Saúde

Os cães também ficam acordados a pensar nos seus próprios problemas. O que fazer?

Um patudo pode ter dificuldades na hora de dormir se o dia foi de maior ansiedade e stress. Ajude-o a ter uma boa noite de sono.
Todos precisam de dormir bem.

Já aconteceu, certamente, a todos nós. A antecipação de um dia importante ou a existência de problemas por resolver refletem-se, muitas vezes, em insónias e noites mal dormidas. Mas sabia que o mesmo acontece com os nossos cães? É isso mesmo, eles também podem ter dificuldades em adormecer após um dia de grande ansiedade.

O estudo não é novo, e o problema continua atual. Uma equipa de investigadores húngaros publicou estas conclusões em 2017, depois de monitorizar os padrões de sono dos cães após experiências positivas – serem acariciados pelos donos e brincarem com eles, por exemplo – e negativas, como serem separados dos seus tutores ou serem abordados por um estranho que pressentem como uma ameaça. Mas sabe o que pode fazer para que o seu patudo tenha noites de sono descansadas?

Segundo os investigadores, os cães, tal como sucede connosco, podem ficar acordados à noite e pensarem nos seus problemas depois de um dia stressante. Uma única experiência negativa na vida do seu cão não irá provocar grandes perturbações no sono, mas experiências stressantes regulares podem levar a um transtorno mais permanente.

Assim, devemos estar atentos e velar para que os nossos amigos de quatro patas vivam num ambiente harmonioso. Dar-lhes uns miminhos extra antes de irem para a cama é algo que também pode ajudar que tenham um sono mais descansado. Se, sem razão aparente, o seu cão passar a ter muitas noites agitadas, então pode haver algum problema de saúde que esteja a causar-lhe incómodo, como dores, epilepsia, apneia ou outro – e, nesse caso, há que consultar o médico veterinário.

Atenção aos pesadelos nos cães

E não se esqueça: os cães também podem ter pesadelos – e, nesses casos, é importante que não os acorde repentinamente. Basta abaná-los ligeiramente, para não os assustarmos, explicou à PiT a médica veterinária Liliana Dias.

Por norma, os cães dormem entre 12 a 14 horas por dia – no caso dos cachorros, por serem tão bebés, precisam de cerca de 19 horas diárias de sono. E demora apenas cerca de 10 minutos até que entrem num sono profundo, refere o American Kennel Club (AKC) – um dos maiores clubes do mundo de registo genealógico de cães de raça pura, e o maior e mais antigo dos Estados Unidos.

E o que se sabe sobre essas horas de sono? Os investigadores que, ao longo do tempo, analisaram as ondas cerebrais dos cães enquanto estes dormiam e que as compararam com as dos seres humanos, concluíram que os patudos também têm ciclos de sono.

As três fases pelas quais oscilam são as do sono leve (NREM – quando os olhos não têm movimentos rápidos); sono profundo (REM – apresentam espasmos musculares e costumam mexer as patinhas); e sono de ondas lentas (SWS – nesta fase, respiram profundamente).

E quando é que surgem os sonhos ou pesadelos? Segundo a AKC, costumam acontecer na fase REM (rapid eye movement) – que nos cães ocorrem entre 15 a 20 minutos depois de começarem a dormir. Se for o caso do seu patudo, já sabe: basta abaná-lo ligeiramente para ele sossegar.

Demência também provoca perturbações

Também os cães com demência apresentam as mesmas perturbações no sono que os humanos que sofrem desse problema. A conclusão foi apresentada num estudo, levado a cabo por investigadores da North Carolina State University, nos Estados Unidos, e publicado a 28 de abril na na revista científica “Frontiers in Veterinary Science”.

A equipa de investigadores realizou eletroencefalografias (EEG) a cães seniores para determinar se a leitura das ondas cerebrais durante o sono tinha correlação com sinais de declínio cognitivo. Os resultados foram claros: os cães com estados mais avançados de demência sofrem mais perturbações no sono e dormem menos, em geral, do que os cães com uma normal função cognitiva.

O estudo – que faz parte de uma investigação clínica sobre envelhecimento e cognição em cães que está a ser conduzida naquela universidade do Estado da Carolina do Norte – foi feito junto de 28 cães seniores: 17 fêmeas e 11 machos.

Os investigadores esperam que este trabalho, que estabelece orientações para identificar o declínio cognitivo nos cães, possa levar a diagnósticos e intervenções mais atempadas nos patudos seniores com sinais de demência.

Dormir na sua cama… mas com cuidado

A maioria dos nossos patudos adora poder dormir na nossa cama. E, à partida, não há qualquer problema nisso. Mas, em muitos casos, há que ter cuidado, já que no tempo mais frio pode ser perigoso para ele. E porquê?

Os cães têm uma temperatura corporal uns graus acima da temperatura dos humanos, pelo que podem ser um excelente aquecedor da nossa cama, mas Katy Alexander, veterinária na instituição britânica de ajuda animal Blue Cross, adverte para o perigo de alguns patudos poderem sobreaquecer se ficarem debaixo de um edredão.

“Os cães de porte mini, os bebés e seniores, bem como aqueles que sofrem de artrite ou outros problemas de mobilidade, podem ter dificuldades em sair facilmente debaixo do edredão no caso de se sentirem demasiado quentes”, sublinha a médica veterinária ao “The Telegraph”.

Além disso, quem tiver cães de focinho achatado – as chamadas raças braquicefálicas – deve ter “cuidados extra”, atendendo a que têm um risco acrescido de sobreaquecer debaixo do edredão, refere Katy Alexander.

Outro perigo apontado pela veterinária é o dos cobertores elétricos. Se o seu cão dorme consigo, nem pense nisso, pois correm o risco de sofrer queimaduras, além de que o frio elétrico é um perigo enorme se for roído, explica. O mesmo acontece com os cobertores pesados, que poderão não lhes permitir sair com facilidade da cama.

Assim, já sabe. Podem dormir juntos, mas há que lhes garantir segurança. Percorra a galeria para estar ciente dos perigos de sobreaquecimento do seu cão.

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