Saúde

Como é que os cães veem o mundo? Este novo estudo dá a resposta

Enquanto os humanos se focam nos objetos, os cães acompanham mais as ações. E foi a ver filmes que as diferenças surgiram.
Objecto ou acção? Eis a questão.

O estudo, dirigido pela Universidade de Emory, em Atlanta, nos EUA, teve por base exames feitos em ressonâncias magnéticas. Os testes passavam pelo visionamento de filmes, exibidos tanto a cães como a humanos, com o objectivo de comparar as formas como cada espécie observa o mundo — e, no caso dos primeiros, procurar perceber melhor como veem, realmente, esse mundo que os rodeia.

A investigação incidiu sobre dois cães, Daisy e Bhubo, que viram filmes de 30 minutos, filmados especificamente sobre conteúdos direcionados a canídeos, a saber: cães a correr, cães a serem passeados à trela, humanos a interagir com cães, humanos a interagir entre si, carros a passar, veados a atravessar a estrada, ou gatos a andar por casa. O mesmo procedimento foi realizado com dois humanos.

Cada cão viu três filmes, num total de 90 minutos.

“Apesar de o nosso trabalho ter sido baseado em apenas dois cães, não deixa de dar provas de que estes métodos funcionam nos cães”, defende o neurocientista Erin Phillips. “Espero que este estudo ajude a trilhar caminho para outros investigadores a aplicarem estes métodos em cães, assim como noutras espécies, de maneira a que possamos recolher mais dados e ter maiores perspectivas de como funcionam as mentes de diferentes animais”, acrescenta o médico pertencente à Universidade de Preston.

No vídeo segmentaram-se dados por carimbos temporais, para sinalizar classificadores desde objectos (tais como cães, humanos, veículos, ou outros animais) ou ações (farejar, passear, saltar, comer, brincar…). A atividade cerebral dos dois cães e as respectivas informações traduzidas foram inseridas numa rede neural designada Ivis, criada para mapear a actividade cerebral desses classificadores.

A rede Ivis foi capaz de mapear os dados do cérebro humano para os classificadores com 99% de precisão, quer ao nível dos objectos, quer das acções. Já em relação aos cães os classificadores de objetos foram praticamente inócuos, mas perante as acções, foi registada uma precisão entre 75 e 88 por cento.

Ambos sujeitos ao mesmo teste, as diferenças foram notórias.

“Nós, humanos, somos bastante orientados para o objetos”, explica Gregory Burns, um dos principais investigadores. “Existem 10 vezes mais substantivos do que verbos na língua inglesa, porque nós temos uma obsessão particular em designar objetos. Os cães aparentam dar menos atenção a quem ou ao que estão a ver e mais à ação em si própria“, argumenta o cientista. Isso explica, também, as já conhecidas características relativas à visão dos cães: o que observam é um misto de vultos e sombras, mas são consideravelmente mais sensíveis ao movimento do que os humanos.

Agora, se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha — neste caso, o apuro do olfato pela limitação da visão ou o contrário —, ainda não é certo. O que é, de facto, certo é que o nariz é um complemento essencial na visão dos cães. E essa visão, de acordo com as conclusões deste estudo, guia-se pelos movimentos, mais do que pelas silhuetas. Não admira que os cães reajam sempre que atiramos uma bola — mesmo quando ela não sai das nossas mãos.

 

 

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