Família

Sanne e Ken vieram dos Países Baixos. Estão no Algarve a ajudar animais de abrigo

Pela sexta vez, o casal está em Portugal para tentar dar uma segunda oportunidade aos patudos. E não pretende parar por aqui.
Estão juntos há 23 anos.

O ano era 2022 e Sanne Joosten desembarcava em Portugal pela primeira vez. Acompanhada do marido, Ken, a proprietária de um salão de beleza nos Países Baixos apaixonou-se perdidamente pelo País. Passou por Lisboa, Sintra e Cascais, mas foi no Algarve que encontrou um propósito: ajudar animais à procura de um lar.

Naquele ano, quando as restrições da pandemia abrandaram, o casal decidiu conhecer um novo sítio. “Queríamos escolher um país na Europa. Pesquisei alguns abrigos de animais e foi assim que chegámos a Portugal e à ARA”, começa por contar à PiT a voluntária de 37 anos. A Animal Rescue Algarve (ARA) fica em Loulé e foi fundada pelo empresário inglês Sid Richardson com o objetivo de prestar apoio aos animais errantes da região.

“Nunca tínhamos visto um abrigo tão bem organizado. É mesmo um lugar incrível”, confessa. “Achamos que é um paraíso para os animais até entrarem uma família para sempre. A equipa da ARA faz de tudo para os proporcionarem uma vida boa e conseguimos ver o amor e a paixão que eles têm por este trabalho”.

Desde então, Portugal tornou-se uma paragem obrigatória para Sanne e Ken, que no início deste ano vieram pela sexta vez ao Algarve. E apesar de em breve partirem em direção a Marrocos, já têm o retorno marcado na agenda: “Dentro de alguns meses, estaremos de volta pela sétima vez. É como voltar para casa”, aponta.

O trabalho que fazem por cá consiste em passarem o dia com os cães do abrigo e ajudarem nas atividades diárias. O casal leva os animais para passeios em parques, praias e pela cidade. Depois, Sanne recorre às redes sociais para partilhar não só a rotina com os canídeos, mas as histórias individuais de cada um deles.

Menorca, por exemplo, é uma cadela que vive há mais de 150 dias na ARA. Já o cão Joseph, tem 12 anos e chegou à associação com a companheira Jóia e a filha, Jura, após o tutor morrer. Nadja, por outro lado, é mais tímida do que os restantes. Aos seis anos, a patuda chegou com a progenitora, Núbia, e embora precise de algum tempo, adora mimos e carinhos.

Os animais ajudaram-na quando miúda. Agora Sanne faz o mesmo

Sanne e Ken estão juntos há 23 anos e há cerca de 13, fizeram a primeira viagem de longa distância. O destino foi o continente sul-americano, mais especificamente o Brasil, onde tiveram o primeiro contacto com cães vadios. “Levamos sempre comida connosco e passamos muito tempo com os animais”, partilha à PiT a empresária.

O “bichinho” de conhecer novas culturas, realidades e pessoas sempre esteve presente, mas a dupla decidiu que queria ir além dos estereótipos das viagens. Desde miúda, Sanne tem uma relação especial com os animais — cresceu rodeada por cães e tinha contacto constante com cavalos. Foi precisamente ao lado deles que conseguiu superar um problema pessoal.

“Quando era mais nova, desenvolvi um distúrbio alimentar e senti-me muito solitária”, partilha. “Senti-me confortável entre os animais porque eles não julgam e amam incondicionalmente. Senti ali um amor por eles e descobri o seu poder de cura”, aponta. 

A missão de rodar o mundo para os ajudar começou durante uma viagem até a Tailândia. Lá, o casal neerlandês fez voluntariado pela primeira vez num abrigo e desde então, não parou. “Tentamos fazer isso em todas as viagens”, refere. Até a data, já estiveram em vários países da Europa, das três Américas, da África e da Ásia, tendo ajudado animais de sete associações e abrigos diferentes.

Um amor sem fim.

Por outro lado, não foram só os animais da ARA que os conquistaram por cá. Sanne confessa que basta chegar ao País, para sentir algo especial. “O que mais gosto é a sensação de tranquilidade e relaxamento que toma conta de nós assim que chegamos. É algo mágico”, diz. “E adoro a costa com as praias de areia dourada e as falésias”.

O lugar onde mais gosta de estar é Aljezur, distrito de Faro. “Também quero conhecer o norte de Portugal, parece muito bonito”, avança. Para além das fronteiras, tem o México e a Índia no topo da lista. Dentro de algumas semanas, vão para Marrocos, também fazer voluntariado num abrigo.

Daqueles que já visitou e dos animais que já conheceu, a voluntária confessa que não consegue escolher uma única história. “Todas elas tocam-me e permanecem comigo. Há imagens que às vezes me mantêm acordada à noite”, afirma. “Em Mianmar, vi um homem a maltratar o cão dele. Nesses momentos, sentimos impotente, porque estamos num país estrangeiro e não podemos fazer nada além de tentar impedir”, lamenta.

De volta a casa, nos Países Baixos, Sanne e Ken são tutores de Pipa, uma velhota adotada há três anos. Após a morte de Luna, a antiga companheira de quatro patas que morreu um ano antes da chegada de Pipa, decidiram dar uma oportunidade a um animal mais velho. “Ela tem agora 16 anos”, diz, animada. “Decidimos adotar um cão sénior porque eles costumam ficar no abrigo durante muito tempo, ou até mesmo para sempre”.

A seguir, carregue na galeria para conhecer o casal e alguns dos animais que já ajudaram em solo português.

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