Portugal é atualmente considerado um país livre de raiva, mas isso não significa que o risco tenha desaparecido. O vírus continua a circular noutras partes do mundo e pode chegar ao país através da entrada de animais provenientes de zonas onde a doença está presente.
No dia em que se assinala o Dia Mundial contra a Raiva, esta segunda-feira, 28, recordamos a importância da vacinação dos animais de companhia e do cumprimento das regras sanitárias nas deslocações internacionais.
A data é promovida anualmente para sensibilizar para a prevenção da doença. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu como tema “Stronger Together”, sublinhando a necessidade de uma abordagem conjunta entre comunidades, profissionais de saúde, autoridades e tutores de animais.
A raiva é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central dos mamíferos e é transmitida através da saliva de animais infetados, sobretudo por mordeduras. Quando os sinais clínicos surgem, a doença é praticamente sempre fatal. A OMS estima que provoque dezenas de milhares de mortes humanas todos os anos, sendo os cães responsáveis pela grande maioria dos casos de transmissão às pessoas.
“A prevenção continua a ser essencial, mesmo quando o risco de exposição é reduzido. A vacinação e o cumprimento dos requisitos sanitários nas deslocações são medidas importantes para proteger os animais e evitar a reintrodução da doença”, explica Susana Beira, Medical Business Partner da AniCura Portugal, em comunicado.
Viajar com um animal exige preparação
Uma viagem internacional com um cão, gato ou furão implica mais do que preparar a mala. Dependendo do país de destino e da origem do animal, podem existir requisitos específicos relacionados com a vacinação antirrábica, identificação e documentação sanitária.
A DGAV estabelece, por exemplo, que os animais que entram em Portugal provenientes de determinados países terceiros devem estar identificados, ter vacinação contra a raiva válida e cumprir requisitos sanitários específicos. A primeira vacinação contra a raiva só pode ser administrada a partir das 12 semanas de idade e, em determinadas situações, é necessário aguardar pelo menos 21 dias após a vacinação.
Por isso, a preparação da viagem deve começar com antecedência. Uma consulta veterinária permite confirmar se a vacinação está atualizada e verificar quais os requisitos aplicáveis ao destino.
“As regras europeias para viajar com animais foram reforçadas em 2026, o que torna ainda mais importante garantir que a vacinação, o microchip e a documentação estão em conformidade antes de qualquer deslocação”, sublinha Susana Beira.
O que fazer perante uma mordedura?
Uma mordedura ou outro contacto de risco com um animal potencialmente infetado não deve ser desvalorizado.
No caso de uma pessoa ser mordida ou arranhada por um animal suspeito, a OMS recomenda lavar imediatamente a ferida com água e sabão durante pelo menos 15 minutos e procurar assistência médica. A profilaxia pós-exposição pode prevenir o desenvolvimento da doença quando administrada atempadamente.
Quando o contacto envolve um animal de companhia, o tutor deve procurar orientação veterinária. Não é aconselhável tentar capturar ou manipular um animal desconhecido ou suspeito de estar doente.
A vacinação é obrigatória para os cães
Em Portugal, todos os cães com três ou mais meses de idade devem ter uma vacina antirrábica válida. A DGAV prevê ainda que, perante determinadas situações epidemiológicas, possam ser estabelecidas medidas adicionais de vacinação para outras espécies suscetíveis.
Para os gatos, a vacinação contra a raiva não tem o mesmo caráter obrigatório em território nacional, mas pode ser recomendada pelo médico veterinário de acordo com o estilo de vida do animal, o risco de exposição e, sobretudo, quando existem viagens internacionais.
As recomendações para outras espécies dependem igualmente do risco e da legislação aplicável.
Uma doença que continua a exigir atenção
Apesar de Portugal não ter atualmente circulação da raiva, a situação internacional justifica a manutenção das medidas de prevenção. A OMS considera a vacinação dos cães uma das ferramentas fundamentais para interromper a transmissão da doença na sua origem.
Para os tutores, a prevenção passa por manter a vacinação em dia, cumprir as regras sanitárias nas viagens e procurar aconselhamento veterinário sempre que exista uma situação potencialmente suspeita.
“A prevenção da raiva começa antes de uma possível exposição. Estar atento aos riscos, cumprir as medidas de proteção adequadas e procurar aconselhamento veterinário perante qualquer situação suspeita, são passos importantes para proteger os animais de companhia”, conclui Susana Beira.








