A febre de medicamentos como o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro parece ter quebrado as barreiras do universo humano, e uma nova versão desta droga está a ser desenvolvida para ser aplicada também aos pets. Os primeiros testes estão a decorrer, e esperam-se resultados concretos no próximo verão.
A responsável pela invenção é a empresa norte-americana Okava Pharmaceuticals, de São Francisco, que a 2 de dezembro anunciou ter iniciado um estudo piloto para a droga GLP-1 para gatos com obesidade, que compõem cerca de 60 por cento da população mundial destes animais, adianta o The New York Times.
A organização está a apostar numa nova abordagem — em vez de os animais receberam injeções todas as semanas, como habitualmente acontece com os pacientes humanos, o objetivo é desenvolver pequenos implantes injetáveis que libertam o princípio ativo ao longo de seis meses.
Chen Gilor, médico veterinário e professor da Universidade da Florida, que coordena o estudo, explicou ao jornal que os tutores deverão “inserir a cápsula debaixo da pele, e passado seis meses, o gato perdeu peso”. “É como magia”, acrescenta.
Este medicamento é “um agonista de GLP-1”, querendo isto dizer que reproduz os efeitos da hormona GLP-1, produzida no intestino, e foi desenvolvido para tratar a diabetes tipo 2, explica a revista NiT. A sua aplicação atrasa o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade, e atua no pâncreas, melhorando as células que produzem a insulina.
Alguns veterinários têm já administrado a droga a gatos diabéticos. “Acredito que será popular”, avançou Ernie Ward, veterinário fundador da Association for Pet Obesity Prevention, focada em prevenir a obesidade dos animais. De acordo com o médico, os veterinários estão “no precipício de uma nova era sobre a obesidade na medicina”.
Tipicamente, os animais diabéticos precisam de duas injeções de insulina por dia. Este é um tratamento dispendioso e que requer tempo dos tutores e, ainda que seja assegurado, vários animais são eutanasiados ao longo do primeiro ano depois do diagnóstico. A esperança é que o novo medicamento garanta uma forma mais eficaz de tratar a condição, que Chen Gillor diz ser “completamente tratável”, considerando que está a ser feito um “péssimo trabalho” no seu tratamento.
Apesar da esperança, não existem garantias de que o medicamento se revele um sucesso, sendo necessários vários testes clínicos e análises para perceber se será acessível e atrativo para os tutores








