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IA e ChatGPT ajudam tutor a criar vacina que salvou a sua cadela do cancro

Quando Rosie foi diagnosticada com um cancro incurável, Paul recusou desistir. E fez bem. Graças à tecnologia.

Com apenas cinco anos, Rosie adoeceu. Cansada e debilitada, foi diagnosticada com um cancro agressivo e incurável. Os médicos estimavam que ela teria apenas mais alguns meses de vida. “Descobrir foi simplesmente devastador”, diz Paul Conyngham, consultor de Inteligência Artificial e dono de Rosie. “Ela é a minha melhor amiga.”

Felizmente, Paul recusou-se a aceitar esta possibilidade e recorreu à Inteligência Artificial e ao ChatGPT para tentar salvar a sua cadela. O resultado? Uma abordagem inovadora que pode abrir portas para o futuro da medicina, tanto veterinária como humana.

Uma luta contra o tempo

Abandonada numa zona de mato, Rosie, cruzamento de Staffy com Shar Pei, foi adotada pelo empreendedor tecnológico de Sydney Paul Conyngham, em 2019.

Em 2024, Rosie foi diagnosticada com cancro de mastócitos, uma forma agressiva de tumor em cães, e Paul gastou milhares de dólares em quimioterapia veterinária e cirurgias, que abrandaram, mas não conseguiram reduzir o tumor, noticia o jornal The Australian.

Foi aí que Paul Conyngham decidiu ir mais longe. Sem formação em biologia, mas com experiência em dados e Inteligência Artificial, o dono de Rosie fez algo fora do comum: usou o ChatGPT para explorar possíveis soluções médicas.

O ChatGPT sugeriu a imunoterapia e direcionou Conyngham para o Centro Ramaciotti de Genómica da Universidade de New South Wales (UNSW).

A partir daí, teve início um processo altamente técnico: sequenciação do ADN saudável e do tumor, identificação de mutações específicas e uso de algoritmos para encontrar alvos terapêuticos.

Com apoio de cientistas do Centro Ramaciotti de Genómica, conseguiu transformar dados genéticos numa ideia concreta: uma vacina personalizada de mRNA contra o cancro.

Fazer um puzzle com mil milhões de peças

“Parecia uma ideia louca, mas pensei que valia a pena tentar”, recorda Paul. O tutor entrou em contacto com o Centro Ramaciotti de Genómica e com o seu diretor, o Professor Associado Martin Smith, pedindo-lhes para sequenciar o genoma de Rosie.

Os ficheiros entregues pelo Centro Ramaciotti a Paul continham cerca de 150 mil milhões de letras de ADN — uma sequência aparentemente interminável e incompreensível de letras. Paul diz que juntar tudo foi como “fazer um puzzle que foi atirado ao chão, mas com mil milhões de peças.”

Mas, com esses dados, Paul construiu uma representação molecular de Rosie e do seu cancro — um esforço gigantesco para alguém sem qualquer formação em bioinformática.

Vacina de mRNA personalizada contra o cancro de Rosie

Enquanto Paul analisava os ficheiros, o cancro de Rosie continuava a progredir. Múltiplas cirurgias de redução tumoral e tratamentos, incluindo quimioterapia e imunoterapia, deixaram-na muito debilitada. O tempo de Rosie estava a esgotar-se.

Mas, com a ajuda da Inteligência Artificial, Paul percebeu que já tinha tudo o que precisava para criar uma vacina de mRNA totalmente personalizada contra o cancro de Rosie. “A partir da sequência de ADN, já sabíamos quais as partes do ADN da Rosie que estavam alteradas”, explica Paul.

Munido da “receita” para uma vacina personalizada contra o cancro, Paul procurou o Instituto de RNA da UNSW para que a vacina fosse produzida.

Após a administração da vacina personalizada um dos tumores de Rosie reduziu cerca de 50 por cento, a sua energia aumentou significativamente e o seu bem-estar geral melhorou visivelmente. 

Martin Smith diz que este caso oferece uma visão de quão fácil poderá tornar-se administrar este tipo de tratamento. “Num período de três meses, passámos de quase nenhuma esperança para resultados concretos num organismo vivo”, afirma. “Isso é absolutamente fantástico.”

Próximos passos

O tumor de Rosie não desapareceu completamente, mas ela está muito mais confortável e ativa. “Ela parece muito mais feliz e saudável.”

Inspirado pelo resultado, Conyngham está agora a trabalhar numa segunda vacina, direcionada para um tumor que não respondeu ao primeiro tratamento. Ele acredita que, no futuro, algumas formas de cancro poderão passar de sentenças de morte para doenças controláveis, graças a terapias personalizadas.

O tratamento já custou dezenas de milhares de dólares, mas ele não se arrepende. “Ela esteve comigo em momentos muito difíceis, dando amor incondicional. Ela é a minha melhor amiga.”

Saia mais sobre a história de Rosie neste link.

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