Tarcísio pede festas durante a missa, mas “é falso”. Foi criado um aviso para os fieis

O cão foi adotado pela paróquia depois de ser encontrado abandonado. Costuma pedir festas e morder de seguida.

O padre que guia as missas na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório mantém a missão de pregar os ensinamentos de Jesus com amor — já o castigo pelos pecados dos fiéis fica ao encargo de Tarcísio, o cão adotado pela igreja que tende a morder os visitantes depois de pedir festas.

O fenómeno levou os responsáveis a tomar medidas para proteger quem assiste às sessões. “Por favor, não acaricie o cachorro. Ele é falso, pede carinho e depois morde”, pode ler-se num papel colado à porta do edifício no bairro Serradinho, Campo Grande, no Brasil, com letras em bold.

Carla Amaral, paroquiana que adotou o cão no ano passado, explica ao Campo Grande News que o patudo apareceu na igreja durante uma noite fria, ferido. “Na verdade ele não morde. É só aquele “nhac” que assusta”, garante ao jornal local. A sua recepção foi feita por vários adolescentes que cumpriam um retiro — entre eles, estavam algumas veterinárias que improvisaram pensos para ajudar Tarcísio a cicatrizar. “Quando o padre chegou na segunda-feira, já tinha sido eleito padroeiro dos adolescentes”, conta a paroquiana, e acrescenta que o nome para o cão foi decidido com rapidez.

Desde essa noite, a realidade do patudo mudou. Tarcísio foi oficialmente adotado pela paróquia, e passou a ter a sua própria cama, comida garantida, e até ar condicionado na secretaria nos dias mais quentes. Além disso, o portão do espaço é fechado religiosamente para que o patudo não fuja. “Todo mundo cuida dele. Se o portão fica aberto e ele foge, a igreja inteira sai atrás”, conta Carla. O cão chegou já a pregar um susto aos párocos, quando teve de ser internado por causa de um envenenamento, tendo sido o próprio padre a ir buscá-lo a outra região da cidade.

O cão circula livremente durante a liturgia, e durante as missas costuma ocupar cantos frescos. Contudo, quando a igreja tem eventos, permanece num espaço só seu, para evitar incidentes com o excesso de mãos curiosas. “A gente percebeu que ele não é muito fá de criança passando a mão. Ele tem essa cara de coitado, aí a pessoa tenta um carinho e ele dá aquele nhacc. Por isso preguei cartazes avisando”, avança Carla.

A intenção do papel era clara: proteger a integridade física dos visitantes, mas o efeito não foi necessariamente esse. O aviso parece apenas ter reforçado a personalidade do personagem, tornando-o uma atração ainda maior. “As missionárias passam para ver ele, os paroquianos compram ração, e tem até gente que leva para passear. Ele é da igreja, não tem como imaginar a paróquia sem o Tarcísio”, diz a fiel.

Carla, que tem já o hábito de resgatar animais, admite a vontade que inicialmente sentiu de levar o cão para casa, mas afirma que “a verdade é que ele já tem casa. Ele mora na igreja. É o cachorro da paróquia“. 

Carregue na galeria para conhecer Tarcísio.

ARTIGOS RECOMENDADOS