Família

O amor de Cinha Jardim pelos animais: “Dormia no meio da porca e da cadela”

Dá pão de ló à porca Pepa, e os cães comem com ela à mesa. A socialite trata os animais como elementos da família.
Cinha e Juanita eram inseparáveis.

“Quem não gosta de animais não é boa pessoa”, foi esta a resposta de Cinha Jardim ao comentário polémico do seu amigo Cláudio Ramos sobre cães serem cães e filhos serem filhos. E não foi apenas nessa situação que a socialite e comentadora do Big Brother na TVI mostrou o seu amor pelos bichos: desde pequena que os trata como elementos da família.

A cadela Juanita e a porca Pepa que o digam. Uma de cada lado, passavam a noite ao lado da tutora, pelo menos era o que pensavam. Para não haver discussões, visto que “quando estendia o colchão no chão, rosnavam uma à outra”, Cinha Jardim, 65 anos, dormia no meio de ambas. “A meio da noite, quando elas dormiam, lá ia eu para a minha cama e elas ficavam o resto da noite uma ao lado da outra”, conta, divertida, à PiT.

Juanita era uma “cadela transformada em pessoa”. “Toda a gente me diz que, a ela, só lhe faltava falar”. Numa visita à Madeira, a “tia Cinha”, como é carinhosamente tratada, conheceu a Boxer branca surda, que lhe conquistou o coração de uma forma que nenhum outro animal o tinha feito: “Gostei dela como não gostava de um cão há muito tempo”, confessa.

Eram a companhia uma da outra para quase tudo: iam ao cabeleireiro juntas, a eventos e até à televisão. E, em casa, não era diferente. Dormiam na mesma cama e tinham as refeições juntas à mesa, como contou Claúdio Ramos na crónica social do programa matinal da TVI “Dois às 10”: “Fui jantar a casa dela e estava um prato a mais na mesa”.

Inicialmente, o apresentador do formato pensou que uma das duas filhas da amiga, Catarina, mais conhecida como “Pimpinha”, ou Carolina, mais conhecida como “Isaurinha”, se pudesse juntar a eles, mas não foi isso que veio a acontecer. Juanita até comia de colher e garfo, com a ajuda de Cinha, claro, e a dona confirma que “nunca ninguém se tinha queixado”.

“Foram 12 anos de paixão” com a “cadela que encarnou uma pessoa”, e Cinha Jardim não consegue conter as lágrimas ao falar da sua companheira. Juanita morreu em 2015, na sequência de um tumor e a tutora despediu-se comoventemente da cadela, através de uma publicação nas redes sociais: “Ao longo do tempo as pessoas conheciam-me pela Boxer branca que andava comigo, que fazia parte de mim, da minha família e que amava quase como se fosse uma filha”, escreveu.

Apesar do enorme desgosto que a partida de Juanita lhe provocou, Cinha sabe que lhe deu a melhor vida que podia ter tido: “Reconheço que tratei da Juanita como eu gosto de tratar dos animais. E não me arrependo de nada”, afirma à PiT. Aliás, era tão especial na vida da sua dona que chegou a protagonizar o livro infantil que escreveu em 2012, “Kiko e Juanita ajudam Ralph“, que conta a história da forma como a Boxer dá apoio a um cão maltratado que encontrou na rua.

Não há dia que passe que não se lembre da adorável cadela, e isso também se deve ao facto de ter uma “cópia” em casa, como a própria diz. Os Boxers nunca a abandonaram. Desde pequena, quando ainda vivia em Moçambique, que está habituada a ter cães desta raça. Agora, cuida de duas: Lua e Olívia, cadela de Isaurinha, que está em lua de mel, após se ter casado no passado dia 6 de setembro.

Além das duas, tem uma pequenina que não larga o seu colo. Migalha, uma Jack Russell, chegou a casa da comentadora há dois anos e dali nunca mais saiu: “Era de uma amiga minha que me pediu para ficar com ela por uns tempos. Acabou por ficar cá um ano e já não quis ir embora”. Cinha descreve o choro de tristeza da cadela quando a dona a foi buscar, mas, após tanto suplicar, acabou por regressar para os seus braços.

Faz o mesmo com Lua, Olívia e Migalha que fazia com Juanita, levando-as para todo o lado. Só não consegue estar tão à vontade com elas, pois ainda são pequenas e não têm a mesma plenitude que a Boxer surda tinha, que mal ladrava.

E não pense que são apenas os amigos caninos a ter essa vida social. Cinha nunca deixou ninguém de parte, incluindo a sua porca Pepa, que chegou inclusivamente a levar para o “Big Brother VIP”, programa em que participou em 2013.

Já tinha tido porcos, mas não se fazia uma aficionada pela espécie. Isso foi até integrar o reality show da TVI “Quinta das Celebridades”, em 2004. Aí, apaixonou-se pela porca Camila e fazia questão de passar o máximo de tempo que podia com ela: “Era uma adoração mútua. Eu é que tratava dela, soltava-a e passeava-a”, recorda à PiT. Quando saiu da quinta, ficou com ela durante quatro anos, até que teve que a colocar numa quinta pedagógica.

Com falta do amor que a porca lhe dava, procurou outro animal que pudesse adorar ainda mais, e, de preferência que fosse mais pequeno. Os mini pigs eram a solução perfeita, e foi a porquinha rosa e com uma mancha no nariz que piscou o olho a Cinha.

Cinha escolheu Pepa pela mancha que tinha no nariz.

Chamou-lhe Pepa e levou-a para casa, tornando-se no alvo principal dos ciúmes de Juanita. No entanto, depois de noites tão relaxantes a dormir ao lado uma da outra, acabaram por se tornar grandes amigas. Aliás, até se percebiam muito bem: “A Pepa não grunhia, como os outros porcos. Ela rosnava, pois sempre esteve habituada a conviver com cães”.

Ia para todo o lado, porque o seu tamanho assim o permitia. Mas a verdade é que cresceu, de amor, mas também de peso. Algo que impossibilitou a que pudesse ficar com ele quando mudou de casa.

Teve que a colocar numa quinta pedagógica, o Cantinho dos Póneis, mas não foi por isso que a deixou de visitar: Aliás, ainda hoje arranja todos os pretextos para o fazer. Cada visita a Pepa tem um extra: “Vou lá muito frequentemente, porque, ainda por cima, fica ao lado da casa do Marco Paulo. Por isso, sempre que o vou visitar, vou à quinta, e vice-versa”, ri-se.

E Pepa adora quando a sua dona lá vai. Especialmente pelo que traz para comer: “Eles comem tudo, mas há algo diferente com o pão de ló. Eles riem-se de contentamento”. Sempre que lá vai, Cinha não se esquece do pão de ló. Se bem que a melancia também faça muito sucesso.

Cães e porcos não são a sua única paixão

“Há algo dentro de mim que os animais adoram e sentem que eu também gosto deles”, reconhece. Não sabe se é o cheiro ou apenas a forma de ser, mas Cinha confessa que o seu amor pelos bichos é intuitivo mal a veem. Talvez seja essa a razão que a levou a estar sempre rodeada deles, desde que se lembra de existir.

“Em Moçambique, tínhamos de tudo: galinhas, patos, porquinhos e até cobras” e muito era devido à “tia”. Com uma família grande, sendo a oitava de 12 irmãos, achava sempre que havia espaço para mais um. Foi assim que adotou Beira, uma cobra cujo nome remete para o local onde nasceu.

“Fartaram-se de partir pratos, travessas, a loiça toda quando a levei para casa”, ri-se. No entanto, ninguém lhe tirava a pequena cobra de estimação, especialmente o pai que adorava vê-las juntas.

Mais tarde, Beira hibernou e Cinha nunca mais a viu. Mas o destino encarregou-se de lhe trazer outro réptil, anos mais tarde. E foi Juanita que o impulsionou.

Um dia banal em que foi comprar ração para a sua Boxer, entrou numa loja de animais. No meio de peixes, lagartos e outros animais exóticos, estava lá uma família de cobras que chamou a atenção de Cinha. Pegou em várias e colocou-as ao pescoço e nos pulsos, mas houve uma que, apesar de não ser muito sociável, ganhou o favoritismo da socialite, uma rei da Califórnia. Contudo, pertencia ao proprietário da loja, Pedro, e, por muito que Cinha tivesse pedido para a levar para casa, ele não deixava.

Cinha Jardim adorava pregar partidas com Pedrita.

Passado algum tempo, houve uma chamada que mudou tudo. Pedro tinha morrido em resultado de um acidente de viação. A sua família queria desfazer-se da loja, mas sabia o significado que a pequena cobra tinha para ele: “O Pedro falava muito em casa do quanto eu gostava da cobra e eles acharam que era eu que devia falar com ela”. E assim foi, Cinha levou-a para casa e batizou-a de Pedrita, em homenagem ao seu dono.

Juntas viveram belos momentos, alguns protagonizados pelos sustos que a “tia” provocava a outras pessoas: “Levava-a ao pescoço e as pessoas achavam que era um colar, por isso assustavam-se”. Cinha conta, ainda, um episódio que viveu no cabeleireiro com a sua Pedrita: “Tinha-a ao pescoço e ninguém tinha reparado nela. Quando o meu cabeleireiro me começou a secar o cabelo, ela mexeu-se e eu só ouviu um berro e tudo a cair. As outras funcionárias fizeram o mesmo. Mas quando se aperceberam que era a minha cobra, reagiram normalmente, pois já a conheciam”, goza.

Pedrita acabou por morrer ao fim de cinco anos, devido à doença das aftas, mas “ainda foi muito tempo para brincadeiras e ternura”, confessa.

Cinha Jardim não perde uma oportunidade de estar com os seus animais e de partilhar a sua energia com os outros, levando-os até para a televisão. Assume que os trata como filhos, “agora netos”, e não se arrepende, pois cães, gatos, porcos, cobras, o que for, fazem mesmo parte da família. E a comentadora remata ainda que “a troca e a dedicação que têm para os seus donos são de uma lealdade inexplicável”.

Carregue na galeria para ver alguns momentos de Cinha Jardim com os seus animais.

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