Saúde

Antibióticos a mais? Espanha já reduziu 70%, Portugal quer baixar 50% até 2030

Tal como na medicina humana, também na veterinária a resistência aos antibióticos é uma realidade cada vez mais perigosa.
Veterinários em ação.

A resistência aos antibióticos é um problema de saúde global e representa um risco para todos. Se esta tendência não for invertida, em 2050 poderá ser a primeira causa de morte – à frente do cancro. O alerta é feito há vários anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que apela sistematicamente ao uso prudente dos antibióticos. E na medicina veterinária estes alertas também são tidos em conta.

Em Espanha, por exemplo, a utilização de antibióticos na saúde animal registou uma redução de 71 por cento nos últimos anos, em parte devido ao Plano Nacional de Combate à Resistência aos Antibióticos (PRAN), promovido desde 2014 pela Agência Espanhola de Medicamentos e Dispositivos Médicos (AEMPS), sublinha a Organização Colegial Veterinária (OCV) daquele país.

Nas conclusões apresentadas, a OCV – que agrupa os mais de 36 mil veterinários espanhóis – explica que esta redução de 71 por cento é fruto do esforço conjunto de veterinários e tutores, tendo uma repercussão direta na saúde dos animais, pessoas e meio ambiente, e permitindo diminuir a presença de resistências de forma consistente.

“Os veterinários são a profissão da área da saúde com maior conhecimento de programas de prevenção, que é o método mais eficaz na redução do uso de antibióticos, aponta a OCV, acrescentando que “se não há uma doença, não é necessário receitar o consumo de antimicrobianos, tanto na saúde humana como animal”.

Nesta linha, o PRAN espanhol estrutura-se em torno de seis áreas de trabalho comuns na saúde humana e veterinária, no âmbito do enfoque One Health [Uma Só Saúde]. Essas seis áreas são a prevenção, investigação, vigilância, controlo, educação e comunicação.

Já em 2019, a OMS apontou a resistência de bactérias a antimicrobianos como um dos problemas de saúde pública mais urgentes do século XXI. E é nessa base que muitos países e organizações têm elaborado planos de combate a essa mesma resistência.

E por cá?

Portugal também definiu o seu Plano Nacional de Combate às Resistências aos Antimicrobianos, que foi assinado por três autoridades nacionais – a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) numa colaboração tripartida.

Nesse âmbito, a DGAV integrou um projeto de Investigação para a Resistência aos Antimicrobianos, o HubRAM, sendo um dos principais objetivos “a redução de 50 por cento do consumo de antimicrobianos (no setor animal) até 2030”.

Para a AniCura – grupo de hospitais e clínicas especializado em cuidados médico-veterinários para animais de companhia –, por exemplo, o combate à resistência antimicrobiana é uma prioridade e, por isso, reforçou no mês passado a sua meta de redução do uso de antibióticos para cinco por cento até 2030. “Tal significa que, dentro de sete anos, apenas cinco por cento dos cães tratados em hospitais e clínicas AniCura receberão antibióticos sistémicos”, sublinhou.

Em Portugal, segundo os dados da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) divulgados em abril passado, em 2022 havia 6.922 médicos veterinários no ativo no nosso país – sendo notório o crescimento de profissionais desta área nos últimos anos (em 2012, esse número era de apenas 4.412). Percorra a galeria para ver a comunidade veterinária em ação.

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