O bem-estar animal é cada vez mais uma preocupação social, e assegurá-lo implica conhecer verdadeiramente as necessidades das várias espécies que nos rodeiam, sobretudo aquelas com que partilhamos o dia-a-dia. A partir desta máxima, as professoras Margarida Duarte Araújo e Ana Carrilho, da Universidade do Porto, criaram o mestrado em Comportamento Animal aplicado ao Bem-Estar, que teve início este ano letivo.
As profissionais do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar explicam à PiT que o programa surgiu, num primeiro momento, da vontade de Liliana de Sousa, antiga professora de etologia da instituição e fundadora da associação Ânimas, que treina cães de assistência e promove programas de serviços assistidos por animais.
Ana Carrilho adianta ter colaborado com o trabalho da associação, numa altura em que considerou existir “uma lacuna sobre o comportamento e bem-estar animal” na academia. “Este saber é fundamental, porque se não houver comunicação entre humano e animal não pode existir uma relação saudável”, afirma a investigadora.
Esta educação, argumenta Margarida Araújo, é particularmente relevante para quem trabalha com os animais que “vivem e sempre viveram connosco”. Neste sentido, o conhecimento científico fomentado pelo programa pretende contrariar a tendência natural para “projetarmos a nossa verdade humana” nos animais, tecendo conclusões cientificamente sustentadas para que tutores e profissionais possam assegurar os melhores cuidados aos patudos. “Primeiro temos de chegar ao conhecimento científico para depois o passarmos para a sociedade”, resumem as especialistas.
O programa
A iniciativa debruça-se sobretudo sobre os animais domésticos, reservando algum espaço para as espécies selvagens, e foi projetada para “todas as pessoas que tenham interesse e queiram trabalhar com bem-estar animal”, garantindo um leque de aprendizagem abrangente e “uma base científica forte”.
O curso conta com três áreas de especialização — intervenções assistidas por animais, focada no potencial dos patudos para trabalho em instituições como lares de idosos, hospitais e centros de cuidados paliativos; medicina do comportamento, “focada nos animais de companhia”, e comportamento e bem-estar dos animais na sociedade, que engloba “todos os que estão sob responsabilidade humana, mesmo os que não vivem nas nossas casas, como os animais de laboratório”.
A adesão neste ano de inauguração “foi boa”, garantem as fundadoras, mesmo às cadeiras “mais puxadas”. As professoras sublinham a importância de uma componente prática num programa como este. Por isso, estabeleceram parcerias com a Ânimas, a Câmara Municipal de Matosinhos, o Jardim Zoológico de Santo Inácio e o SEA Life Porto, onde os alunos são levados para que tenham oportunidade de “viver e aplicar o conhecimento diretamente”, em “diferentes contextos e condições”.
A formação foi desenvolvida com a colaboração da Faculdade de Psicologia, que funciona como o elo entre a ação humana e o conhecimento sobre os animais. “Queremos que os alunos empreguem a base científica na sociedade”, adianta Ana Carrilho.
Carregue na galeria para ver as imagens da primeira visita de estudo da turma, ao zoo de Santo Inácio.









