Saúde

Novo estudo comprova: “cães da pandemia” têm muitos problemas comportamentais

Um estudo britânico constatou que os patudos nascidos em 2020 tiveram dificuldade em deixar de estar sempre com os donos.
Ansiedade de separação é comum.

Os cães bebés adquiridos no início da pandemia de covid-19 na Europa – os chamados “cachorros pandémicos” – têm elevadas taxas de problemas comportamentais. É esta a conclusão de um estudo do Royal Veterinary College (RVC), do Reino Unido, no âmbito de um projeto britânico sobre os patudos nascidos em 2020 e comprados – a criadores certificados – com idade inferior a 16 semanas.

No âmbito deste estudo, publicado a 22 de janeiro, os investigadores do RVC perguntaram a mais de mil tutores como se comportavam os seus cães adquiridos com menos de quatro meses de idade no ano de 2020 e as respostas – houve 1.007 validadas – permitiram identificar um aumento de problemas comportamentais.

A lista de 24 comportamentos que os donos apontaram como sendo problemáticos iam desde a dificuldade de controlo (puxar pela trela, por exemplo) até à procura constante por atenção, passando por comportamentos agressivos (para com outros cães e pessoas e para “protegerem” a sua comida) e por comportamentos de medo/fuga (como a ansiedade e receio perante outros cães, pessoas ou ruídos altos).

O estudo, que foi financiado pelo Battersea – centro de resgate britânico de cães e gatos –, revela que, em média, os tutores disseram que os seus cães tinham cinco comportamentos que consideravam problemáticos, ao passo que um em cada cinco afirmou que o seu patudo tinha oito ou mais desses comportamentos. Os mais comuns são: puxar a trela (67 por cento), saltar para cima das pessoas (57 por cento) e não regressarem quando os chamam (52 por cento).

Problemas comportamentais mais evidentes após fim do teletrabalho

Segundo o estudo, praticamente um terço dos cães sofreu problemas de ansiedade em torno dos 21 meses – quando os confinamentos começaram a ser levantados. Os “cachorros pandémicos”, adquiridos nos primeiros meses da pandemia, quando foram impostos lockdowns em meio mundo, habituaram-se a ter os donos sempre por perto e depois estranharam bastante quando isso deixou de acontecer com o fim do teletrabalho. Daí as elevadas taxas de comportamentos problemáticos, como a ansiedade de separação e a agressividade perante outros cães.

Uma outra conclusão é a de que estes tutores recentes mostram maior probabilidade de recorrerem a castigos nos treinos, o que está errado – pois pode levar a que o comportamento dos cães piore. Quatro em cada cinco (82 por cento) donos de “cachorros pandémicos” disseram usar métodos de treino aversivos na tentativa de resolver os problemas de comportamento dos seus patudos.

Acontece que este aumento do reforço negativo (por exemplo, gritar com o cão ou recorrer a equipamento de treino que é desconfortável, em vez de utilizarem o método baseado em recompensas (como elogios e biscoitos), não só impacta negativamente o bem-estar do animal como é, por norma, pouco eficaz – e nalguns casos pode mesmo resultar em novos problemas comportamentais devido ao medo e ansiedade que esses treinos lhes provocam.

Percorra a galeria para compreender um pouco melhor o que sentem os cães e como podem reagir no cenário da ansiedade de separação.

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