Saúde

Dia Mundial da Saúde Oral. Saiba como evitar a doença mais comum em cães e gatos

A PiT falou com Mónica Martins, especialista em estomatologia veterinária, para tirar as dúvidas sobre a doença periodontal.
Um sorriso saudável.

Provavelmente, já recebeu beijinhos do seu cão ou gato e sentiu aquele odor pouco agradável. Também já os deve ter levado para um limpeza dentária ou uma consulta para ver como estava o estado da boca. A saúde oral não é exclusiva dos humanos, e embora possa parecer complicado manter uma rotina correta de cuidados, a verdade é que é mais fácil do que parece — basta ter atenção e o patudo vai agradecer.

No dia em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Oral, a 20 de março, a PiT entrevistou a médica veterinária Mónica Martins, especialista em Estomatologia no AniCura Restelo Hospital Veterinário, em Lisboa, para conhecer as principais patologias que afetam os animais em Portugal, os sinais de alertas e como ajudar os cães e gatos a terem uma melhor qualidade de vida.

O mau hálito é um problema enfrentado pela maioria das famílias e, apesar de aparecer inofensivo, não é bem assim. Em termos médicos, a halitose é o primeiro sinal de alerta da doença periodontal, a patologia mais frequente em clínica de pequenos animais. De acordo com vários estudos, citados pela médica, cerca de 70 por cento dos gatos e 80 por cento dos cães apresentam algum grau de doença periodontal aos dois anos de idade.

A condição tende a ser mais comum em cães de raça pequena e miniatura, em especial aqueles com retenção de dentes decíduos, ou seja, dentes de leite que não caíram com o nascimento dos definitivos. “Estes devem ser removidos cirurgicamente, uma vez que não vão cair com o passar do tempo”, frisa. “São capazes de alterar a posição fisiológica dos definitivos, dentes que se vão encontrar muito próximos dos definitivos respetivos e vão aumentar a predisposição para acumulação de bactérias e consequentemente evolução da doença periodontal”.

Durante uma consulta em clínica, Mónica refere que é comum observar fraturas dentárias, sendo comum tanto em gatos como em cães de todos os tamanhos. As causas são várias, mas destacam-se os hábitos de mastigação incorretos, brinquedos inadequados ou secundário a traumas como quedas, atropelamentos ou agressividade entre animais.

Quando detetadas, são então divididas em não complicadas ou complicadas. “Quando ocorre envolvimento da polpa dentária,  devem ser tratadas, uma vez que causam dor e desconforto ao animal e podem originar abcessos dentários no ápice da raiz dos mesmos”, afirma.

No caso dos gatos, as lesões de reabsorção dentária (perda progressiva de tecidos dentários) são um dos principais problemas. Estas podem ser fisiológicas ou patológica, causada “por trauma, inflamação, infeção ou condições genéticas”. Além disso, ocorrem em diferentes zonas do dente como na coroa, na raíz ou em ambas. “Apenas podem ser diagnosticadas com realização de radiografias intraorais. Apesar de ser menos comum em cães, estes também apresentam lesões de reabsorção”.

Quais os sintomas e sinais de alerta?

Além da halitose, é importante estar atento à cavidade oral dos animais, especialmente nos seus dentes e gengivas. “Se estes forem saudáveis, devem apresentar-se sem deposição de tártaro e a gengiva deve ter tom rosa claro, sem sinais de inflamação”, aponta a médica veterinária. Caso não seja este o caso, a presença de tártaro e consequente gengivite podem indicar o início de uma doença.

“Em estádios mais avançados, é possível observar placas de tártaro que chegam a cobrir grande parte do dente, retração gengival, sangramento espontâneo da gengiva, dentes com mobilidade e até mesmo falta de dentes”, conta-nos Mónica.

Assim como nos humanos,  as alterações comportamentais, como a inquietação, falta de apetite ou dificuldade na mastigação e apreensão dos alimentos, inchaço facial, espirros e saliva com sangue podem ser outros sinais de alerta. “Em casos mais graves pode mesmo ocorrer fraturas de mandibula, sendo estas mais comuns em animais de porte pequeno e miniatura”, avança.

Como evitar as doenças orais?

O primeiro passo é observar regularmente a cavidade oral dos companheiros de quatro patas. E no caso de notar qualquer um dos sintomas referidos, é importante deslocar-se ao seu veterinário. Outro ponto essencial é manter boas práticas de higiene oral diária e cuidados veterinários regulares

.”Escovar os dentes diariamente, optar por uma alimentação cuidada e utilizar brinquedos e snacks indicados para a higiene oral são alguns hábitos simples, mas fundamentais para manter a saúde oral dos nossos animais de companhia”, garante Mónica. “A juntar a estes passos, não descurar as visitas regulares ao médico veterinário”.

A especialista em Estomatologia Veterinária aponta que os animais devem ter a saúde oral avaliada pelo menos uma vez por ano. “Nestas consultas, são observadas as estruturas que envolvem a cavidade oral, como não só os dentes, gengivas, mucosa oral, língua, entre outros, como também estruturas fora da cavidade, como músculos faciais [capazes de criar assimetrias faciais], presença de inchaços em alguma zona da cabeça ao redor da cavidade oral e dimensão dos linfonodos regionais”.

Manter uma boa e correta alimentação e ter maior atenção aos brinquedos adequados para determinados tamanhos e raças são outros dois pontos essenciais.

De seguida, carregue na galeria para saber mais sobre a saúde oral do seu amigo de quatro patas.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT