Com a chegada da primavera, aumentam os passeios ao ar livre e, com eles, os riscos para os cães que exploram jardins, parques e ruas. Embora os dias mais longos e as temperaturas amenas incentivem a atividade física, esta estação traz também perigos muitas vezes invisíveis, como plantas tóxicas, resíduos ou substâncias químicas presentes no ambiente.
“A primavera é uma altura em que os cães interagem intensamente com o exterior, o que aumenta a probabilidade de contacto com elementos desconhecidos que podem afetar a sua saúde”, explica António Dias, médico veterinário na Clinicanimal, clínicas veterinárias da Tiendanimal. “Mesmo passeios rotineiros podem envolver situações de risco que exigem atenção redobrada por parte dos tutores”, conclui.
Entre os principais perigos desta época estão plantas ornamentais comuns, como narcisos, jacintos, tulipas, amarílis e lírios, que podem ser tóxicas para os cães. A estes juntam-se produtos de jardinagem, como pesticidas e fertilizantes, bem como restos de comida ou pequenos objetos deixados no chão, que despertam a curiosidade natural dos animais. A maior presença de insetos, pequenos animais e ninhos de aves contribui ainda para aumentar os riscos durante os passeios.
Apesar destes perigos, nem todos os comportamentos são motivo de alarme. Comer relva, por exemplo, pode ser normal e estar associado à exploração do ambiente ou ao alívio de desconforto digestivo ligeiro. No entanto, alterações neste comportamento — como um aumento repentino da frequência — podem indicar problemas de saúde e devem ser observadas com atenção.
Os sinais de alerta após a ingestão de substâncias ou objetos inadequados podem variar, mas incluem frequentemente vómitos, diarreia, salivação excessiva, letargia, perda de apetite e alterações comportamentais. Em situações mais graves, podem surgir tremores, convulsões ou dificuldade respiratória, exigindo intervenção imediata.
Perante a suspeita de ingestão de algo perigoso, os especialistas recomendam manter a calma e tentar identificar o que foi ingerido. A indução do vómito não deve ser feita sem orientação veterinária, uma vez que pode agravar o quadro clínico. A prioridade deve ser procurar assistência médico-veterinária o mais rapidamente possível, garantindo uma avaliação adequada e tratamento atempado.
A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz. A supervisão constante durante os passeios, a evitação de áreas com substâncias potencialmente tóxicas e a oferta de alternativas seguras para exploração são medidas essenciais para reduzir o risco. Observar atentamente o comportamento do animal permite identificar alterações, mesmo subtis, e agir de forma precoce, prevenindo complicações mais graves.
Num período em que o contacto com o exterior se intensifica, a vigilância dos tutores assume um papel central na proteção da saúde e bem-estar dos cães, garantindo que os passeios continuam a ser momentos seguros e positivos.
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