Saúde

Ter um animal pode atrasar progresso da demência em adultos mais velhos

Se tem mais de 50 anos e vive sozinho, um cão ou gato poderão ajudar a combater o declínio na cognição verbal, diz novo estudo.
Laços de ternura.

Já existem estudos que comprovam que ter um animal de companhia ajuda a combater a perda de memória e a demência. E uma nova investigação trouxe mais uma variável para a equação: a solidão. Com efeito, segundo uma equipa de investigadores da Universidade chinesa Sun Yat-sen, em Guangzhou, uma pessoa com mais de 50 anos que viva sozinha pode conseguir travar o declínio da cognição verbal – os processos mentais que envolvem o uso da linguagem – se tiver um cão ou gato.

“A solidão é um potencial intermediário na associação que se faz entre adultos mais velhos que vivem sozinhos e demência. Contrariamente a viver sozinho, ter um animal de estimação (isto é, cuidar de cães e gatos) está relacionado com uma redução do sentimento de solidão – que é um substancial fator de risco para a demência e para o declínio cognitivo”, diz o professor Ciyong Lu no estudo publicado a 26 de dezembro na revista médica “JAMA Network Open”.

Entre os 7.945 participantes na experiência, com uma idade média de 66 anos, cerca de 35% tinham pets e 26% viviam sozinhos. As pessoas que viviam sozinhas revelaram um declínio mais rápido na cognição verbal, memória verbal e fluência verbal. Em contrapartida, os que tinham cães e gatos apresentaram um ritmo de declínio mais lento nestes três aspetos, diz o estudo.

Declínio cognitivo e demência estão em crescimento

Esta nova investigação demonstra, assim, os efeitos positivos sobre o cérebro humano decorrentes de ter um animal de companhia. Ter um pet não pareceu afetar a cognição de pessoas mais velhas que viviam acompanhadas, pelo que a solidão parece ter, de facto, um fator muito importante.

No entanto, o estudo só consegue apresentar esta associação, e não uma causa e efeito diretos, explicou à CNN o neurologista norte-americano Richard Isaacson, diretor de investigação do Institute for Neurodegenerative Diseases, na Florida. “É mais rigoroso dizer que ‘pode’ atrasar o declínio cognitivo, sendo necessários estudos adicionais para termos conclusões mais definitivas”, acrescentou.

Também Ciyong Lu diz que é preciso realizar testes clínicos para validar plenamente os resultados do estudo. Mas este foi mais um passo a caminho de se comprovar que um animal de companhia também traz benefícios para o cérebro, nomeadamente no combate a certos aspetos da demência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há mais de 55 milhões de pessoas com demência em todo o mundo, sendo a sétima principal causa de morte. Percorra a galeria para conhecer melhor alguns dos benefícios que um animal de companhia pode ter para quem já tem mais idade.

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