A Assembleia da República recebeu esta quarta-feira, 17 de dezembro, as várias entidades envolvidas no caso do canil ilegal de Vila Nova de Foz Côa, de onde foram resgatados mais de 70 cães maltratados em maio deste ano. Esta primeira audiência, proposta pelo PAN, foi interrompida após uma altercação com os integrantes do IRA e, diz Inês Sousa Real, “deixou muitas questões por responder”.
Como a PiT adiantou na altura, o canil no distrito da Guarda foi encerrado depois de uma denúncia ter dado conta dos animais “sem condições de salubridade” e “sem cuidados veterinários adequados” que viviam no espaço. Os cães foram resgatados durante uma operação onde estiveram presentes 40 operacionais, pertencentes à GNR, ao IRA e ao ICNF, com o apoio da Associação Midas e do Santuário Animal Vida Boa.
A audiência foi realizada na Comissão de Agricultura e Pescas, às 10 horas, e recebeu o ex-Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, João Paulo Sousa, bem como o Presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Foz Côa, José Joaquim Soares Saraiva. Estiveram também presentes Tomás Pires, líder do IRA, Lígia Andrade e André Fernandes da Associação Midas, e António Brandão, presidente do Santuário Animal Vida Boa.
PAN lamenta a falta de esclarecimentos prestados
Inês Sousa Real adiantou à PiT a falta de esclarecimentos prestados pelo ex-presidente da câmara e pelo presidente da junta, que falharam em conceder “informação concreta sobre se a médica veterinária de facto cuidava ou não dos animais e se o pessoal encarregue de gerir o canil e os animais prestava esses cuidados“, sublinhando que ambos “fugiram às perguntas”.
A líder parlamentar do PAN avançou ainda que nenhum dos responsáveis garantiu ter visitado o interior do local, mencionando que “o presidente da câmara disse apenas que tinha passado lá perto”. “Isto revela um claro desleixo sobre o cuidado do canil”, afirma.
Inês Sousa Real mencionou ainda a quantia de 220 mil euros que os responsáveis receberam com o propósito de criar um canil legal para abrigar os animais, e cuja utilização ficou por esclarecer. Assim, diz a deputada, o PAN avançará com um requerimento que revele em que foi gasto o dinheiro.
“Para o PAN, estamos perante um crime”, reforça a líder parlamentar. “Queremos garantir que mais nenhum animal passe por aquilo que passaram os animais que estavam ao cuidado da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia neste canil que era um canil ilegal”, onde os animais não tinham acesso a cuidados básicos. A próxima audiência, diz Inês Sousa Real, acontece a 7 de janeiro.
Altercações com o líder do IRA levaram à interrupção da audição
“As pessoas estiveram lá a trabalhar quase 16 horas para resolver a porcaria que vocês andaram a fazer” — assim começaram as declarações que causaram a interrupção da audiência, proferidas por Tomás Pires e partilhadas nas redes sociais do IRA.
No vídeo, o responsável começa por dirigir-se ao ex-presidente da câmara de Vila Nova de Foz Côa, dizendo depois que os maus-tratos foram tratados por outros membros da audição como “erros” ou “falhas”. “Não são erros nem falhas, são crimes, e estão previstos na legislação”, refere o fundador da organização.
Tomás Pires acusa ainda os presentes de ali estarem para “fazer política em vez de apurar o que se passou em Foz Côa”. A partir deste momento, as altercações intensificam-se, terminando com a suspensão da sessão.
Online, a associação reforça que “não estamos perante um erro administrativo — estamos perante um crime moral, ético e legal”, escrevendo ainda que a interrupção aconteceu “após o Presidente do IRA não ter colocado paninhos quentes nem passado a mão no pêlo”.
Carregue na galeria para ver a operação de resgate e o estado em que os animais foram recuperados.








