Família

O novo espaço em Benfica que junta tatuagens e fotografia foi inspirado numa cadela

Há quadros a decorar as paredes, vários estilos de desenho e editoriais a ganhar vida. Neste espaço, só trabalham mulheres.
O estúdio tem três artistas residentes.

Quando tinha 12 anos, Derik Spiguel passava horas a ver documentários no Discovery Channel. As imagens de animais e paisagens exóticas foram o ponto de partida para que o artista, de 29 anos, se apaixonasse pela fotografia. Só mais tarde é que se virou para a moda.

No entanto, o sonho foi sendo adiado. Como o jovem vivia no estado de Minas Gerais, no Brasil, não encontrou condições para se lançar profissionalmente. Em 2012, decidido a trabalhar atrás da câmara, veio para Portugal e juntou-se a vários familiares que já tinham atravessado o Atlântico.

“Comecei a acompanhar um amigo que fazia a cobertura de concursos de beleza. Como já tinha uma máquina, chamou-me porque precisava de um assistente”, conta. Desde então, o seu portefólio foca-se em retratos de pessoas ou animais, eventos ou editoriais de moda.

O Greyhound Studio, inaugurado em novembro, junta as duas paixões do fundador. No mesmo espaço, que é também pet friendly e que abriu portas no bairro de Benfica, em Lisboa, há uma área dedicada à tatuagem e uma zona que funciona como um estúdio de fotografia. Pelo meio, as paredes são decoradas com várias obras de arte.

“Com o passar do tempo, percebi que normalmente são duas formas de arte que unem muitos artistas. Têm o mesmo objetivo: guardar memórias”, diz. “Sempre imaginei que podia ligar as duas, porque ainda não é uma junção muito aproveitada no meio.”

É na mezzanine da loja com 398 metros quadrados, que as três tatuadoras residentes trabalham. A brasileira Paula Razera, a portuguesa Petra Anne e a ucraniana Ada Shvetz distinguem-se, respetivamente, pelos estilos old school, oriental e blackwork.

“Fiz uma pesquisa na Internet e selecionei todas as pessoas que me chamaram à atenção. O principal critério era colocar apenas mulheres”, explica. “Mesmo sendo homem, prefiro ser atendido por elas. E muitas clientes partilham esse sentimento: onde há homens, não se sentem tão confortáveis.”

O caminho até ao estúdio fotográfico faz-se através da receção, com direito a uma galeria pelo caminho. “Podemos alugar a área para fotógrafos que ainda não têm onde trabalhar. Sei que é complicado porque antes de abrir este espaço, nem sempre podia aceitar trabalhos que exigiam algum tipo de atelier.”

Todas as divisões partilham a mesma decoração clara, minimalista e luminosa. Os únicos apontamentos de cor surgem das plantas espalhadas, de alguns móveis vibrantes ou das telas que Derik colocou — e vai continuar a acrescentar — nas paredes. O fundador é foi também responsável por toda a decoração.

“Soube logo que não queria colocar muitas coisas escuras, porque fica um espaço muito sufocante. E, como é muito grande, não ia ser um local onde as clientes podiam entrar e sentir-se confortáveis”, acrescenta.

Se for fã de animais, pode ter sorte e cruzar-se com o galgo inglês (ou seja, Greyhound) do fundador, que inspira o nome do salão. Derik adotou Cleópatra em 2020, durante a pandemia, e desde então tornou-se a sua principal companhia. Curiosamente, o fundador já tinha uma loja de animais.

Como o estúdio é tão grande, há ainda espaço para receber novos tatuadores. “Enquanto não encontrar mais artistas, vou usá-la para organizar eventos de arte. Os convidados podem fazer pinturas ou esculturas para fazer uma exposição nas paredes em branco.”

Ao mesmo tempo, o Greyhound vai receber concertos de jazz uma vez por mês. Estes espetáculos, dedicados aos clientes ou a quem acompanha os grupos, são uma forma de trazer outra vertente além da fotografia e da tatuagem. “É, acima de tudo, um espaço artístico”, conclui.

Carregue na galeria para ver mais imagens do novo estúdio em Benfica.

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