Saúde

Fadiga do bigode — como evitar que o gato lá de casa fique em stress

Um comedouro inadequado pode ser suficiente para deixar o seu bichano incomodado. Ele precisa de ter as “antenas no ar”.
Foto: Master1305. Freepik

Quem tem gatos sabe que praticamente todos eles partilham uma característica curiosa: comem os grãos da ração que estão no meio da taça e, por norma, deixam ficar os que ladeiam o comedouro. Há quem pense que se trata apenas de uma mania – mas uma mania comum a toda a espécie, sem qualquer explicação, seria excessivo. O que está, então em causa? A fadiga do bigode.

A expressão parece estranha, mas não é invenção nem uma nova moda – se bem que seja um termo relativamente recente. É este o nome que se dá quando a hipersensibilidade dos bigodes dos felinos leva a que não queiram comer ou adotem comportamentos alimentares estranhos quando os seus bigodes roçam as laterais de comedouros que não são adequados para eles.

“Se reparar que o seu gato começa subitamente a ‘desarrumar’ a ração, atirando os grãos para fora da taça e preferindo comer do chão, ou que se mostra mais minucioso com a sua comida, poderemos poder estar perante a fadiga do bigode – ou o stress do bigode”, sublinha a médica veterinária norte-americana Sarah Wooten na plataforma “PetMD”.

Os bigodes – ou as vibrisssas – são órgãos sensoriais que funcionam como antenas e que os gatos usam para recolher informação sobre o ambiente que os rodeia. Através deles, os nossos miaus compilam e enviam informações ao cérebro, servindo para comunicarem, procurarem comida, caçarem, calcularem distâncias e espaços, movimentarem-se no escuro e expressarem as suas emoções. Dependendo da posição dos bigodes, é possível sabermos, por exemplo, se estão tranquilos, assustados, zangados ou em estado de alerta. E, por isso mesmo, não gostam muito que “mexam com o seu bigode”.

Contra a fadiga do bigode, escolha comedouro certo

É precisamente isso que acontece quando os comedouros não são adequados. As terminações nervosas dos bigodes levam a que os bichanos se sintam incomodados por estes estarem sempre a roçar nas taças, caso estas sejam muito fundas ou com bordas estreitas. “Como os bigodes estão constantemente a transmitir informação, existe esta teoria de que comedouros pouco adequados possam levar à fadiga do bigode”, salienta Sarah Wooten. O que pode também levar a que o gato deixe de se alimentar devidamente, o mesmo acontecendo com a ingestão de água se a taça também não for a certa – e é sabido que, dada a propensão para problemas renais, os felinos devem hidratar-se bem.

Assim, o recomendável é que a comida seja servida em recipientes planos e largos para que não se torne desconfortável para eles. “Pensemos na fadiga do bigode como um excesso de informação que stressa o seu gato, já que os seus bigodes são tão sensíveis que conseguem identificar quaisquer alterações subtis no movimento e pressão”, acrescenta a médica veterinária.

Sarah Wooten ressalva, contudo, que este conceito é relativamente novo – e também controverso. “Nem todos os veterinários acreditam que a fadiga do bigode seja um conceito válido e ainda não há muitos estudos que atestem a sua existência”, afirma. Será, certamente, um tópico de que continuaremos a ouvir falar, à medida que comece a haver maior investigação em torno daquilo a que se pode chamar de um distúrbio e não doença.

Tipo de material também é importante 

Seja como for, o melhor é que forneça comedouros adequados aos seus felinos. E isso também passa por ajudar a que os seus bigodes não estejam sempre a roçar na taça. Por isso, recomenda a médica veterinária norte-americana Karie Johnson, da Purina, “as taças devem ser largas e rasas, e idealmente em materiais como vidro, aço inoxidável ou cerâmica para evitar a fadiga do bigode”.

E, claro, é impensável cortar os bigodes do seu gato. Estas “antenas” são indispensáveis para o seu bem-estar, orientação e comunicação – daí que precise de as “ter no ar”. Percorra a galeria e saiba um pouco mais sobre as bigodaças dos gatos e o que elas podem significar.

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