Saúde

Morgan e Keeper ganharam nova vida com a alimentação saudável. E assim nasceu a Mokee

Surgiu por necessidade e afirma-se agora como sonho em concretização. Mudar o paradigma da alimentação canina é a missão.
Desde traumas a problemas gastrointestinais, tudo se resolve pela alimentação.

Helena Pegado, 50 anos, é gestora de recursos humanos a tempo inteiro, estando à frente da sua própria empresa de formação e consultoria nessa área, na zona do Grande Porto, em Matosinhos. Entrou no ramo da alimentação saudável para cães por acaso, mas ficou por convicção. Ainda que, por enquanto, apenas nos tempos livres.

Grande parte desses tempos livres é dedicada aos seus dois cães: Morgan, de 11 anos, e Keeper, de 10, ambos de raça Weimaraner. Mokee é a junção dos dois nomes, mas a cara da marca é a mais velha, já que foi por e com ela que o projeto ganhou pernas para andar.

“Eu adoptei a cadela em 2015, tinha ela quatro anos. O criador pediu-me para eu tentar recuperá-la de um trauma que ela tinha sofrido. Nessa altura andei à procura de tudo o que pudesse ajudar e fui bater na alimentação natural”, começa por contar a tutora de Morgan.

Em Portugal a informação sobre este tipo de alimentação era escassa, mas Helena encontrou várias fontes de estudo a partir do Brasil. “Uma das coisas que descobri foi que, tal como para nós, a alimentação processada mexe com o cérebro. A partir daí mudei a alimentação da Morgan — ela deixou de comer ração em finais de 2015, inícios de 2016″ — transição feita, em definitivo, em época de São Valentim: “O presente do Dia dos Namorados foi uma arca frigorífica para a comida da Morgan”, revela entre risos.

Keeper foi adoptado, ao mesmo criador, dois anos depois de Morgan, tendo apenas um ano de diferença para a “irmã”. A alimentação foi igualmente determinante neste segundo filho de quatro patas de Helena, por razões ainda mais flagrantes, como a própria conta: “O Keeper tinha imensos problemas gastrointestinais. Fiz a transição da alimentação — deixou de comer ração para comer BARF —, mas não havia guloseimas que eu lhe pudesse dar que não fizessem mal. Foi nessa altura que comecei a fazer cursos de alimentação natural e, depois de perceber essa parte, de confecção de petiscos.” Cursos esses que não substituíram o devido acompanhamento veterinário: “Eu tenho uma [médica] veterinária que faz o acompanhamento da alimentação deles; é ela que prescreve a alimentação — quais são as doses e que tipo de alimentos — que eles devem ter.”

A marca e os produtos

Daqui à Mokee foi um processo natural, ainda que compassado. Helena começou por levar os seus primeiros biscoitos à escola de obediência que Morgan e Keeper frequentavam — biscoitos esses que “faziam imenso sucesso”, garante a cozinheira. Rapidamente, os outros tutores incentivaram-na a fazer biscoitos também para os seus cães. A ideia começou a germinar a partir daí: “Um dia eu vou fazer isto”, projetava na altura.

A 14 de Julho passado, Morgan completou 11 anos. Foi também este ano que Keeper atingiu uma década de vida. E para Helena a hora determinante havia chegado; não podia esperar mais. “Comecei a pensar que, se calhar, gostava que houvesse uma marca com eles ainda vivos.” Isto porque os cães de raça Weimaraner têm uma esperança média de vida de 11 a 13 anos. “Ia ser este ano, ia dar a conhecer a marca ao mundo no dia em que a minha cadela fizesse 11 anos.” E assim foi. Foi só uma questão de oficializar, divulgar e passar a comercializar. “Tudo o que eu divulguei já faço há muito tempo para eles”, explica a criadora da Mokee.

A marca viu-se registada meia dúzia de dias antes da conversa com a PiT. Mas a divulgação da Mokee já era feita; o selo de qualidade já vinha impresso em bolachas de canela, com a cara de Morgan e a fusão dos nomes das mascotes estampadas na massa. Há, ainda, nestas embalagens agora à venda ao público biscoitos em forma de pata e de osso. Mas são os ingredientes e os processos por trás destas iguarias que fazem toda a diferença no produto.

Os processos, intimamente relacionados com a dieta BARF, passam, sobretudo, pela desidratação de alimentos — de fígados de frango (uma perdição para qualquer canídeo) a corações de vaca. Ainda assim, se nem só de pão vive o homem, nem só de carne vive o cão. “Eu tento sempre, naqueles [produtos] que são trabalhados, ter ingredientes que tenham alguma componente que beneficiem a saúde. É o caso das “chips de frango”, que levam curcuma (também conhecido por açafrão-da-terra ou açafrão-da-Índia) — um anti-inflamatório natural — e sementes de sésamo (ricas em fibras e antioxidantes). Os biscoitos de sardinha também levam curcuma, ao contrário dos de atum, que ora são complementados com beterraba (com propriedades benéficas, como cálcio, ferro e minerais) ora com spirulina — uma alga rica em proteínas e vitaminas.

Na confeção, “é feita uma pasta no processador, e depois é desidratada num mínimo de 12 horas”. É esse processo de desidratação que garante a conservação destes alimentos. O que significa que até os biscoitos são desidratados depois de feitos. E para os patudos mais gulosos, também há gomas: “Eu costumo dizer que são os meus Ferrero Rocher. E só as comercializo entre Outubro e Maio, porque são feitas com caldo de osso e gelatina animal, por isso, com o calor, acabam por perder propriedades.” Aliás, a própria confecção é feita depois da confirmação da encomenda, para que essas propriedades não se percam entretanto.

Saúde sem segredos

Os processos são outros — seguramente diferentes daqueles levados a cabo no tratamento dos alimentos saturados. E, à semelhança das campanhas norte-americanas sobre os benefícios do tabaco para a saúde humana, validadas por médicos na década de 50 do século XX, a ração sempre foi (e, para grande parte, ainda é) considerada a base da alimentação canina. Mas o paradigma aponta para a progressiva mudança, assim o testemunha Helena: “Já há veterinários que vêem nesta alimentação a mais adequada — fazia-me muita confusão os veterinários serem os únicos médicos que diziam que comida processada era melhor que comida natural. Embora a maior parte continue a dizer que não consegue fazer esse acompanhamento, porque não tem conhecimentos, hoje já há uma abertura maior.”

Os resultados falam por si. Os medos de Morgan, com carinho e boa tigela, foram-se dissipando. Os problemas gastrointestinais de Keeper foram erradicados de vez. E em ambos os sinais de vitalidade consequentes da alimentação são flagrantes: “Qualidade do pêlo; quantidade e cheiro das fezes — muito menos quantidade e quase sem cheiro; as orelhas, que tinham de ser limpas de semana a semana, passo meses sem ter de as limpar”, e por aí fora, presume-se.

Em Matosinhos, já toda a gente conhece o Keeper e a Morgan. E, quando eles passeiam na rua, não deixam de surpreender quem lhes pergunta pela idade. “As pessoas virem ter comigo e ficarem super-admiradas quando digo que eles têm 10 e 11 anos é das coisas que mais noto que tem a ver com a alimentação”, confidencia a dona. Realmente, é verdade o que se diz a este respeito: somos mesmo o que comemos.

E quanto à Mokee, que futuro lhe reserva? Estrada para andar e cães para alimentar, para começar. “Acima de tudo, por eu acreditar que estou a fazer bem aos cães”, reforça Helena. E foi precisamente a partir dessa premissa que tudo começou: “A marca é um agradecimento, um tributo, ao caminho que eles permitiram que eu fizesse com eles.” Agradecidos são também eles, certamente.

Carregue na galeria e conheça as opções saudáveis produzidas pela Mokee – Dog Treats.

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