Saúde

Castração de cães e gatos — o que é que resolve? Veterinário explica

A castração pode ajudar em várias frentes: comportamentos a nível sexual ou territorial e até mesmo de agressividade.
Esterilizar traz muitas vantagens.

A esterilização – ou castração – de um animal não é um tema consensual. Há quem defenda, por exemplo, que uma cadela ou gata deve ter pelo menos uma ninhada, mas não há sustentação científica para essa ideia. Muito pelo contrário. Além disso, sabia que a castração pode acalmar os problemas comportamentais do seu cão ou gato?

O médico veterinário André Santos – do AniCura Restelo Hospital Veterinário (nova designação do Hospital Veterinário do Restelo) –, que partilha dicas e vídeos sobre os cuidados a ter com os pets, fez uma publicação no seu Instagram precisamente sobre este assunto.

Num curto vídeo, André Santos diz que uma das perguntas mais frequentes que lhe fazem é se a castração de cães e de gatos, de machos ou de fêmeas, vai resolver os problemas de comportamento a nível sexual, territorial ou de agressividade. E a resposta é sim, se bem que nem sempre na mesma medida. Vamos perceber porquê.

“Em primeiro lugar, os comportamentos de conduta sexual, no caso das fêmeas, ficam completamente resolvidos. No caso dos machos, demoramos seis semanas até 80 por cento dos comportamentos de ejaculação ficarem resolvidos”, explica. Já “no caso dos cães que montam pessoas ou outros cães, a castração vai resolver 50 a 70 por cento dos casos”, refere André Santos.

“No caso dos machos que costumam fugir de casa atrás das fêmeas, a castração resolve 75 por cento dos casos, no caso dos cães, e 95 por cento no caso dos gatos”, sublinha o médico veterinário. Mas há mais. O que sucede com os machos que marcam território com urina? “No caso dos cães, 50 por cento fica resolvido. No caso dos gatos, 90 por cento”. Por fim, a agressividade intersexual. “No caso das fêmeas, não faz sentido nenhum castrar”, afirma André Santos. “No caso dos machos, em cães resolve-se 60 por cento das vezes, e em gatos 90 por cento das vezes”.

Castração é benéfica em várias frentes

Além de prevenir muitas doenças, “a castração vai, assim, ajudar nalguns problemas comportamentais. Mas muitas vezes pode-se optar por fazer uma castração química, que dura cerca de seis a sete meses, e verificar se realmente a castração é a solução para o problema comportamental do seu animal”, aponta ainda André Santos. E deixa uma recomendação: “Fale com o seu médico funcionário e aconselhe-se sobre quais os melhores métodos de castração e qual a sua indicação”.

Numa outra publicação, André Santos tinha já falado sobre a esterilização em geral, sublinhando que “esterilizar ou castrar os nossos animais [machos e fêmeas] traz inúmeras vantagens”, mas que “devemos sempre falar com o médico veterinário para saber qual a melhor altura para o fazer”. Sim, porque cada caso é um caso.

E quais são, no geral, as vantagens da esterilização nas fêmeas? “Evitar gravidezes indesejadas, reduzir o risco de tumor do ovário e do útero, bem infeções uterinas, que são as piómetras”, explica o veterinário. E mais: “Nas fêmeas esterilizadas antes do primeiro cio, geralmente antes dos primeiros seis meses, há uma redução significativa do risco de cancro mamário”.

“Existem também vantagens de esterilizar um pouco mais tarde, algures entre o primeiro e o segundo cio, pela parte hormonal – que tem um efeito protetor contra determinados cancros, como osteossarcoma, linfoma, carcinoma prostático, e um efeito protetor contra determinadas doenças articulares”, aponta André Santos.

O veterinário salienta ainda que “há também um efeito protetor, de diminuição do risco de obesidade, porque quando se castra demasiado cedo a taxa metabólica diminui”. Percorra a galeria para saber mais sobre a esterilização dos nossos animais de companhia – bem como dos animais dos abrigos e colónias.

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