La Gorda esteve desaparecida durante um mês. Foi encontrada durante a transmissão das celebrações da vitória do México

La Gorda desapareceu durante um mês, percorreu a cidade sozinha e acabou por surgir, inesperadamente, ao colo de um adepto que festejava a vitória da seleção mexicana.

Há reencontros que parecem saídos de um filme. Foi exatamente isso que aconteceu a Ale García, uma jovem mexicana de 24 anos, que recuperou a sua cadela desaparecida graças a uma transmissão em direto das celebrações da vitória do México frente à República Checa, no Campeonato do Mundo.

Durante um mês, García procurou incessantemente por La Gorda, a cadela de seis anos que tinha fugido de casa. Sem pistas concretas e depois de várias tentativas frustradas, nunca imaginou que acabaria por encontrá-la através de um vídeo que mostrava centenas de adeptos a celebrar nas ruas.

Na noite da vitória mexicana, García estava em casa quando recebeu um telefonema do irmão. A excitação era tanta que mal conseguia perceber o que ele dizia. Parecia que ele estava a dizer que tinha visto a minha cadela no meio da multidão de adeptos mexicanos, mas achei que isso era impossível”, contou Garcia ao The Washington Post.

Na altura, La Gorda estava desaparecida há cerca de um mês e a jovem já temia pelo pior. “Eu disse: ‘Não acredito. Não posso acreditar.’ Porque o estádio ficava muito longe da minha casa, por isso pensei: ‘Como é que uma cadela tão pequena podia ter ido parar até lá?’”.

Pouco depois, o irmão enviou-lhe o link de uma transmissão em direto no Facebook. Nas imagens, um adepto celebrava a vitória do México enquanto dançava com uma cadela ao colo. Bastou um olhar para García perceber que era La Gorda.

Uma corrida contra o tempo

Sem hesitar, García ligou à amiga Kenia Aldape, que aceitou acompanhá-la até ao local onde decorria a festa. “Não queria perder tempo porque pensei: ‘Não quero que ela volte a fugir!’”, explicou Aldape.

As duas conduziram até à zona das celebrações, em Ciudad Victoria, no nordeste do México, e começaram imediatamente a chamar pela cadela. A resposta foi quase imediata. La Gorda correu na direção da dona. Estava visivelmente mais magra, coxeava de uma das patas dianteiras, mas reconheceu-a de imediato e mostrou-se feliz por voltar a casa.

Uma verdadeira especialista em fugas

Segundo García, La Gorda sempre foi uma cadela inteligente e extremamente traquinas. O desaparecimento aconteceu depois de conseguir escapar por uma pequena abertura no portão de casa — algo que já tinha acontecido anteriormente.

Nessas ocasiões, porém, regressava sempre pouco tempo depois, choramingando junto à porta de entrada para que a deixassem entrar.

“O portão já tinha sido reforçado várias vezes, mas a La Gorda é uma verdadeira artista da fuga”, explicou García, acrescentando que a cadela consegue passar por buracos que parecem demasiado pequenos para o seu corpo.

Desta vez, contudo, não regressou. Ao longo de um mês, García recorreu às redes sociais e a grupos de vizinhança para pedir ajuda. Em duas ocasiões recebeu informações de pessoas que tinham visto La Gorda, mas, quando chegava ao local, a cadela já tinha desaparecido.

Apesar das dificuldades, nunca deixou de acreditar. “Sabíamos que ela estava viva.”

Um mês a percorrer a cidade

Quando finalmente recuperou a cadela, García percebeu a dimensão da aventura que esta tinha vivido.

Durante o mês em que esteve desaparecida, La Gorda perdeu cerca de sete quilos. Tinha uma lesão na pata dianteira direita, mas recuperou rapidamente e, tirando isso, encontrava-se em boas condições de saúde.

A jovem explicou que queria levá-la imediatamente ao veterinário, mas já era tarde e a cadela estava completamente exausta.

“Queríamos levá-la logo ao veterinário, mas já era tarde e ela estava muito cansada. Decidimos deixá-la descansar e levá-la na manhã seguinte.”

Depois de partilhar nas redes sociais a história do reencontro — acompanhada da frase “A vida é boa” — García viu a publicação tornar-se viral.

Foi então que começou a descobrir tudo o que tinha acontecido durante aquele mês. Pessoas que nunca tinha conhecido começaram a enviar-lhe fotografias e vídeos de La Gorda, explicando que lhe tinham dado água, comida e carinho por pensarem que se tratava de uma cadela abandonada. Muitas nunca tinham visto os apelos publicados pela dona e desconheciam que alguém a procurava.

“Fiquei muito surpreendida porque ela esteve em tantos sítios durante este mês. Andou praticamente pela cidade inteira”, afirmou.

Para além do lado insólito da história, o caso de La Gorda evidencia também a importância da identificação dos animais de companhia e da mobilização da comunidade. Durante um mês, desconhecidos alimentaram, protegeram e acompanharam a cadela, permitindo que sobrevivesse até ao momento em que o acaso — e uma transmissão em direto — a devolveu à família.

 
 
 
 
 
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