Saúde

Lagarta do pinheiro já anda por aí. Tenha cuidado nos passeios com o seu cão

Inchaço no focinho, vómitos, salivação excessiva e dificuldade em engolir, urticária ou apatia. Esteja atento a estes sintomas.
Cuidado com os passeios pelos pinhais.

Em todas as estações, há perigos específicos na natureza à espreita dos nossos animais. Neste período de inverno, um dos mais conhecidos é a processionária, vulgarmente conhecida como lagarta do pinheiro. Já começou a surgir em várias zonas do país, como Setúbal, Algés, Cascais, Torres Vedras, Castanheira do Ribatejo e Lagos, e há que ter muita atenção ao passear o seu cão, pois os riscos são grandes para o seu patudo se houver contacto – podendo mesmo vir a ser fatal.

Por norma, é entre janeiro e maio que as lagartas do pinheiro saem dos ninhos, diretas para o solo. Mas há quem só comece a despertar para este perigo em inícios da primavera, por ser o período em que começam a aparecer de forma mais consistente longas filas de lagartas no chão – a que se chama de “procissão”.

A partir de dezembro, e às vezes até mais cedo, já começam a avistar-se claramente os “casulos” e em janeiro – se as condições forem favoráveis – as lagartas podem começar a descer dos pinheiros e cedros, também em fila, para se enterrarem no solo e continuarem o seu desenvolvimento até passarem a borboleta.

E por que motivo podem as lagartas começar a descer mais cedo das árvores? Os invernos secos e de céu descoberto aceleram o ciclo, pelo que este ano já começam a ver-se no chão.

Estas lagartas alimentam-se das agulhas do pinheiro e de outras coníferas e constroem o ninho nas extremidades dos ramos. Cobertas de pelos urticantes, são um perigo para os nossos cães, que rapidamente podem perder parte da língua ou mesmo morrer se os sintomas não forem detetados a tempo de os levar rapidamente ao veterinário.

É na altura em que se passeiam em procissão que mais chamam a atenção dos cães, que ficam curiosos com o movimento daqueles insetos de tom alaranjado e aspeto inofensivo. Mas a verdade é que são bastante perigosas para o seu animal.

“A lagarta do pinheiro possui uma toxina nos seus pelos – que constituem a sua proteção externa – e que tem a capacidade de produzir uma reação alérgica grave”, conforme explicou à PiT a médica veterinária Susana Valadas Azinheira, diretora clínica do AniCura Alma Veterinária – Hospital.

Língua pode ser muito afetada pela lagarta do pinheiro

E como? “Pelo seu carácter curioso, os cães contactam com a lagarta pela mucosa oral e língua, produzindo localmente uma inflamação muito exuberante que induz um inchaço (edema) marcado e que pode evoluir para necrose da língua e reação anafilática grave”, acrescenta a médica veterinária. Pode mesmo ser fatal.

Quando vemos estas filas de lagartas, temos a tendência natural de nos afastarmos, mas isso não acontece com os nossos cães – que sentem uma grande curiosidade. Quando se aproximam para as cheirar, esse contacto pode então a uma obstrução das vias aéreas e provocar necrose na língua do seu patudo. Por isso, atenções redobradas a partir de agora e evite zonas onde haja pinheiros e e outras árvores “resinosas”.

“No caso de o tutor identificar um edema súbito da língua ou salivação excessiva após passeio, deve dirigir-se com urgência ao seu médico veterinário”, sublinha Susana Valadas Azinheira.

Percorra a galeria para saber mais sobre a lagarta do pinheiro.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT