Família

Nem parece que Morango foi mãe. Cadela e filhotes foram resgatados esqueléticos e sem pêlo

Pertenciam a um caçador e estavam cheios de sarna. Vão fazer um longo tratamento até serem colocados para adoção.
A cadela era "usada e abusada" para a caça e criação.

Todos os dias, as associações recebem denúncias de animais que foram mal tratados. Mas não é por isso que não deixam de ser difíceis de ouvir. Desta vez, a Ajuda a Alimentar Cães, localizada na Madeira, foi chamada para uma situação de perigo com uma cadela e os seus filhotes. Quando lá chegou, percebeu que a situação era bem pior do que o que tinha imaginado.

“Enviaram-nos uma fotografia de uma cadela sem pêlo, e nem sabíamos se tinha tutor, pois foi tirada na estrada. Achávamos impossível ela ter uma família”, começa por contar à PiT Mariana Nóbrega, 28 anos, presidente da associação.

Dirigiram-se logo ao local. Pensando tratar-se de uma cadela abandonada, vaguearam pelas estradas, ruas e andaram a bater à porta de vizinhos. “Ao mostrarmos uma fotografia aos moradores, disseram-nos que ela tinha família e indicaram-nos a casa. Quando vimos as condições deploráveis em que os animais viviam, decidimos imediatamente resgatá-los”.

Mariana e as restantes voluntárias depararam-se com uma cadela da raça Braco Alemão esquelética, num estado avançado de subnutrição, e sem pêlo. À volta dela, tinha diversos cachorrinhos da mesma raça, e havia algo que todos tinham em comum: coçavam-se constantemente.

Viviam em condições péssimas.

A cadela, que deve ter cerca de um a dois anos, e os seus bebés, que ainda não têm dois meses, tinham todos sarna, devido ao “local conspurcado, sem comida e sem água” em que viviam.

Vieram a descobrir que Morango, como lhe chamaram, e as suas crias pertenciam a um caçador. “Além de ser usada para caça, também é para criação. Usada e abusada”. Estes não eram os únicos animais deste senhor, e a associação apresentou queixa à Provedoria do Animal.

Apesar do trauma, Morango e os filhos “são bastante ternurentos”: “É incrível a capacidade de amar destes animais, mesmo quando são negligenciados pelos humanos”, confessa à PiT.

Agora, esperam-lhes um longo caminho de recuperação. Os animais sem pêlo e cheios de comichão “farão um tratamento demorado e dispendioso de seis semanas”. “Eles têm muita força e, com a ajuda de todos, vão ficar bem”, assegura a presidente.

Por enquanto, não podem ser adotados, mas a associação já está à procura de uma família para Morango. “Assim que estiver tratada pode ir para o seu novo lar”, remata.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Morango e dos seus filhotes.

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