Saúde

Leish quê? Conheça a doença da “picada do mosquito” que pode ser mortal

A fêmea da chamada mosca-da-areia, um inseto minúsculo com dois a três milímetros, "ataca" o seu cão e infeta-o. Proteja-o.
Coleiras anti-mosquitos ajudam a prevenir.

Os cães são amigos leais, companheiros e danados para a brincadeira. Mas sabe que há zonas onde a brincadeira pode ser fatal? É uma realidade e estamos a falar da leishmaniose, uma “doença causada por um parasita (Leishmania infantum) que afeta os cães”, explica a veterinária Liliana Dias. Sem tratamento, é fatal, pelo que é preciso estar alerta, saber um pouco sobre a doença, sintomas e formas de prevenir a infeção. 

Em Portugal, a leishmaniose canina está bastante ativa. Mas se há uns anos era um bicho de sete cabeças e motivo para se abordar a questão da eutanásia, hoje em dia já não é assim. Há tratamentos mais eficazes, se bem que dispendiosos, e também mais formas de prevenção.

Mas como é que um cão apanha leishmaniose? A” doença é transmitida pela picada da fêmea de um inseto chamado flebótomo, também conhecido como mosca-da-areia — mas que se assemelha muito ao mosquito. É, aliás, comum ouvir a expressão ‘picada do mosquito’ quando se fala de leishmaniose“, observa a veterinária, responsável pela Clínica Veterinária Dra. Liliana Dias.

Uma vez que atinge grande parte de todo o território continental português com índices significativos, a leishmaniose é considerada uma doença endémica no País, sendo que as regiões mais afetadas são Trás-os-Montes e Alto Douro, grande parte das Beiras, Ribatejo e Alentejo, a região metropolitana de Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve, segundo os dados do ONLeish — Observatório Nacional das Leishmanioses.

“Apesar de em Portugal existirem três focos endémicos principais, que são a região do Alto Douro, Área Metropolitana de Lisboa e Algarve, a doença está um pouco presente em todo o território. As condições climatéricas e geográficas adequadas para a multiplicação dos flebótomos podem encontrar-se um pouco por todo o País”, explica à PiT a médica veterinária. 

E por isso, “as pessoas precisam de ter noção dos focos quando vão de férias. Quando regressam, às vezes têm surpresas desagradáveis. É importante falarem com o médico veterinário antes de irem de férias se os vão levar para outras zonas do país ou até para Espanha”, acrescenta a responsável da Clínica Veterinária Dra. Liliana Dias.

Estas moscas-da-areia encontram-se com mais frequência junto a lixeiras, solos com muitas folhas secas ou zonas húmidas com muita florestação, e são mais ativas nos meses mais quentes do ano, entre junho e setembro. Gostam mais de se alimentar ao amanhecer ou ao final do dia — o que não implica que não haja perigo noutras alturas do dia. O pico da sua atividade é ao anoitecer, com temperaturas mínimas entre os 18 e os 22 graus.

Quando picam, estes insetos voadores muito pequenos, quase microscópicos, deixam o parasita no cão, que fica então infetado. A leishmaniose pode assumir duas formas: ou atinge a pele ou os órgãos internos. A leishmaniose visceral canina é a mais grave, uma vez que compromete os rins e o fígado.

Quais os sinais da leishmaniose?

E como descobrir se o seu amigo de quatro patas está infetado? São necessários exames veterinários para ter o diagnóstico, mas há sintomas a que deve estar atento: febre, perda de peso, de pelo (alopécia) e de apetite, feridas na pele que não cicatrizam e feridas nos bordos das orelhas, apatia, debilidade, problemas oculares e crescimento anormal das unhas. Numa fase mais avançada, o cão começa a beber muita água e a urinar muito — é quando começam a observar-se sinais de insuficiência renal crónica.

Sobre a doença, explica que “tem tratamento, mas não tem cura, é para toda a vida”. Fica dispendioso, mas é gerível “se o dono tiver alguma disponibilidade financeira”.

E como se pode apostar na prevenção? Há várias formas, diz Liliana Dias. “Há a coleira Scalibor, que faz efeito durante 12 meses para os mosquitos — e agora saiu a Leishcollar, que é semelhante. Há também a vacina Letifend, em que o cão recebe uma só dose da primeira vez e depois reforços anuais. E há o xarope Leisguard, que reduz o risco de infeção ativa e doença clínica em caso de contacto com o serotipo de Leishmania mais frequente em Portugal e que também controla a progressão da doença em estadios iniciais”. 

Perante o perigo desta doença, é fulcral que os donos apostem na prevenção, pois assim o cão estará mais protegido. E importa não esquecer que o risco é maior nas regiões de prevalência elevada da leishmaniose e onde as condições climáticas são mais favoráveis ao inseto. Além de que ficar fora de casa nas horas de maior perigo é um risco adicional.

Carregue na galeria para saber mais sobre a leishmaniose.

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