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ONU reforça proteção de 40 espécies migratórias em perigo de extinção

Através da Convenção das Espécies Migratórias, 132 países e a União Europeia comprometeram-se a proteger estes animais.

A morte de Hedwig na saga Harry Potter deixou os fãs destroçados. Ao longo da história, a Coruja-das-Neves que acompanha o protagonista tornou-se num exemplo do encanto que estes animais podem despertar e, no final do mês de março, foi com o mesmo respeito pela espécie que esta recebeu um novo estatuto para a sua preservação, na Convenção para a Conservação das Espécies Migratórias da ONU,

O congresso aconteceu entre os dias 23 e 29 de março, no Brasil, em Campo Grande e incluiu 40 novas espécies no acordo de proteção internacional.

O evento contou com a participação de 133 entidades — 132 países e a União Europeia, e resultou em 16 novas ações de cooperação e 39 resoluções que deverão ser postas em prática por todas as nações que ali estiveram presentes, explica a agência Brasil. João Paulo Capobianco, presidente da reunião, adiantou que estiveram presentes “os maiores especialistas em aves mamíferos, insetos”. “Todos muito envolvidos nos debates que ocorreram ao longo da semana”, acrescentou.

A lista de espécies aprovada inclui a Coruja-das-Neves, o Maçarico-de-Bico-Virado, que percorre 30 mil quilómetros todos os anos ao longo do continente americano, o peixe Surubim-Pintado, o pássaro Caboclinho-do-Pantanal e a Lontra-Gigante.

A Convenção tem um caráter jurídico vinculativo, o que quer dizer que os países têm uma obrigação legal para com a proteção das espécies ameaçadas de extinção. O facto passa pela conservação e restauração dos seus habitats, pela minimização de obstáculos aos movimentos migratórios e pela colaboração para alcançar a preservação.

O relatório publico do evento constata que cerca de 49 por cento de todas as espécies consideradas durante o seu decorrer apresentam tendências de declínio populacional. Destas, cerca de um quarto sofre ameaça de extinção.

Outro relatório, publicado na semana anterior à reunião, alertou para o colapso das migrações essenciais para a sobrevivência das espécies aquáticas, provocado pela degradação dos habitats naturais, pela sobrepesca e pelas barragens. 

Lula da Silva, presidente do Brasil, pronunciou-se sobre a convenção, afirmando que “proteger esses animais é proteger a vida do planeta”, e que esta tem “uma mensagem simples, mas poderosa: as migrações são naturais”. “Ao atravessar os continentes e ligar ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece fronteiras entre Estados”. 

Carregue na galeria para conhecer algumas das espécies abrangidas pela convenção.

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