Família

Nuno Markl recorda a morte da cadela Uva: “Deu o suspiro mais longo que ouvi na vida”

A patuda ficou oito anos com o comunicador, após ter sido maltratada e servido como "pontaria com chumbinhos".
Markl foi o convidado do novo episódio do podcast PiT Stop.

É difícil pensar em Nuno Markl sem imaginar risos e gargalhadas à mistura. São raras as vezes em que o comunicador de 52 anos aparece sem estar completamente alegre e bem-disposto, e é complicado atribuir-lhe dias maus. Mas o da morte de Uva foi, “sem dúvida”, um “dos mais pesados e tristes” da sua vida.

Ainda que a cadela tenha partido em 2020, depois de ter passado os últimos oito anos da sua vida ao lado do autor da rubrica da Rádio Comercial “O Homem que Mordeu o Cão”, não deixa de trazer muita saudade. Especialmente pela personalidade que manteve, mesmo depois de ter sido torturada: “Alguns animais guardam o trauma durante muito tempo, mas a Uva, não. Foi daqueles casos em que foi agredida em que lhe foi feita pontaria com vários chumbinhos, e, no entanto, só tinha amor para dar e receber”, recordou.

Nuno Markl foi o convidado desta semana do PiT Stop, o podcast da PiT em que os animais de ilustres personalidades portuguesas são os protagonistas. Foi com a alegria habitual que entrou no estúdio da NiTfm e foi com ela que se manteve ao longo de todo o episódio, à conversa com Nuno Azinheira.. Mesmo quando relembrou o dia em que perdeu Uva.

“Eu estava sozinho em casa e lembro-me que ela não parava de andar atrás de mim. A subir escadas, mesmo quando já não tinha força para isso. Eu só dizia: “Pára sossegada e vai para o sofá”. A cadela sem um olho e com os dentes de fora já se encontrava num estado debilitado e tanto o humorista, como o filho Pedro, que atualmente tem 15 anos, sabiam que o fim estava para breve. Mas houve algo que deu uma pista a Markl sobre quando seria.

“Percebi que ela estava mesmo mal quando recusou a sua guloseima favorita”, uma “lata de manjar gourmet” que fazia bastante sucesso em sua casa. “Pensei: ‘Isto é estranho, porque ela nunca recusa’. Minutos depois, virou costas, deu meia dúzia de passos até à sala, deitou-se e deu o mais longo suspiro que alguma vez ouvi um cão dar na vida. E morreu ali”.

Durante oito felizes anos, Uva foi uma Markl.

O “anormal ronco” de Uva deu a garantia a Markl de que ela tinha partido. Já Flor, a sua companheira, que já está com 13 ou 14 anos, precisou de mais tempo para perceber que ela tinha mesmo ido embora. “Sempre que eu saía com a Uva para ir passear — não conseguia levá-las ao mesmo tempo, pois era muito complicado —, a Flor ficava em casa a uivar. Por isso, quando peguei no corpo da Uva para a levar ao canil, para ser cremada, pensei se ela ia fazer o mesmo”, explicou.

“Mas não. A Flor ficou apreensiva e percebeu que se passava alguma coisa, mas ficou com uma certa esperança de que a Uva ainda voltasse”. Além do olhar triste com que encarava os donos, a cadela, que foi resgatada na Avenida Marginal, em Cascais, pela ex-mulher de Markl, Ana Galvão, uma das “Três da Manhã” da Rádio Renascença, passava horas junto ao portão de casa, a “espreitar por uma frinchinha a ver se ela voltava”.

Uva não voltou, mas chegou Chiclete, a pedido do filho de Markl, para importunar a vida de Flor: “Ela ficou muito irritada com o ser pequeníssimo que lhe dava dentadas nos calcanhares, com aqueles dentinhos de cachorro. Foi duro”. A mais nova do amante de animais é um sucesso nas redes sociais e chegou até a ser eleita como a cadela mais fofa dos famosos, pelos leitores da PiT.

Já Flor não era grande fã da cadela e teve mesmo de aprender a gostar dela. Hoje, são inseparáveis, até certo ponto… “A Chiclete consegue ser muito chatinha e a Flor já não tem idade para certas coisas. Então, por vezes, vira-lhe o dente e a Chiclete vem ter comigo a chorar. Se ela falasse, era quase como se dissesse: ‘Ela foi má para mim'”, riu-se Markl.

Ouça aqui o episódio na íntegra.

Camarada mostrou logo os seus ideais: ou vão todos, ou não vai nenhum

Markl dá o nome por muitas campanhas contra o abandono de animais e contra os maus-tratos. E, apesar de não discriminar quem compra animais, até porque “se eles estão à venda, também têm direito a ter uma casa e não têm culpa da especulação que existe à volta dos preços”, não deixa de preferir a sensação de adotar um.

“É uma coisa tão pura e boa irmos a um refúgio, onde estão cães que foram abandonados e encontrados em situações miseráveis, e trazer um desses, de borla e completamente grátis, para lhe dar um teto e felicidade”, descreveu. E esta “coisa favorita” de Markl não é recente. Desde pequeno que o comunicador está habituado a amar cães rafeiros.

Os primeiros apareceram-lhe quando estava de férias com a família na sua “segunda terra”, em Vila do Conde, cidade no distrito do Porto: “Um cão vadio veio ter com a minha família e os meus pais ficaram tão sensibilizados pela sua presença que pensaram: ‘Vamos ter o de levar connosco para Lisboa'”.

 

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Além de esse ter sido o primeiro dia em que se cruzou com um cão de rua, foi também aquele em que aprendeu que eles são mais espertos do que aparentam: “Parece que ele ouviu aquelas palavras, porque desapareceu algumas horas e voltou com o seu melhor amigo. Foi quase como se tivesse ido dizer: ‘Olha, esta malta é boa. Se eu for, és capaz de vir também'”, riu-se.

Os seus nomes? Markl recorda-se bem: “Quando eu disser, vais perceber que isto se passava no tempo do PREC (Processo Revolucionário em Curso, que decorreu entre março e novembro de 1975). É que o meu pai era militante do Partido Comunista Português“, garantiu ao apresentador do PiT Stop e diretor da PiT. “Chamavam-se Boris e Camarada”, encheu-se de gargalhadas.

O comunicador rematou, apelando aos ouvintes da PiT para não abandonarem animais nesta altura de férias, deixando uma sugestão que Flor e Chiclete adoram: Dá-me Trela é a creche canina em Campo de Ourique que até mete os animais a fazer “ginástica”.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Markl com as suas cadelas.

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