Saúde

Quem é o “xaninho mai’lindo da dona”? Gatos reagem a conversas “à bebé”

Quando falamos com o nosso gato como se estivéssemos a comunicar com uma criança de tenra idade, eles sentem a ligação.
Ligações estreitas.

“Quem é a coisa ‘mailinda’ da dona?”, “Quem é o gatarrucho mais bonito do mundo e arredores”?, “O que é que eu tenho hoje para ti, o que é? Surpreeeesa!”. Se é uma cat person, deve estar familiarizado com estes termos e provavelmente até deu uma boa gargalhada por se reconhecer nalguma das frases.

Quando falamos com os nossos animais, o tom de voz costuma mudar. Fica mais macio, muito “cutchi cutchi”, como se estivéssemos a falar com um bebé. E agora um novo estudo, publicado no início este mês na revista científica “Science Direct” e divulgado a 25 de outubro na “Animal Cognition”, vem dizer que os gatos reagem a este tipo de comunicação – mas só se forem os donos a falar assim.

Já se sabia que os cães gostam que falemos desta forma com eles e tendem a prestar mais atenção quando usamos este tipo de discurso. Mas os gatos também, como se comprovou agora.

Charlotte de Mouzon, a principal autora do estudo – realizado por investigadores da Universidade Paris Nanterrre e da Faculdade National de Veterinária de Alfort, em França – diz, citada pela plataforma “Science”, que ficou confirmado que os gatos respondem a esta comunicação que lhes é especificamente direcionada.

A experiência contou com a participação de 16 gatos e dos seus respetivos donos, todos eles alunos da Faculdade de Veterinária. Uma vez que pode ser desafiador trabalhar com gatos, os investigadores analisaram-nos num território cat friendly, tendo convertido um quarto do dormitório desses estudantes num “laboratório” animal, repleto de brinquedos, caixas de WC e locais para se esconderem.

Os alunos levaram os seus gatos para esse quarto e sentaram-se em silêncio junto deles enquanto Charlotte de Mouzon punha em alta voz uma série de gravações. Numa das faixas, o gato ouvia o seu tutor a dizer cinco frases, como “queres brincar?” ou “queres um snack?”

As primeiras três frases eram pronunciadas normalmente, da forma como nos dirigimos a um adulto, ao passo que a quarta frase já era num discurso direcionado para o gato e a quinta frase regressava ao modo adulto.

Uma vez que os gatos nem sempre são tão evidentes nas suas reações como os cães, Charlotte de Mouzon calculou uma pontuação de 0 a 20 com base nas respostas dos felinos – por exemplo, virar as orelhas ou cabeça em direção ao som, ou pararem com o self-grooming –, em que 20 indicava as reações mais evidentes ao som.

Voz à bebé faz diferença

Quando os gatos ouviam as três primeiras frases dos seus donos, dirigidas a adultos, mostravam-se gradualmente menos atentos – começavam com uma reação pontuada com um 13, que depois caía para 4. Mas quando surgia a quarta frase, dita especificamente para eles, as reações disparavam em média para 14. A classificação voltava a baixar – para cerca de 6 – quando ouviam a quinta frase.

Em contrapartida, quando a mesma experiência foi realizada com a voz de um desconhecido, a reação dos gatos começava mais elevada (em torno de 15), mas depois caía para uma média de 5 e não voltava a subir – mesmo quando essa pessoa falava “à bebé”.

Estas conclusões mostram que, tal como os cães, os gatos podem compreender que a sua relação connosco é muito semelhante à de pais e filhos. Daí que também eles tenham encontrado forma de “falar” connosco: miam para nós, por exemplo, e o seu ronronar parece ter desenvolvido uma componente com uma frequência mais elevada, quase evocando o choro de um bebé, de modo a captarem a nossa atenção. E quanto mais arranham o sofá, mais próximos se sentem de si.

Percorra a galeria para conhecer melhor algumas raças de gatos.

 

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