A Aurora esteve quase a ser uma loja de bagels. Era essa a ideia inicial de Miguel Costa, antes de o projeto crescer e ganhar uma carta com brunch, sanduíches em pão Hokkaido e propostas para o almoço. A mudança aconteceu porque o Vila Catarina Luxury Apartments, instalado no mesmo edifício da Rua de Santa Catarina, precisava de um espaço para servir os pequenos-almoços aos hóspedes. O responsável pela gestão do projeto viu aí a oportunidade de criar um café que não servisse apenas quem estava de passagem pelo Porto, mas que também fizesse parte da rotina de quem vive e trabalha na cidade.
O café foi inaugurado oficialmente a 22 de setembro – apesar de estar a funcionar em soft opening desde junho – e veio dar um novo uso a um edifício com história. Durante décadas, foi ali que funcionou o Tribunal de Pequena Instância Cível do Porto.
O nome acompanha a função que deu origem ao espaço. Aurora é a deusa romana do amanhecer e evoca o início do dia, quando chegam os primeiros pedidos de café e pequeno-almoço. “Queremos sempre associar o Aurora ao dia, não à noite”, explica Miguel. Mesmo depois de a carta ter crescido para incluir brunch e almoços, essa ideia continua a orientar o conceito.
A decoração tem uma parte assumidamente pessoal dos proprietários do imóvel, que foram reunindo objetos e referências em feiras e lojas de diferentes cidades, como as cadeiras ou o candeeiro. Em vez de reproduzir ali um conceito de padaria e café que tenha conhecido fora de Portugal, procuraram juntar essas memórias num espaço com ambientes distintos. O projeto de arquitetura e interiores teve o apoio de Alexandra Coutinho, da Pedra Líquida; Susana Almeida, da Nonverbal Club, desenvolveu a identidade visual e o teto revestido de azulejos que se destaca à entrada.
A Aurora tem 16 lugares sentados no interior, onde o balcão e as prateleiras com produtos para venda fazem parte da experiência: tanto exibem produtos que se podem levar para casa como ajudam a construir o ambiente do espaço. Quem quiser ficar mais resguardado pode seguir até ao bar junto à piscina do Vila Catarina, aberto também a clientes que não estão hospedados. Esta zona tem uma esplanada com mais 16 lugares, pensada para uma pausa longe do movimento da rua.
Nas prateleiras, a ideia é dar a conhecer outras marcas portuguesas, com uma seleção de produtos que vão das conservas, desde 4,85€, aos azeites da Acushla, a partir de 20,90€, e às compotas da Ti Maria do Rei e Beirabaga, desde 4,50€. Também há massas da Emiglia, pão, vinhos e bolachas, numa pequena mercearia onde se podem descobrir projetos do Porto e de outras regiões do País. Sonya quer continuar a apostar nesta seleção de marcas locais e nacionais, para que a Aurora seja também uma montra para produtos que vão além daqueles que são usados na cozinha.
A carta reúne opções para diferentes momentos do dia, desde ovos, panquecas e bagels a sanduíches e pratos mais compostos. Os bolos, pastéis de nata e outras preparações são feitos no próprio espaço.

Miguel era chefe de cozinha para os eventos do grupo Euskalduna, e estava a pensar mudar de rumo profissional quando recebeu o convite para assumir a gerência da Aurora e ajudar a preparar a abertura. A experiência anterior deu-lhe conhecimentos tanto da cozinha como do funcionamento de um restaurante, mas acredita que o mais importante é a forma como os clientes são recebidos. “Acho que as pessoas têm de se sentir confortáveis”, resume.
É possível testar essa ideia com uma visita curta: um espresso custa 1,35€, a torrada de pão de massa mãe com manteiga e compota 4,50€ e o pão de queijo prensado com queijo coalho 6€. Quem preferir sentar-se para um pequeno-almoço mais composto pode pedir ovos preparados a gosto (6€), omelete de queijo, fiambre e tomate (8,50€), ovos benedict com pastrami (10€) ou shakshuka (12€). As rabanadas com requeijão, bacon e ovo custam 8,50€ e as panquecas começam nos 6,50€.
Os bagels sobreviveram à transformação do conceito. A versão com salmão fumado, molho de iogurte, pepino e cebola roxa custa 10€. A carta inclui ainda um croissant com ovo e bacon (9€), focaccia com presunto, rúcula e requeijão (12€) e hambúrguer com cheddar, pickles, bacon e batata chips (12€).
As três sanduíches criadas para a casa chamam-se Auroras e são feitas em pão Hokkaido. A de pastrami custa 14€, a de mortadela trufada 13€ e a de beringela 11€. Para acompanhar há café de especialidade, cappuccino (3,20€), matcha latte (4,50€), limonada (2,80€) e kombucha (3,50€). A salada César (12€) e a de pêssego grelhado, rúcula, espinafres e caju (10€) dão outras opções para uma refeição.
É precisamente a hora de almoço que Miguel quer desenvolver agora. A intenção é criar sugestões diárias que mudem com os ingredientes disponíveis e deem alternativas a quem trabalha no Porto. O responsável aponta ravioli, arroz negro, saladas de massa fria ou quinoa e sopas como creme de cenoura assada e de ervilhas com hortelã entre as propostas em preparação. A estimativa partilhada pela equipa para uma combinação de prato, bebida e café é de cerca de 12€; os pratos dessa nova oferta poderão variar de dia para dia.
“Acho que a restauração existe para restaurar as pessoas”, afirma Miguel. Dá o exemplo de uma cliente que já passa diariamente vinda da Ribeira para tomar uma meia de leite e levar um croissant. É um gesto pequeno, mas aproxima a Aurora do papel que o gerente lhe quer dar: um café onde os hóspedes descubram a cidade e onde os portuenses tenham vontade de voltar.
O gerente acredita que esse contacto diário é especialmente importante nesta parte de Santa Catarina, próxima do Marquês. “As pessoas aqui sentiam falta de projetos como este”, diz. “Acabam por atrair mais público e dar outra dinamização à área.”
O novo espaço é “totalmente pet friendly”, quer no exterior, quer no interior. “Sim, os animais são muito bem-vindos, como parte integrante da família”, confirmou a PiT junto do estabelecimento.
Carregue na galeria para conhecer a nova bakery cool do Porto.








