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Zazu e Heartie – os cães que confortam os que mais precisam animam agora o IPO

Zazu e Heartie foram formados para prestarem serviços assistidos. Recentemente, começaram a visitar doentes oncológicos do Porto.

A capacidade que os animais têm de melhorar o quotidiano das pessoas é um super poder inerente aos patudos, e explica o porquê de acompanharem os humanos há milénios. É verdade que qualquer animal tem o potencial de nos fazer sentir acolhidos e amados, e a Ânimas trabalha esse potencial para que os cães levem alento aos que mais precisam e para fazer a diferença nas suas vidas. 

Zazu e Heartie são dois cães formados pela Associação Ânimas para prestar serviços assistidos por animais. Abílio Leite, presidente da associação, explica à PiT que o propósito dos animais de intervenção assistida é, em conjunto com os seus tutores, “contribuir de uma forma positiva em ambientes duros, promovendo a qualidade de vida e o bem estar das pessoas“, em diversas “áreas e serviços”, pelo que a Ânimas presta “ação com diferentes públicos”. 

Zazu é um Golden Retriver de 3 anos, e a sua tutora é Catarina Cascais, Vice-Presidente da Associação. “É um Golden do tempo da pandemia”, conta Abílio Leite, adiantando que a sua antiga família o comprou durante o isolamento da pandemia Covid-19, e que “quando regressaram ao trabalho deixaram de ter tempo para ele”. O cão foi entregue pelos antigos tutores a um dos instrutores da Ânimas, no sentido de arranjar outra casa. “O instrutor viu que ele tinha potencial de trabalho e ficámos com ele”.

Já Heartie, um Border Collie de 22 meses, vive com Abílio Leite, e foi o mesmo instrutor que o entregou, já que “faz criação de Borders para serem cães pastores, e fez uma ninhada para dar aos amigos”.

Desde outubro, os dois cães têm visitado regularmente o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. “Foi um desafio que a equipa de psicólogos do IPO nos fez no sentido de colaborarmos com eles”, esclarece Abílio Leite. O foco da iniciativa recai sobretudo sobre as pessoas que estão nos cuidados paliativos. “Tem sido uma experiência muito gratificante”, afirma, acrescentando que “na presença dos cães, as pessoas transfiguram-se”. “Uma senhora dizia que falou muito na presença dos cães, e que há anos que não se lembrava de falar tanto”, conta.

Os cães para serviços assistidos por animais

Os cães de de terapia “demonstram o potencial que os cães e as pessoas devidamente formadas podem ter para contribuir de uma forma extremamente positiva na vida das pessoas em situações difíceis”, ou em qualquer contexto “em que se trabalham relações socioemocionais”.

O trabalho é feito em duplas – o cão e o humano – e ambos “são treinados para lidar com diversos públicos”. A Ânimas presta ação em diversos contextos. “Desde infantários e ensinos secundários, até a alunos universitários com questões de stress, centros de apoio à aprendizagem, casas de abrigo, lares, psiquiatrias hospitalares, pediatrias hospitalares, centros de reabilitação, e mais recentemente o IPO”, enumera Abílio. A larga margem de ação é o que se pretende — “queremos demonstrar que há uma mais-valia neste trabalho com a presença dos cães”, afirma. 

As iniciativas têm uma frequência “no mínimo semanal, e em alguns lugares duas vezes por semana”, no sentido de “se conseguir um impacto concreto”, para que se garanta “uma continuidade no trabalho”, explica o presidente.

Abílio Leite afirma que as ações com os cães “tem um impacto extremamente positivo” e que “alteram por completo o estado de espírito das pessoas”. Além daqueles para quem as iniciativas são desenhadas, “todos beneficiam da presença do cão, desde o segurança que está à porta até ao presidente do Conselho de Administração”. O presidente da Ânimas recorda um caso em particular, de “uma jovem que esteve bastante tempo internada num hospital” que a equipa costumava frequentar com os cães. “Passado um ano, encontrámo-la num congresso que realizámos e ela disse-nos que os melhores momentos que teve no hospital foram as visitas dos cães”, conta.

Treino disponível para todos

Os cães que integram o programa de serviços assistidos “são de pessoas que querem fazer a formação”, que pode ser realizada por qualquer um, “desde que exista predisposição”, explica Abílio. As formações são feitas ao sábado, e têm “cerca de 400 horas. 200 são presenciais e o resto é trabalho autónomo”. Além disso, as aulas consistem em 2 horas teóricas e 2 práticas, “e os cães também têm de assistir às teóricas, para aprenderem a aborrecer-se e a ficarem sossegados”.

As pessoas recebem ferramentas para que consigam “ler e interpretar melhor o seu cão”, nomeadamente sinais de stress, já que “ao fim de algum tempo a receber atenção, os cães vão acumulando stress e é fundamental saber quando interromper a sessão de trabalho para zelar pelo bem do cão”. Além disso, as ferramentas pretendem equipar as pessoas “para saber lidar com diversos públicos”. 

No fim do treino, é feita uma avaliação teórica com uma simulação prática. O cão é avaliado pela obediência e de temperamento, já que os animais “não podem esboçar qualquer tipo de agressividade para com as pessoas”.

Aumentar a influência

Fundada em 2002, a Ânimas é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) criada por “um grupo de professores universitários que estavam convictos da mais-valia entre o homem e o animal, sobretudo o cão”, explica Abílio Leite. Dessa convicção nasceu a intenção de criar “uma associação que auxiliasse o ser humano nas suas diversas condições”. O nome da Associação vem do termo latim anima, “que significa a alma do ser vivo” .

Para além dos cães de serviços assistidos, a associação dedica-se também ao treino de cães de assistência, que são “entregues a uma só pessoa, com o propósito de estar com ela a tempo inteiro”, e destina-se a pessoas que beneficiem da presença do cão para ultrapassar dificuldades do quotidiano. “Desde apanhar as chaves que caíram ao chão a alertar para convulsões, ou diversas situações que vamos apurando consoante as necessidades dos beneficiários”, esclarece Abílio. 

Estes animais são escolhidos “ainda em bebés, junto dos criadores”. Depois de um teste de temperamento, o cão “fica com a mãe até às 12 semanas”. Daí, passa para uma família de acolhimento temporária, até aos 12 meses, e “até aí a sua única função é ser cachorro”. Só então começa a trabalhar com um treinador.

No início, o treino consiste em obediência básica, e “depois de se saber a quem se destina o cão, começa o trabalho específico para as necessidades da pessoa que o vai receber”, até aos 2 anos, altura em que é entregue, explica o presidente.

No momento, a Associação atua “desde Arcos de Valdevez até Almada”, com a intenção de continuar a expandir a área de influência. A Ânimas já entregou um total de 54 cães de assistência e formou 118 duplas de serviços assistidos. 

De seguida, percorra a galeria para conhecer mais sobre a missão da Ânimas e alguns dos seus patudos.

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