Saúde

Diabetes nos cães está a aumentar em Portugal. Conhece os sintomas?

Há formas de despistar a doença em estado inicial ou, até, de preveni-la. A alimentação é a chave, e os açúcares são o inimigo.
Das cataratas às infeções urinárias, os sintomas são perceptíveis.

A incidência de diabetes nos cães ainda é reduzida, mas em Portugal tem vindo a aumentar, aponta Helio Duarte Oliveira, médico veterinário na HD CardioScan. “É uma doenca grave que, dependendo da fase e do tipo, pode ser mais ou menos difícil de controlar”, explica à PiT.

O excesso de peso, a má alimentação e o sedentarismo são fatores críticos neste aumento de casos verificado nos últimos anos. Até porque, como se sabe pela experiência humana, este tipo de doença é potenciado, em grande medida, pelo estilo de vida e pelos hábitos alimentares. E, apesar de hoje ser uma condição clínica perfeitamente controlável, não deixa de ser uma doença perigosa também para a saúde dos animais domésticos.

“É uma doença cada vez mais diagnosticada, tanto pela capacidade de diagnostico que tem vindo a aumentar, como pela obesidade cada vez mais frequentemente identificada nos animais de companhia”, revela Helio Oliveira.

Assim como nos humanos, a diabetes canina, sinteticamente resumida, desenvolve-se quando o pâncreas deixa de produzir (ou não produz suficientemente) insulina — uma hormona que regula os níveis de glicose no sangue. E também nos cães há dois tipos de diabetes: o tipo I (o mais comum), que é quando o órgão responsável pela produção de insulina deixa de o fazer; tipo II (especialmente incidente em cães obesos), quando essa produção se revela insuficiente ou ineficaz. Há ainda um terceiro tipo, que afeta os cães em raríssimos casos como a desregulação de hormonas durante a gravidez ou consequência de tumores, de acordo com Corinne Wigfal, médica veterinária formada na Universidade de Nottingham, no Reino Unido.

Fatores de risco e sinais de doença

A diabetes tem maior probabilidade de surgir a partir dos quatro anos de idade, sobretudo nas fêmeas. Fatores como a obesidade ou a pancreatite crónica são propensos ao desenvolvimento desta doença. E a incidência também varia entre raças; as mais suscetíveis de padecer desta condição clínica são Poodles, Pugs, Beagles, Dachshunds (ou cão-salsicha), Schnauzers, Samoyeds e Keeshonds (variações do Spitz alemão), e alguns Terriers, como o Australiano, o Fox ou o Cairn. Mas nenhuma raça está livre deste mal, sobretudo se os maus hábitos alimentares e o excesso de peso

A perda de peso repentina e acelerada, mesmo a comer as quantidades normais diárias, é um forte indício do possível surgimento da diabetes. Mas, de acordo com Helio Duarte Oliveira, há outros: o aumento significativo da sede (polidipsia), a perda de visão e o aparecimento de cataratas nos olhos, ou infeções urinárias e, consequentemente, o aumento injustificado de “idas à casa de banho” — ou, termo científico, poliúria.

Já em relação aos sintomas definitivos, quando a diabetes, ainda por despistar, já se encontra em estado avançado, sinais como a falta de energia, um estado de apatia caracterizado por depressivo, a perda do apetite, ou a permanência de vómitos, concorrem para o diagnóstico em causa.

Assim, as recomendações dos médicos veterinários são claros: ter especial atenção a sinais — e, caso apareçam, que os cães sejam levados a consulta — como a hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue), visível na fraqueza, na sonolência, na falta de energia em geral; o cicio urinário, designadamente um número anormal de vezes que o cão urina e a manifestação de infeções urinárias cíclicas; o aparecimento de cataratas — visível através do esbranquiçar da íris, negra quando saudável —, que em 75 por cento dos casos positivos à diabetes se revela um sintoma determinante da doença.

O meu cão tem diabetes. E agora?

Apesar de ser uma condição sem cura, é possível viver uma longa vida com diabetes. Isto vale não só para humanos, mas também para os patudos. E, à semelhança do tratamento diário que as pessoas com esta condição estão sujeitas, também os cães diabéticos têm de tomar injeções de insulina diariamente. A diferença é que, para eles, as agulhas são ainda mais pequenas; a parecença é que a “pica” não dói nada. Segundo Helio Duarte Oliveira, além das formulações injetáveis, há comprimidos indicados à medicação necessária desta condição. E já existem, também, rações diabéticas, “que ajudam imenso a controlar os índices glicémicos e a probabilidade de desenvolvimento de pancreatite”, explica o médico veterinário português.

É ainda recomendável a medição regular dos níveis de açúcar no sangue dos caninos. E, de resto, devem adotar-se práticas consentâneas com esta condição ao nível da alimentação. Assim, uma dieta rica em fibras solúveis e baixa em gorduras é o ideal. Além disso, a hidratação constante é fundamental, o acompanhamento pormenorizado das refeições é essencial, a implementação de horários fixos e definidos para as mesmas é imprescindível, e a suplementação à base de carnitina — elemento preponderante no transporte e armazenamento de gorduras — pode ser benéfico.

E, quando a genética não dita o diagnóstico, há sempre formas de prevenir o aparecimento da diabetes. Basta cortar nas comidas “caseiras” (sim, os restos das nossas refeições nem sempre são saudáveis para eles) e nos alimentos com elevados teores de açúcares e gorduras, promover o exercício físico regular, controlar o peso, e, no caso das fêmeas, optar pela esterilização, se não houver planos de procriação. Esta é a única medida que diferencia o comportamento preventivo aplicável a humanos e cães. As restantes podem e devem ser adotadas por ambas as espécies. De preferência, juntas.

Carregue na galeria e reveja alguns dos principais sinais e dicas a ter em atenção.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT

-->