Família

Ter um cão custa em média 1.021€ por ano. E um gato, 892€. As contas são da Deco

Os animais de companhia melhoram a nossa qualidade de vida. Mas os custos são elevados, diz a associação de consumidores
Cuidados de saúde pesam no orçamento.

Desde 2020, o número de quatro patas aumentou em Portugal, e muito à conta da pandemia. O isolamento das quarentenas e a necessidade, para muitos, de ter uma companhia, levou a que o número de animais nos lares portugueses aumentasse — com os cães e gatos no topo.

No entanto, também tem havido um grande número de abandonos, devoluções ou desistências, o que leva a que os centros de recolha oficial de animais fiquem lotados.. Há quem apresente como pretexto o facto de não ter onde deixar o seu animal nas férias — por falta de condições financeiras para o extra do hotel canino ou felino, ou até mesmo de um pet sitter — e há muitas mais pessoas que apontam os elevados custos, muitas vezes incomportáveis, quando surgem problemas de saúde.

A dimensão de uma adoção responsável não se cinge às condições em casa. Há muitos fatores que devem ser pesados antes de se assumir uma responsabilidade para com outra vida: disponibilidade financeira para ração de boa qualidade, para os check-ups veterinários, vacinas, desparasitações anuais e eventuais problemas de saúde, bem como disponibilidade de tempo — para os passear, para interagir com eles.

Garantir o seu futuro em caso de morte dos donos é outro fator poucas vezes ponderado, mas que se reveste de grande importância. Escolher o tipo de animal mais adequado também não é um mero capricho, pois o temperamento pode fazer toda a diferença.

É que não basta querer. Há que ter condições e ter bem definido que não é uma adoção por impulso mas sim uma responsabilidade até ao fim dos seus dias. A qualquer momento a vida muda, e isso não se pode prever , mas tem de existir uma base sólida — e essa muitas vezes falha.

Quer um cão? Ponha de lado mil euros por ano

A Deco Proteste realizou um estudo onde se debruça, precisamente, sobre os custos que um animal acarreta.

Segundo o estudo, intitulado “Ter um animal de estimação fica caro, mas é gratificante”, 18% dos cães e 15% dos gatos são fonte de preocupação financeira para os seus tutores, dadas as despesas que impõem — os canídeos custam, em média, 1.021€ por ano, e os felídeos 892€.

O estudo, agora publicado, foi realizado pela organização de defesa do consumidor a partir de trabalho de campo decorrido em setembro e outubro de 2021. E foi feito através de um inquérito enviado a uma amostra da população nacional entre os 18 e os 74 anos. “O questionário devia ser preenchido apenas por quem tinha animais de estimação. Recebemos 950 respostas válidas, sendo que os resultados do estudo refletem a opinião e experiência dos portugueses que têm animais de companhia”, sublinha a Deco.

No que diz respeito ao dever de cuidar da saúde dos seus animais, 86 por cento dos inquiridos levaram os cães, pelo menos, a uma consulta de rotina, nos 12 meses anteriores ao inquérito. No caso dos gatos, foram 73 por cento. Principais motivos, para uns e outros: vacinação, desparasitação interna e exames de rotina, refere o estudo.

“Os cães mais novos (puppies) são os maiores clientes, com uma média de 3,4 consultas no último ano. Os adultos e os seniores visitam o veterinário, em média, duas vezes por ano. Nos gatos, a tendência é mesma, isto é, os mais novos são mais assíduos, mas com menos consultas do que os cães (duas por ano, em média)”, salientam as conclusões do estudo.

Cães ficam mais vezes doentes

Além disso, “os canídeos parecem mais suscetíveis a problemas de saúde: 47 por cento ficaram doentes nos 12 meses anteriores ao inquérito, contra 37 por cento dos gatos”, diz a Deco.

“Os animais mais velhos, pela lei da vida, apresentam mais maleitas, predominando as que decorrem do envelhecimento. Nos canídeos idosos, destacam-se ainda as otites e os problemas nos dentes; já nos felinos mais velhotes, sobressaem as doenças nos órgãos internos”, constata a organização de defesa do consumidor.

Outras despesas nem sempre antecipadas

Mas os custos não se prendem apenas com as idas ao médico veterinário. Além de uma alimentação de qualidade — que garante uma melhor saúde, por mais tempo —, há despesas que não vêm de imediato à ideia a muitos adotantes.

Um exemplo é o da colocação de microchip e do registo no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). Se o animal provém de outro país, as regras são as mesmas a partir do momento em que permaneça em Portugal mais de 120 dias.

“A coleira com o contacto do detentor, usada por 30 por cento dos cães e 13 por cento dos gatos, pode ser útil, para agilizar a comunicação, em caso de perda ou de abandono, mas não tem valor legal, pelo que não dispensa o microchip. A falta deste pode ser punida com coima entre 50 e 3.740€”, lembra a Deco.

Um total de 87 por cento dos cães dos inquiridos estava chipado, mas, no caso dos gatos, apenas 50 por cento tinham chip. E talvez isso se possa explicar pelo aumento de custos quando se trata de felinos — não porque seja mais caro, mas porque é frequente uma cat person não ter apenas um gato.

Médicos veterinários elogiados

Ainda de acordo com o estudo da Deco, os médicos veterinários “são altamente apreciados pelos inquiridos”. Numa escala de 1 e 10, quase todos os parâmetros obtiveram uma nota superior a oito, “o que significa que os utentes estão muito satisfeitos”.

O custo dos serviços é a única nota verdadeiramente fora de tom, destaca o estudo. “Os inquiridos estimam gastar, em média, 281 euros por ano com a saúde do seu cão, e 188 com a do gato. Os seniores dão mais despesa, claro, porque têm mais maleitas: 411 euros por ano, no caso do cão, e 239 euros, para o gato”.

“Se analisarmos o dispêndio por ato médico e produto, verificamos que a fatura pode ser bem mais alta para os que deles necessitam. O custo médio anual das cirurgias rondou 300 euros, o dos exames complementares de diagnóstico 120 euros, o dos medicamentos 90 euros, o das consultas de rotina 65 euros… Ou seja, dificilmente o orçamento das famílias suporta o tratamento de doenças mais exigentes, sendo que a grande maioria dos animais não tem seguro de saúde”, aponta a Deco.

Se o tutor não tiver meios para pagar, a organização de defesa do consumidor aconselha a que procure os serviços de associações, das universidades e das autarquias. “Estas, por conhecerem o seu território, estão na melhor posição para organizar respostas estruturadas”.

Há sempre uma solução, tem é de se saber procurar — e encontrar as pessoas certas. Porque, tal como também atesta o resultado deste inquérito, os animais trazem-nos uma melhor qualidade de vida: são uma companhia e promovem uma maior atividade física. E amor. O amor ganha sempre.

Percorra a galeria para aceder às principais conclusões deste estudo da Deco.

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