Saúde

Novo estudo. Castrar demasiado cedo pode trazer riscos sérios a alguns cães

Investigadores atualizaram orientações sobre quando castrar e esterilizar, pois há raças que podem ter graves problemas de saúde
Pastor Australiano pode ser castrado aos seis meses.

Quando entra um cão bebé nas nossas vidas, todos os cuidados são poucos para que cresça de forma saudável e possa vir a ter um percurso longo ao nosso lado. Além de todos os preparativos necessários em casa, com o devido enxoval, há que seguir à risca os conselhos dos veterinários, bem como ter a desparasitação e as vacinas em dia. E para evitar ninhadas indesejadas e proteger os cães de algumas doenças, a castração (nos machos) e a esterilização (nas fêmeas) são procedimentos a ter em conta. No entanto, sabia que se o fizer demasiado cedo, pode estar a colocar em risco a saúde do seu animal?

É precisamente isso que diz uma equipa de investigadores da  Universidade da Califórnia – Davis (UC Davis), nos Estados Unidos. Isto depois de ter analisado os efeitos deste procedimento cirúrgico em cinco novas raças, que se juntam a outras 35 estudadas ao longo de mais de uma década.

40 raças de cães estudadas

No estudo, publicado na revista científica “Frontiers in Veterinary Science”, os investigadores atualizaram assim a suas orientações. Para isso, divulgaram uma nova lista onde dizem quando se deve castrar e esterilizar 40 populares variedades de cães, por raça e sexo.

A investigação – que começou em 2013 e que indicava, por exemplo, que castrar Golden Retrievers demasiado cedo aumenta o risco de alguns problemas articulares e determinados tipos de cancro – analisou agora os efeitos desta cirurgia em cães com menos de um ano de idade nas seguintes raças: Braco Alemão de pelo cerdoso/de arame (também conhecido por Drahthaar) e de pelo curto; Mastiff; Terra-Nova; Leão da Rodésia; e Husky Siberiano.

Os principais autores do estudo – os professores Lynette Hart e Benjamin Hart, da Faculdade de Medicina Veterinária da UC Davis – já analisaram, ao longo da última década, os dados de milhares de cães que foram tratados no hospital veterinário da universidade. O seu objetivo é facultarem aos donos mais informação para poderem tomar a melhor decisão no que respeita à castração dos seus animais.

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Fêmeas Terra-Nova têm mais riscos problemas articulares. Foto: Freepik

Problemas articulares nalguns casos

No que toca às mais recentes raças estudadas, os investigadores concluíram que a castração/esterilização, se for realizada muito cedo, pode trazer o risco de problemas articulares nos machos e fêmeas dos dois tipo de Braco Alemão (de pelo curto e pelo cerdoso), bem como nos machos Mastiff. Também as fêmeas Terra-Nova evidenciaram riscos acrescidos de problemas nas articulações quando eram esterilizadas muito cedo.

Mas não só. A esterilização em fêmeas Leão da Rodésia, quando é feita demasiado cedo, aumenta o risco de tumores celulares, constata o estudo. Por seu lado, não houve riscos significativos observados no Husly Siberiano, se bem que há a indicação de alguns problemas nas fêmeas que passam demasiado cedo por esta cirurgia.

A investigação não diz que é de evitar este procedimento – apenas que ele deve ser feito tendo em conta estas especificidades. A título de exemplo, o Cão de Pastor Australiano pode e deve ser castrado em torno dos seis meses, ao passo que o Lébrel Irlandês só deve passar por esta cirurgia por volta dos dois anos de idade. Basta consultar a tabela para ver se a raça do seu patudo consta do estudo e saber quando se aconselha a sua castração.

Percorra a galeria para saber mais sobre as características de algumas raças de cães.

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