Família

Soja já está em Lisboa com a nova família — e trouxe consigo o amor por abraços

A cadela que sofreu maus-tratos na Madeira encontrou um final feliz no continente. E promete não largar os braços dos donos.
A cadela já encontrou sossego e amor na capital.

Foi como “alteza real mimada” que Soja Poncha da Madeira foi recebida na nova casa em Lisboa. A cadela, que outrora sofreu agressões e maus-tratos, chegou da Madeira com braços estendidos para receber uma nova vida. E, tal como seria de esperar, não poupou nos abraços que deu à nova família.

“Foi surpreendente como, num par de horas, ela já sabia o que eu sempre soube desde a primeira vez que a vi”, começa por contar à PiT Susana Teixeira. Assim que a lisboeta de 42 anos se deparou com a fotografia da cadela amistosa soube logo que ela seria feliz consigo. Soja levou algum tempo a perceber isso, mas depois chegou lá.

Soja não é um animal naturalmente desconfiado. Foi o trauma que lhe colou o medo à pele. Na sua antiga casa, no Funchal, a cadela com apenas um ano sofreu de maus tratos por parte da tutora, que lhe deixaram cicatrizes no corpo: “Partiu-lhe o fémur e a bacia”, partilhou à PiT Mariana Nóbrega, presidente da associação “Ajuda a Alimentar Cães”.

Assim que a associação recebeu a denúncia por parte da Provedoria do Animal, pôs mãos a mexer e foi buscar a cadela em perigo. Soja já vivia assim há muito tempo, mas nada disso lhe tirou a afabilidade. Andava nos braços de todas as voluntárias da associação, e recusava-se a largá-los pelo quer que fosse.

Susana e os dois filhos, Tiago e Alice, foram a exceção. “Foi giro. Ela parecia estar a desconfiar quando estava ao colo de uma das voluntários. Mas, assim que veio para o nosso, percebeu”, conta à PiT a nova tutora.

A cadela chegou no sábado à nova casa, tendo sido trazida pela associação, que se deslocou até Lisboa para participar na manifestação em defesa dos animais e contra a queda da lei que criminaliza os maus-tratos. Soja demorou duas horas a entender que estava no lar que a pretende fazer feliz o resto da vida. E, quando tal aconteceu, expressou-o da melhor forma: “Estávamos no jardim em frente à nossa casa. Tive que me afastar um bocadinho para deitar umas coisas no lixo, e ela puxou a Alice na minha direção e começou a chorar”.

Soja chegou cansada da viagem e mal disposta, por isso passou o dia a dormir ao sol e com pouca energia. Mas havia algo que a despertava: “Sempre que saía de ao pé dela, seguia-me pela casa, sempre a abanar o rabo”, ri-se a nova tutora.

O mais difícil será a adaptação com o outro membro de quatro patas da família: “A Mia ainda não se chegou perto dela. Tem ciúmes”. A cadela pandémica terá que aprender a partilhar atenção dos donos. Ou, neste caso, os braços, pois Soja apodera-se deles para dormir e dar os melhores abraços.

Depois de ter conquistado as redes sociais pela sua ternura, a cadela que foi vítima de maus-tratos encontrou um final feliz. E pode dizer que se encontra nas nuvens quando dorme em cima dos seus tutores.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da cadela que veio da Madeira espalhar abraços por Lisboa.

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