Saúde

Cães e gatos dadores de sangue salvam 1500 animais por mês

Criado em 2011, o Banco de Sangue Animal conta com mais de 10 mil dadores. Começou em Portugal e já chegou a Espanha e Bélgica.
Há cerca de 330 dádivas de sangue por semana.

“O Banco de Sangue Animal surgiu da necessidade de fazer as transfusões de uma forma mais organizada”, de acordo com as declarações do diretor clínico Rui Ferreira ao Jornal de Notícias. A unidade privada, criada pelo médico há onze anos, tem representação em Lisboa e Porto, com um laboratório na primeira e dois na segunda; mas o projeto não tardou em atravessar fronteiras e, hoje, está também presente no país vizinho, em Barcelona, e na Bélgica.

Essa necessidade apontada por Rui Ferreira traduz-se, atualmente, nas 1500 vidas salvas por mês, dentro e fora do país. Um número significativo que se justifica facilmente pelos mais de 10 mil cães e gatos dadores e aproximadamente 330 dádivas por semana. Antes do BSA operar, para se concretizar uma doação de sangue era preciso contactar diretamente um tutor de um dador e proceder a uma colheita de emergência. Nessa corrida contra o tempo, verificações como a análise de compatibilidade ou o despiste de eventuais doenças infecciosas careciam do rigor exigido.

O processo foi completamente renovado a partir da operacionalidade do BSA. Agora, as colheitas são feitas em cada uma das cidades — na capital portuguesa e na Invicta —, e depois enviadas para o terceiro laboratório, também no Porto. Já na Areosa, o sangue é separado em glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas, para se fazer o despiste de doenças infecciosas.

Ainda ao JN o diretor clínico do BSA garantiu que esta prática é “única no mundo”, uma vez que, regra geral, na medicina veterinária o despiste é feito uma vez por ano. O médico veterinário sublinhou, ainda, que Portugal é um dos países mais avançados em relação às transfusões de sangue em animais de estimação.

Além dos laboratórios, há mais 40 centros de armazenamento do banco de sangue no País. A recolha, essa, não podia ser mais simples. Demora à volta de 15 minutos e, segundo explica o médico Rui Ferreira, não é uma experiência dolorosa para os animais. Para serem dadores têm apenas de cumprir certos requisitos, a saber: os cães têm de ter mais de 20 quilos e os gatos três quilos (e cada um doa apenas para a sua espécie, claro está); têm de ter entre um e dez anos, ser saudáveis, não tomar qualquer tipo de medicação para lá dos desparasitantes, e não ter um histórico de doenças graves.

Em contraparte, os dadores são recompensados com rastreios anuais, vacinas, inserção de microchips e exames físicos oferecidos pelo BSA.

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