem doenças, mostrando apenas sintomas de senilidade e alterações físicas típicas do processo de envelhecimento.

Em maio de 2025 Pingo deixou o posto de gasolina onde era conhecido, passando a viver a tempo inteiro com a dona. “No começo, foi um pouco difícil a adaptação, por causa da liberdade que ele tinha no posto”, contou a médica, avançando também que o cão não gostava de partilhar o espaço com os felinos da tutora. Por isso, Áurea dedicou-lhe a área externa da casa.

Nos últimos meses, Pingo começou a receber cuidados paliativos devido ao desgaste da coluna e às alterações crónicas. “Fizemos um check-up de exame de sangue e tudo estava dentro do normal. Então, enfim, a gente está cuidando desse idosinho, que é uma caixinha de surpresa, né? A gente sempre fica na expectativa, né, porque, querendo ou não, é um cão realmente raro”, relatou a veterinária.

Da América do Sul à Europa, Pingo ficou famoso

Como a PiT já lhe contou, a história do rafeiro tornou-se viral graças a um vídeo partilhado no Instagram do grupo animal. Isabella Moura, uma artista plástica especializada em desenhos de animais, até chegou a fazer-lhe uma homenagem. Julio D´Auria, empresário e fundador do grupo Amigos dos Animais de Vinhedo, organizou uma exposição onde mostrava diversas artes de animais resgatados feitas por diferentes artistas. E no meio, estava Pingo.

“A Isabela pediu-nos uma ideia de que animal poderia desenhar e eu sugeri o Pingo”, recordou. “Enviei uma fotografia dele e ela fez o quadro que colocámos ao lado do Pingo na bomba.”

Muitas pessoas que conheceram a história tiveram pena do cão nunca ter encontrado um lar, mas a verdade é que o rafeiro escolheu aquele espaço para chamar de seu. E não queria sair de lá. Afinal, até tinha direito a ficar numa sala com ar condicionado nos dias mais quentes.

De seguida, carregue na galeria para saber mais sobre Pingo e o grupo Amigos dos Animais de Vinhedo.

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