Saúde

Cães também podem ter transtorno obsessivo-compulsivo. O que fazer?

O TOC não atinge apenas os humanos, também se observa no comportamento canino. Descubra quais as raças mais propensas.
Estimule-o física e mentalmente.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), tal como muitas outras perturbações e doenças, não é exclusivo do ser humano. E pode, de facto, ser encontrado também no seu cão. Não falamos de algumas manias que os nossos amigos de quatro patas podem ter, mas sim de comportamentos repetitivos, constantes e sem propósito aparente. Se ficou preocupado e quer saber se a raça que tem em casa é propensa a este transtorno, veja a galeria no final do texto.

Este comportamento em caninos “pode ser caracterizado por correr em círculos (incluindo correr atrás da própria cauda), lambedura acral, lambedura dos flancos, corridas malucas, mordedura no ar – como se estivesse a abocanhar uma mosca, automutilação, vocalização, agressão e alotriofagia”, explica a médica veterinária brasileira Laíssa Santiago na sua página online.

As causas do TOC nos cães – neste caso, chamado também de transtorno compulsivo canino (TCC) – “podem ser de origem genética, médica ou mesmo comportamental. O diagnóstico é baseado na observação do comportamento, histórico detalhado, incluindo informações acerca do desenvolvimento do problema, histórico de toda vida do animal e descrição da situação na qual o comportamento surgiu inicialmente”, sublinha um estudo que se debruçou sobre o tema.

O comportamento compulsivo não é prazeroso, é apenas redutor de ansiedade – a sua principal causa, aponta Laíssa Santiago. Por isso, há que o tratar. E esse tratamento para o TOC baseia-se no tratamento farmacológico (ansiolíticos e/ou antidepressivos) e não farmacológico (comportamental).

Para um cão que tem um transtorno obsessivo-compulsivo, é difícil parar sozinho com aquele comportamento, que pode acabar por interferir com a sua capacidade para funcionar normalmente, adverte o American Kennel Club (AKC). Mas atenção que há muitos cães que evidenciam de vez em quando alguns destes comportamentos e isso não significa que tenham TOC.

Nem sempre é um transtorno obsessivo-compulsivo

“Muitos cães ladram mais, perseguem as suas caudas, correm em círculos quando estão felizes e mordem o ar. A chave é perceber se o fazem em situações esperadas, parando passado um bocado e conseguindo depois descansar e comer normalmente. Não tem tanto a ver com aquilo que fazem, mas sim em que medida o fazem e se são capazes de se controlar”, refere o mesmo artigo do AKC. Por exemplo, não há nada de anormal num cão que vai buscar uma bola vezes sem conta ou que corre em círculos quando está empolgado. Mas se correr em círculos todos os dias, durante várias horas, e não parecer conseguir parar, então é altura de procurar aconselhamento junto do médico veterinário, afirma.

Há quem considere que os cães podem ter comportamentos compulsivos, mas não obsessivos como o ser humano – daí haver quem prefira chamar-lhe apenas transtorno compulsivo canino. No entanto, o Manual Veterinário da Merck diz que os patudos “percecionam e experienciam preocupações, pelo que o termo obsessivo-compulsivo também tem sido usado para descrever esta perturbação nos cães”.

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Se o seu cão se lamber excessivamente, preste atenção.

Tem havido muita investigação em torno das causas deste comportamento canino e uma das áreas de estudo é o da relação genética. Segundo Jerry Klein, médico veterinário do AKC, embora qualquer raça possa desenvolver um transtorno compulsivo, algumas parecem ser mais suscetíveis a tipos específicos de comportamentos compulsivos.

A Cummings School of Veterinary Medicine, da Universidade Tufts, em Massachusetts (EUA), em conjunto com outras universidades, identificou um cromossoma que confere um elevado risco de suscetibilidade a distúrbios compulsivos nalgumas raças – e constatou que as anomalias estruturais encontradas no cérebro dos Doberman Pinschers com TOC eram similares às dos seres humanos com o mesmo transtorno.

Prevenção é o melhor remédio

Os investigadores que estudam as causas deste problema, tanto em cães como em pessoas, têm procurado identificar vias comuns e esperam conseguir criar testes genéticos que permitam uma intervenção mais rápida e um melhor tratamento em ambos os casos.

Além da causa genética, muitos veterinários e especialistas em comportamento animal acreditam que, nalguns cães, o transtorno compulsivo é uma reação extrema resultante da ausência de estímulos físicos e mentais, de grandes estados de ansiedade, do facto de nada terem para fazer, da frustração, excitação e falta de atenção.

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O seu amigo de quatro patas precisa de bons estímulos.

Consultar um especialista em comportamento canino poderá ajudá-lo a perceber de que forma pode travar estes transtornos e ensinar novos comportamentos ao seu patudo. E saliente-se que poderá ter de alterar o próprio ambiente em que o cão vive. Uma rotina previsível pode ajudar a reduzir a ansiedade, além que de o exercício físico e os desafios mentais são também uma boa ajuda para que o seu amigo de quatro patas liberte a energia.

Assim, terá sobretudo de promover atividade física regular, estímulos mentais e uma alimentação equilibrada para que o seu cão viva de forma saudável e sem stress. E quando estiver perante uma situação de TOC, terá de ter muita paciência – ele precisa de si.

“Ambiente domiciliar equilibrado, gasto de energia e boa alimentação são os três pontos principais para evitar que o cachorro desenvolva o TOC. O pet deve ter um cantinho aconchegante em casa, sentir-se protegido e amado. No caso de alguma ‘travessura’, o dono jamais deve usar violência física ou emocional”, destaca o “Canal do Pet”. “As atividades físicas devem ser feitas com regularidade. Caminhar, pular, brincar e correr são exercícios que aliviam a tensão acumulada e previnem depressão e ansiedade. Já a alimentação deve ser equilibrada e fornecer todos os nutrientes necessários”, acrescenta.

Os gatos também pode desenvolver TOC

E sabia que também o gato pode ter um transtorno obsessivo-compulsivo? Nestes casos, os sinais passam pela automutilação e correr atrás da cauda, lambedura de tecido ou lã, podendo alguns até comer a areia da caixa das necessidades, aponta a médica veterinária Laíssa Santiago.

As causas do TOC em gatos não são realmente conhecidas e, como tal, esta perturbação é geralmente caracterizada como um transtorno mental, embora possa ser iniciado pelo stress, frisa a plataforma “PetMD”. Também no caso dos felinos, a raça tem o seu papel, já que algumas são geneticamente predispostas a certos comportamentos obsessivo-compulsivos. “Siameses e outras raças asiáticas são particularmente conhecidas por esses tipos de comportamento”, refere a plataforma. Entre outros exemplos estão o Persa e o Sagrado da Birmânia.

Seja cão ou gato, este é um comportamento anormal, pelo que deve pedir a ajuda de um médico veterinário, complementando com as orientações de um especialista em comportamento animal. E sabia que nem todos os sintomas se revelam da mesma forma? Tal como nos gatos o Siamês é mais atreito, também nos cães, consoante as raças, pode haver comportamentos compulsivos mais ou menos comuns, explica um artigo da plataforma “Wag!”.

Percorra a galeria para saber quais são essas raças.

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