Saúde

Comida húmida que damos aos nossos pets polui tanto como conduzir 48 mil km por ano

Numa altura em que o combate às alterações climáticas é crucial, podemos fazer a nossa parte também na alimentação dos pets.
Seja mais amigo do ambiente.

Quem tem cães e gatos sabe que estes patitas tão especiais não dispensam um bom petisco. Até podem gostar muito da ração que comem, mas quando veem comida húmida… a alegria sente-se no corpo todo e eles têm como o demonstrar. O cão abana a cauda e parece que ri, enquanto o gato relaxa os bigodes para mostrar que gosta do que vê.

Dar um mimo destes, ocasionalmente, não tem qualquer problema. No entanto, se a alimentação do seu cão ou gato for exclusivamente à base de comida húmida – como terrinas ou “sopas” –, essa não é uma atitude muito amiga do ambiente.

Numa altura em que o combate às alterações climáticas está sob os holofotes de todo o mundo, o melhor mesmo é todos fazermos, na medida do possível, a nossa parte para um planeta mais saudável.

Em relação aos seus animais de companhia, reduzir a quantidade de comida húmida que lhe oferece já é um bom passo. É que alimentá-los diariamente com esse tipo de comida é uma prática que produz tanto dióxido de carbono como conduzir 48.000 quilómetros por ano – o que corresponde a libertar quase sete vezes mais CO2 do que com uma dieta de alimentos secos, como ração.

É esta a conclusão de um estudo realizado no Brasil pelo investigador Marcio Brunetto e três colegas da Faculdade de Medicina Veterinária e de Ciência Animal (Universidade de São Paulo), que decidiram analisar o impacto ambiental do regime alimentar dos nossos pets – nomeadamente as emissões de gases com efeito de estufa e o uso de terra e água.

Dar comida húmida menos frequentemente é ser amigo do ambiente

A equipa de investigadores estudou os regimes alimentares de 628 cães e 320 gatos no Brasil, tendo recorrido à ração e comida húmida à venda nos websites de três das maiores marcas brasileiras deste segmento.

Segundo as conclusões do estudo, comparando ambos os regimes alimentares, as dietas de comida seca fornecem uma maior quantidade de energia por grama, ao passo que as de comida húmida fornecem mais proteína.

Os investigadores também constataram que a comida húmida providencia quase o dobro da energia, no que diz respeito aos ingredientes de origem animal, por comparação com a comida seca – o que pode contribuir para o facto de terem um maior impacto ambiental.

A equipa estima que um cão de 10 quilos que consuma uma média de 534 calorias por dia é responsável por 828 quilos de CO2 por ano ao alimentar-se de comida seca. Esse valor sobe para 6.540 quilos de dióxido de carbono no caso da comida húmida. É uma diferença de 689 por cento.

Os autores do estudo sublinham que estas conclusões, publicadas a 17 de novembro na revista “Scientific Reports”, destacam o enorme impacto da comida para animais no ambiente, sendo por isso necessário tornar a alimentação dos pets mais sustentável.

Percorra a galeria para saber mais sobre a comida húmida e seca que damos aos nossos animais de companhia.

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