“Os anos passam, a tecnologia e inteligência artificial evolui – e com ela alguns países. Por aqui continuamos a assistir a uma necessidade sádica do ser humano em rebentar coisas para festejar. Como se a alegria tivesse obrigatoriamente de passar pelo barulho, pela explosão e pela tentativa infantil de fazer mais ruído que a cidade do lado, numa competição absurda que, entre o Terreiro do Paço e Cacilhas, mais parece uma medição de egos do que uma celebração”. É assim que João Molinar, tutor de Pó d’Arroz, inicia uma reflexão sobre o lançamento de fogo de artifício e o efeito nocivo que isso tem nos animais.
A pirotecnia sonora deixa muitos animais em grande alvoroço, completamente aterrorizados, “quase ao nível do espasmo”, e muitos fogem – com consequências por vezes trágicas – ou chegam mesmo a morrer com o pânico nos casos em que têm quadros de saúde mais preocupantes, como epilepsia ou problemas cardíacos. E não são apenas os animais que sofrem com o barulho e o stress provocado por todo o ruído envolvido: acontece também com crianças autistas, pessoas com hipersensibilidade auditiva, bebés, idosos ou pacientes hospitalares.
O tutor do Weimaraner prossegue, num vídeo onde é visível o grande desconforto e medo de Pó. “Todos os anos, o resultado repete-se: centenas de cães e gatos fogem em pânico, perdem-se, são atropelados ou nunca mais regressam a casa. Tudo isto por alguns minutos de espetáculo que não deixam memória, não criam valor e causam sofrimento real. Uma ideia medieval de fogo, explosão e estrondo que ignora deliberadamente o impacto que isso tem em animais e em muitas pessoas”.
Pó viveu novos momentos de pânico
“Aqui em casa, o Pó passa a noite inteira em pânico, às voltas com o rabo entre as pernas, assustado à espera do próximo foguete. Ontem, às duas da manhã, estava escondido no escuro da casa de banho, encolhido dentro da banheira, a tremer. Não é um caso isolado, é a realidade de milhares de lares”, escreveu João Molinar a 1 de janeiro, com a publicação a contar com perto de 33.000 likes.
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Por isso, para 2026, o seu desejo “é simples”: “que o ser humano evolua e se lembre que os animais não são importantes apenas quando falamos do fim da tourada, quando combatemos o abandono ou quando condenamos casos mediáticos de maus-tratos. O respeito pelos animais passa também por estas ‘pequenas’ coisas que, na prática, são tudo menos pequenas”.
“O sofrimento causado pelo fogo de artifício é real, previsível e evitável. Continuar a ignorá-lo é uma escolha… E não, não é uma tradição intocável”, diz João Molinar. “Temos a oportunidade de dar o exemplo, de mostrar que é possível celebrar sem provocar medo, pânico e dor. Que a empatia e a consciência pesem mais que o barulho, porque evoluir também é saber festejar sem magoar”, remata.
Nesta família de Almada há oito protagonistas
As histórias de Pó e da restante família d’Arroz correm mundo, com a página do Instagram a contar com perto de meio milhão de seguidores e a do Facebook com quase 300.000. É através delas que João Molinar – que lançou o seu primeiro livro, “Ecos de Quem Fui”, em outubro passado – vai contando as aventuras e peripécias de todos os seus elementos, com um humor irresistível mas também com alertas importantes e uma vertente solidária que tem ajudado muitos outros animais.
Para o caso de ainda não os conhecer, Pó faz parte de uma família de oito. Há mais três protagonistas animais – a Teckel Broa de Mel, a Dona Lurdes (que é “50 por cento gato e a outra metade cão”) e a gata Palmira – nesta página gerida por João Molinar e a companheira Filomena Santos. Ao quarteto animal mais fofo a viver em Almada junta-se a pequena filha do casal, Teresa, mais conhecida por Ticas, e o pequeno filho Sebastião – Tião –, que adoram brincar com os seus amigos patudos.
Percorra a galeria para conhecer melhor esta família – numerosa, hilariante e solidária.









