Tomás sempre conheceu a vida com animais, já que partilhava a casa com duas gatas, mas expressava com frequência a vontade de ter um cão. O sonho concretizou-se, mas não como esperava — Mel, a sua patuda de alerta médico, chegou a casa em 2022, depois de o tutor ser diagnosticado com diabetes tipo 1. Esta semana, em que é assinalado o Dia Mundial da Diabetes, Tomás e a família contam à PiT o que se alterou com a chegada da cadela, que veio mudar a vida de todos para melhor.
Os sinais foram aparecendo quando Tomás tinha nove anos, e passando despercebidos inicialmente. “Ele sempre bebeu muita água, e na altura começou a beber ainda mais”, conta Liliana Saraiva, a mãe de 43 anos. A perda de peso foi o segundo sintoma em que a família reparou no adolescente que conta agora 15 anos, além da frequência com que o filho urinava.
O diagnóstico surgiu depois de uma conversa casual com uma amiga enfermeira. “Comentei por acaso que achava que ele estava com uma infeção urinária e que ia pedir análises. Mencionei os sintomas todos e ela disse que quase de certeza que eram diabetes”, explica a mãe.
A certeza chegou com uma medição do nível de açúcar no sangue, que apontou “cerca de 580” miligramas — em jejum, os valores normais rondam os 77 a 99 miligramas. A partir de então, a rotina alterou-se. “Começou a fazer picadas com muita frequência até colocar o sensor, e a fazer medicação”.
A Pata trouxe Mel, e Mel trouxe segurança
A condição de Tomás foi diagnosticada em 2019, e Mel chegou em 2022, depois de o agregado ter conhecido a Pata d´Açúcar, uma associação que treina cães de alerta médico para diabéticos. “Conhecemos a Pata através do médico de família”, explica Liliana.
A seleção de Tomás aconteceu em 2022, e Mel foi a companheira escolhida pela organização, que todos os anos resgata cães de um local diferente para cumprirem o treino e serem atribuídos aos pacientes. A cadela veio da associação Bianca, de Sesimbra, onde chegou com apenas algumas semanas de vida, e de onde saiu ao colo da família de Loures com quatro meses de idade. O miúdo, que sempre quis ter um cão, recebeu uma melhor amiga e “uma ferramenta para se proteger”.
Os primeiros meses da patuda na nova casa serviram para completar a fase de “aproximação da família”, focada na socialização e na habituação às rotinas dos tutores e aos estímulos externos, esclarece Carla Gregório, responsável da Pata D´Açúcar. Depois, seguiu-se a etapa do treino com o “odor específico para que o cão fique apto à deteção de hipoglicemias” — no caso de Mel, este demorou oito meses.
“Mudou tudo com a chegada dela”, comenta Liliana, notando “os pelos no chão”, e o papel que a patuda desempenha na vida de Tomás. O adolescente explica que a maior diferença é “o descanso” que sente com a certeza de que Mel detetará as hipoglicemias, sobretudo “durante a noite”.
Quando faz um alerta, a patuda lambe as mãos de Tomás, um comportamento que a tutora explica não ser comum no seu dia-a-dia. “Se for ignorada dá com a pata. Ela vai impondo mais exigência se ignorarmos o alerta até o Tomás fazer uma medição”.
Além do alerta, a cadela foi ainda treinada para dar ao dono a bolsa com os açúcares. Esta é uma parte essencial do processo, já que “quando as hipoglicemias são muito baixas o corpo pode perder a reação”.
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