Família

Nita foi espancada, estava grávida e perdeu dois bebés. Agora tenta ser feliz

A meiga cadela entrou em trabalho de parto após ser agredida, em Lindoso. Ainda tem dois filhos vivos e precisam de acolhimento.
Já anda, mas a custo.

Há animais cuja história parece ser apenas deles. Não têm com quem a partilhar e sobrevivem sozinhos, da melhor maneira que sabem e podem. Vagueiam pelas ruas, tentando alimentar-se, mas são invisíveis aos olhos de quem passa. E por vezes, quando alguém repara neles, não é para lhes fazer bem. Foi o que aconteceu a 11 de fevereiro a uma jovem cadela em Lindoso, no concelho de Ponte da Barca – distrito de Viana do Castelo, que foi violentamente espancada e quase perdia a vida.

Daniela Alex, protetora da causa animal que vive em Matosinhos – distrito do Porto –, foi contactada pelo veterinário municipal de Ponte da Barca quando este soube de uma cadela prostrada, com bebés ao lado, acabados de nascer, perto do Castelo de Lindoso, e com sinais de agressão. Apesar de estar longe, esta cuidadora desloca-se frequentemente a Ponte da Barca para tratar dos animais errantes e de situações urgentes, pelo que foi o nome que acudiu de imediato à mente de quem procurava uma solução.

“Provavelmente foi mais uma abandonada por não servir para a caça, dado ser Podengo. Um morador de lá contactou o veterinário municipal, que por sua vez me ligou para saber da minha disponibilidade para a recolher – caso contrário ficava lá”, explica Daniela à PiT. Estávamos a 14 de fevereiro e a patuda estava muito debilitada, não só pela agressão mas também por ter estado vários dias sem comer. Estava também com febre e “carregada de pulgas e carraças”.

A cadelinha não podia ficar ali. Por isso, Daniela apressou-se a tentar agilizar uma solução. “Fiz um apelo no Facebook e obtive resposta do Hélder e do Ivan – que são de Guimarães e Lindoso, respetivamente. Foram buscá-la e deixaram-na no Centro Veterinário de Ponte da Barca, à minha responsabilidade”, conta a protetora de Matosinhos.

Com ela estavam seis bebés acabados de nascer, pelo que a jovem cadela terá dado à luz imediatamente após o espancamento. Dois tinham nascido mortos – e Daniela crê que terá sido da agressão. Os outros quatro estavam vivos, mas dois acabaram por não sobreviver. “Pelo caminho suspeitaram que teria o maxilar partido, mas felizmente veio a verificar-se que afinal era um osso que estava encaixado na parte de trás do maxilar e não a deixava mover a boca”, diz Daniela, com alívio.

Quanto ao agressor, talvez nunca se saiba o nome. “Ela foi agredida, mas ninguém quer dizer quem foi. Dois bebés nasceram mortos, provavelmente por causa da agressão, e dois acabaram por morrer na sexta-feira, 16 de fevereiro, porque estavam muito fraquinhos”, lamenta a protetora. Quanto aos restantes filhotes, a esperança mantém-se. “Os outros dois, que têm agora cerca de uma semana, parecem determinados a sobreviver e estão, aparentemente, muito saudáveis”.

Nita merece ser feliz e nunca mais ter medo

Daniela, que pediu ajuda à PiT para contar a sua história, no mesmo momento decidiu-se pelo nome, batizando-a de Nita – “é NiTa de Anita e de NiT”, explicou. E agora a esperança é que esta jovem Podenga venha a ter um futuro feliz. Mas há ainda um caminho de recuperação, tanto física como psicológica, a percorrer.

“O corpo dela é basicamente uma grande nódoa negra. Está repleta de hematomas. Tem uma contusão pulmonar gigantesca também, mas tem comido bem e o leite começa a ser mais abundante. Ainda não consegue caminhar com passo firme, não se aguenta bem em pé e acaba por ziguezaguear um pouco. No entanto, como está a evoluir, o veterinário responsável acha que ela estaria melhor numa casa a recuperar do que na clínica”, sublinha a protetora.

Nas primeiras horas na clínica, Nita queria dar de mamar aos seus bebés, mas não conseguia sozinha. Mas, com a ajuda dos veterinários, que aproximavam os filhotes das suas maminhas, foi capaz. E agora, para poder descansar melhor, tem-se sido retirado o leite, que é dado aos bebés num biberão. O pior parece já ter passado e Nita sente-se finalmente em segurança. Mas precisa do amor e do carinho de um lar, onde as mãos sejam sinónimo de afago e não de agressão. Estará alguém, desse lado, disposto a acolhê-la e aos dois rebentos?

Quanto ao internamento, a câmara municipal assegura o pagamento até 250€ e o restante valor que possa ser necessário terá de ser Daniela a suportá-lo. E por já ter “lotação esgotada”, esta protetora pede ajuda a quem possa receber em casa a jovem mamã e os dois filhos. “Se não existir infeção, não há motivo para ela ficar mais tempo na clínica. O que ela precisa é de conforto e cuidados numa casa. É urgente encontrar-lhes uma família de acolhimento temporário (FAT)”, apela.

Uma casa para Nita e os seus dois filhotes

Agora que está a evoluir bem, aquilo de que Nita precisa é de um espaço em ambiente familiar “Preciso muito procurar uma FAT para esta mamã e os dois bebés até à adoção de todos – se tudo correr bem, estamos a falar de cerca de três meses. Eu encarrego-me da ração e gastos extras no veterinário. Infelizmente tenho dezenas de animais resgatados e não tenho onde os colocar”, lamenta a protetora de Matosinhos. Se puder acolhê-los, basta contactar a Daniela (916 462 999) – que pode levá-los a qualquer local daquela zona ou do Grande Porto.

Daniela – que criou uma página no Facebook para a sensibilização da situação animal em Ponte da Barca, já que não existe associação na zona –, conta com o bom coração de quem possa ajudar. Para que a Nita esqueça todo o mal que lhe fizeram e veja os filhos crescerem bem e rodeados de amor.

Percorra a galeria para ver algumas fotos desta Podengo meiga e dos seus bebés. E se puder, acolha-os e conte com a eterna gratidão destes lindos patudos.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT