Família

Silvia transformou um quarto de dor em amor — dedicou-o ao cão que lhe salvou a vida

Após a morte do filho, não conseguia entrar no espaço. Sete anos depois, adotou Noah, que a ajudou a lidar com a depressão.
Noah e Silvia.

Silvia passou por uma dor inimaginável. Em 2012, o filho Enzo foi internado com sépsis, uma resposta imunológica extrema que evoluiu para um choque séptico. Com cerca de um ano, o bebé não resistiu e acabou por morrer. Na altura, a família estava a construir uma nova casa e um dos quartos já tinha uma decoração toda pensada no mais novo.

“Quando ele morreu, não chegou a conhecer o quartinho dele”, lamenta à PiT Silvia Lemos. “Era outra decoração nas paredes, outros enfeites, berço, carrinho e coisas que um bebé de um aninho costuma precisar”, acrescenta. Ainda assim, a mamã, natural de São Paulo, no Brasil, decidiu manter o espaço.

Durante sete anos, os Lemos deixaram tudo igual, ainda à espera de Enzo. “Não aceitei a morte dele, entrei em depressão”, recorda. Até que, a certa altura, Silvia teve um choque de realidade e ao perceber que “não podia reverter a situação”, decidiu doar tudo que pertencesse ao mais novo para acabar com “aquela amargura”. “Ninguém entendeu nada”, partilha. “Senti uma paz muito grande, mas a depressão ainda continuava”.

Cerca de dois meses, num passeio pelo bairro, deparou-se com uma vizinha a passear na rua com a cadela. “Achei a coisa mais fofa”, partilha, acrescentando que nunca tinha tido cães ou gatos. “Pedi para a apanhar ao colo e ela começou a dar beijos no meu rosto. Não queria sair do meu colo e apaixonei-me”.

A alegria que sentiu era algo à qual não estava habituada e decidiu pouco tempo depois ir até um canil. Tinha a certeza de que queria uma fêmea para lhe fazer companhia (em casa, é mãe de dois homens, um com 27 anos e outro com 18). Porém, assim que lá chegou para conhecer uma das cadelas, o destino tinha outros planos.

“Estava o Noah, macho… quando vi aquela carinha e aqueles olhinhos, teria de ser ele”, destaca. No mesmo dia, decidiu levá-lo para casa e assim que chegou ao novo lar, o cachorro correu em direção ao quarto de Enzo. “Até hoje não sei como ele conseguiu chegar até lá”, confessa. “Tem várias divisões antes”.

Naquele momento, recusou-se a sair. Na altura, o quarto tinha apenas uma secretária com computador, sem qualquer resquícios do antigo dono. “Ele ficava a olhar para as paredes brancas sem nada”, refere. “Como era bebé, estava a trocar os dentinhos, mordia a mesa e começaram a sair farpas. Achei por bem tirá-lo de lá e ele ficou muito triste, mudou completamente. Foi aí que decidi dar-lhe um quarto”.

“O Noah salvou-me de todas as formas possíveis”

Desde a chegada do pequeno, Silvia parece outra. Hoje, quando lhe perguntam o que Noah significa para si, não são precisas muitas palavras para descrever: “Vida”, frisa à PiT. “Vontade de viver, de espalhar o amor que recebo dele todos os dias… O Noah salvou-me de todas as formas possíveis”, afirma.

A decoração do quarto do cão foi toda pensada pela tutora e tudo que lá colocava, Noah ficava “muito feliz”. Com o tempo, foi colocando todos os brinquedos e pertences que o companheiro mais usa. Agora, mesmo com acesso a todas as divisões da casa, o espaço é o “lugar da casa que ele mais gosta”.

“Ele entra lá, pega os brinquedos, gosta de assistir desenhos animados no computador deitado no tapete dele e dorme lá a noite inteira”, partilha.  “Só não dorme sozinho se estiver a chover forte, com trovões ou fogos de artifício…ele não gosta. Fora isso, ama o quarto dele”.

Por outro lado, o patudo também não dispensa aventuras ao ar livre. A tutora partilha que “o deixa ser cão” e uma das coisas que ele mais gosta de fazer é passear, conhecer cheiros novos e rebolar na relva. Nas redes sociais, partilha o dia a dia ao lado do patudo.

Carregue na galeria e conheça Noah.

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