Família

Sidra foi atropelado duas vezes. Há anos que procura uma família e ninguém o quer

Já passou por muito, mas está sempre pronto para brincadeiras. Desde 2019 que quer um lar e recorreu ao Pinder para o conseguir.
Sidra foi abandonado quando estava internado.

Sidra não teve uma vida fácil. O seu focinho já era bem conhecido na Sociedade Protectora dos Animais (SPA), mesmo antes de esta se tornar a sua casa. Foi parar à associação logo na primeira vez em que foi atropelado, para receber assistência veterinária. Passados dois meses, e recuperado, foi atropelado novamente e voltou ao centro veterinário. Desta vez, foi para ficar.

O cão está com a associação lisboeta desde 2019. Os voluntários não têm a certeza das suas origens, mas calculam que não terá sido uma vida completamente sedentária: “Sabemos que ele andava muito na rua. Talvez os seus donos vivessem numa caravana. Ele estava muitas vezes solto, e, certo dia, o pior aconteceu”, começa por contar à PiT Leonor Briosa, 26 anos, responsável pela comunicação e relações públicas da associação.

Leonor só está na associação desde março de 2022. Ainda assim, já teve tempo para se apaixonar por Sidra, e não entende como ninguém o escolhe. Apesar de tudo o que passou, o cão continua com um “sorriso” no rosto e é muito brincalhão.

Os outros voluntários, no entanto, lembram-se de como ele foi durante os períodos mais difíceis da sua vida. Após o primeiro atropelamento, Sidra chegou fraco e muito magoado. Ainda assim, a sua força foi maior e o cão recuperou em pouco tempo.

Voltou à vida nómada que levava, para, dois meses depois, fazer uma nova visita à SPA. Sidra tinha sido atropelado novamente. Mas, desta vez, as lesões foram piores e marcaram-lhe o corpo.

“Fraturou a pata traseira esquerda, e teve que ser submetido a uma cirurgia ortopédica”. Nada que Sidra não aguentasse. Para o rafeiro, as lesões físicas pouco importavam. As psicológicas que se sucederam é que vieram a afetá-lo um dia mais tarde: “Ele foi abandonado no internamento. Os donos foram lá deixá-lo e nunca mais voltaram”, lamenta Leonor.

Desde então que Sidra tem ficado em regime de hotel, pois a associação não tem um abrigo nem condições para o ter consigo, apesar de pagar todas as despesas. Vive agora no santuário Animais sem Fronteiras, onde a compaixão dos outros animais — porcos, ovelhas, cabras e mais — o faz esquecer de todos os traumas. Mas isto não é vida para ele: “Ele precisa de uma família. É um cão muito simpático e que se dá muito bem com as pessoas. É muito meigo, querido e gosta muito de atenção”.

“É muito triste nunca termos tido resultados”. Para os voluntários, é impercetível como um animal tão charmoso não tem candidaturas para o adotar. Apesar das diversas publicações nas redes sociais, ao longo dos anos, ninguém se chega à frente para ficar com ele: “É um cão muito igual aos outros e não interessa”, critica.

Sidra está no Pinder, a nova plataforma de adoção responsável da PiT, à procura de uma nova família. Espera que tanto o seu sorriso adorável, como a sua personalidade incrível, atraiam uma casa onde se sinta confortável.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Sidra.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT

-->