Saúde

Quem a viu e quem a vê. Maria ganhou peso e um lar de acolhimento e já parece outra

Esteve uma noite inteira amarrada ao portão de uma associação de Matosinhos. Menos de um mês depois, veja a grande mudança.
O olhar feliz diz tudo.

Foram 10 longas horas que Maria passou ao portão da Associação Midas, em Matosinhos. À chegada ao abrigo, logo pela manhã, as responsáveis deram com a Boxer encharcada, a tremer de frio e esfomeada. Foram ver as imagens de videovigilância e perceberam que ali tinha sido deixada amarrada às 21h30 de 14 de novembro. Choveu toda a noite. Foi encontrada às 7h30 do dia seguinte. A trela estava tão curta que Maria não teve qualquer possibilidade de se deitar. Só podia estar de pé ou sentada.

Parece o guião de um filme de terror, mas não é. É a verdade nua e crua do abandono de animais em Portugal. E Maria – nome que lhe foi dado – estava tão magra que se viam os ossos. Além disso, estava doente. Felizmente, não tanto como se chegou a recear.

“Felizmente, as análises não estavam muito más e o RX e a ecografia também não. Está prevista uma reavaliação daqui a uma semana para vermos se já podemos avançar com os procedimentos cirúrgicos de que necessita”, diz Lígia Andrade, presidente da Midas, à PiT.

Maria chegou com várias massas no corpo, orelhas e boca num estado lastimável, pelo que os procedimentos são vários. “Vai precisar de fazer nodulectomia e biópsia dos nódulos localizados nos membros, mastectomia total – em duas fases – e ovariohisterectomia”, explica Lígia.

Apesar do abandono a que foi sujeita, Maria não perdeu a fé no ser humano. “Chegou-nos com muito apetite e simpatia”. E dois dias depois de ter sido recolhida pela Midas, já parecia outra. Tinha engordado 2,2 quilos. Uma semana depois já tinha “mais quatro quilos no corpo”. E a 27 de novembro a sua vida melhorou ainda mais: seguiu para uma família de acolhimento temporário (FAT) e nessa noite já dormiu numa cama confortável, cheia de mimo e amor.

“Este olhar já não é o mesmo. Roncou toda a tarde, dormiu na cama com um deles e de noite até acordou a FAT com lambibejios. É super limpa e deu-se muito bem com a residente canina da casa”, sublinhou a associação ao dar a boa nova.

Sobre se já há candidatos à adoção, Lígia Andrade diz à PiT que “houve várias pessoas imediatamente interessadas”, mas que “só duas formalizaram a candidatura”.

“A Midas não entrega animais doentes ou por recuperar a ninguém, a menos que desconheça a patologia. Neste caso, a Maria precisa de engordar para ser submetida a qualquer procedimento cirúrgico. Só depois se falará na adoção. E a sua FAT é uma das candidatas”, conta a responsável da associação de Matosinhos, no distrito do Porto.

A este propósito, Lígia aponta a importância das famílias de acolhimento temporário. “As FATs são muito importantes – mais do que desbloquearem um espaço para acolhermos outro animal, ajudam na recuperação do animal que acolhem”.

“Temos alguns animais em FAT, animais séniores, com patologias diversas, cuja vida não seria compatível se vivessem no abrigo. Mas numa casa, sim”. A presidente da Midas dá o exemplo de Óscar. “O Óscar é um cão que tem graves problemas articulares. Deixou de andar, no ano passado. Foi para uma FAT e agora até salta. Toma medicação diariamente e é tudo suportado pela associação, graças aos padrinhos dele”.

O mesmo acontece com a cadelinha Babe. “A Babe tem cancro, mas ainda tem qualidade de vida, coisa que no abrigo não teria”.

Além de terem uma vida melhor, também permitem que a associação tenha espaço para um novo acolhimento – e até mesmo para uma adoção, já que muitas vezes as famílias temporárias ficam tão apaixonadas por eles que passam a definitivas. E, muito provavelmente, talvez seja também esse o caso de Maria – que há menos de um mês foi encontrada gelada e com um olhar sem o brilho que tem hoje.

Percorra a galeria para ver algumas fotos de Maria e da sua evolução.

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