Os animais podem ser neurodivergentes? Esta cientista diz que sim

A investigadora argumenta que, tal como as pessoas, também os animais podem ter diferenças químicas e estruturais que causem estas condições.

A crescente consciencialização sobre a neurodivergência nos humanos deixa a questão: será que estas condições afetam também os animais? Jacqueline Boyd, professora de Ciência Animal na Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, argumenta que é viável acreditar que sim, citando vários estudos e conclusões que defendem que a neurodivergência não é um fenómeno exclusivo dos humanos.

A investigadora publicou a sua teoria na plataforma The Conversation na passada segunda-feira, 17 de novembro, começando por explicar que vive com vários Cocker Spaniels, que diz serem “inteligentes e afetuosos, mas por vezes aluados, impulsivos e extremamente sensíveis”, levando os seus amigos a dizer, em tom de brincadeira, que os patudos têm TDAH (transtorno do défice de atenção e hiperatividade).

Jacqueline adianta que “qualquer pessoa que tenha vivido, treinado ou cuidado de animais sabe o quão individuais são as suas personalidades”, e explica que, cada vez mais, a comunidade cientifica tem dedicado atenção à diversidade das funções cerebrais dos animais. Contudo, reconhece que “diagnosticar animais com condições humanas pode ser problemático”, já que o seu comportamento é inevitavelmente compreendido através da visão e compreensão humana. 

Neste sentido, a pesquisadora escreve que categorizar um cão como particularmente impulsivo pode não ser razoável, já que “a impulsividade pode ser um comportamento normal para a sua raça”. 

Ainda assim, avança a professora, “a pesquisa indica que uma variedade de espécies, incluindo cães, ratazanas, ratos e primatas não-humanos podem mostrar sinais genéticos e comportamentais de neurodivergência”. Entre estes casos, Jacqueline destaca as “diferenças estruturais nos genes associadas com o comportamento hiper social que podem ser encontradas nos cães”, e o “comportamento impulsivo” da mesma espécie, frequentemente associado a “níveis baixos dos neurotransmissores serotonina e dopamina” típicos dos humanos com TDAH.

A especialista em comportamento canino adianta que alguns cientistas têm desenvolvido modelos de autismo para animais, com o objetivo de compreenderem os fatores ligados à condição, e para explorarem potenciais apoios terapêuticos. O problema, acrescenta, é que estes modelos são criados a partir de animais de laboratório, selecionados a partir de um processo cuidado, que por isso dificilmente representa as populações reais e a diversidade neurológica.

Apesar de ser necessária mais pesquisa, a cientista argumenta que “como nós, os animais experienciam o mundo de formas diferentes”, o que pode ser o resultado “natural das suas personalidades, mas também é provável que uma porção dos nossos pets tenham diferenças na estrutura e na química dos seus cérebros”.

Carregue na galeria para conhecer algumas das conclusões que levam os cientistas a acreditar que os animais também podem ser neurodivergentes.

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