Família

The Folks é uma ponte entre Portugal e Ucrânia. E essa ligação faz-se à mesa

A equipa do café divide-se entre colaboradores portugueses e ucranianos, mas, aqui, há uma linguagem comum: a pet friendly.
Os olhos também comem.

Filipe Lytvynov mudou-se para Portugal há mais de um ano e, até chegar ao The Folks, trabalhava em marketing e redes sociais, a sua área de formação. Aos 33 anos aceitou um desafio fora de pé e de mão: longe da sua terra Natal e numa área praticamente nova, vê-se agora à frente de um “café moderno no centro da cidade de Lisboa, com café de especialidade e brunch”, como descreve o próprio.

Apesar dos diferentes percursos, não é caso único no estabelecimento que gere. Na equipa do The Folks há portugueses e ucranianos. Isto porque, quando começaram a formar uma equipa especializada nas vertentes idealizadas para o projecto, foram-se juntado pessoas de cá e de lá, reunindo-se assim um grupo multicultural à imagem da cidade cosmopolita em que o espaço se insere.

A ementa acaba por ser, em certa medida, tradicional face à oferta que uma capital europeia como Lisboa tem: para lá do café de especialidade, os ovos compostos, as tostas elaboradas, ou as panquecas preenchidas são opções clássicas num espaço como o The Folks, cuja marca tem planos de expansão que envolvem a inauguração de mais espaços além daquele que opera na baixa lisboeta.

“Quisemos tornar o espaço amigável, aberto e, por isso, pet friendly”, explica Filipe. “Muitas das pessoas que trabalham aqui têm animais de estimação, tanto gatos como cães, e para nós essa nem foi uma questão de debate. É uma coisa normal: as pessoas virem com os seus melhores amigos, parte da família — faz parte da natureza da coisa”, revela sobre a política que caracteriza o café.

A predisposição da equipa em relação aos animais reflecte-se no fluxo de clientes de quatro patas. São presença assídua no The Folks porque o próprio espaço transmite esse ambiente convidativo a graúdos e patudos. “Até temos vários clientes regulares que vêm quase todos os dias com os seus animais tomar café ou o pequeno-almoço”, garante Filipe. “Nunca vi nenhum dos nossos clientes sequer com medo de algum cão no nosso espaço, porque eles são sempre bem-comportados”, acrescenta em antecipação de qualquer interrogação que pudesse surgir acerca dessa harmonia.

Das fronteiras do pet friendly

Aliás, para Filipe, esta é uma filosofia que tem uma expressão claramente diferente entre Portugal e o seu país de origem, mesmo antes da guerra que se instalou em fevereiro passado. “Infelizmente, a Ucrânia ainda não é um país tão pet friendly como, por exemplo, Portugal. As pessoas são menos abertas à ideia de ter animais de estimação e temos um problema de cães abandonados. Na Ucrânia, as pessoas que querem parecer abastadas compram cães de raças muito caras enquanto temos imensos cães na rua” confessa, inconformado. “É uma questão cultural, porque aqui, em Lisboa, vejo cães de todas as raças em quase todo o lado, e as pessoas têm-nos como amigos, e não como acessórios”, realça ainda.

Por cá, o abandono animal, mesmo que a uma escala menor, não deixa de ser, também, um flagelo alarmante. A experiência de Filipe acaba por se ver enviesada nesse sentido — pelas melhores das razões. É que no The Folks não há raças privilegiadas nem animais tratados como meio de ostentação. São clientes normais, com direito a comida e bebida — água e biscoitos —, e são tão bem tratados pelos empregados quanto pelos donos.

Percorra a galeria com imagens dos principais pratos que pode provar no The Folks.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Sapateiros 111
    1100-619 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias: 9h-17h
PREÇO
10-15€
TIPO
Cafés e restaurantes

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